Delegado acusado de comandar esquema de pirataria na Rua Teresa é preso
Nesta quarta-feira (30), a Polícia Civil prendeu o delegado Maurício Demétrio Afonso Alves, ex-titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM). Ele é suspeito de comandar um esquema que exigia propina de lojistas da Rua Teresa, aqui em Petrópolis, para permitir a venda de roupas falsificadas. A Operação Carta de Corso foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ). O objetivo da ação é, no total, oito mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, expedidos pela Vara Criminal Especializada da Capital.
O ex-titular da DRCPIM, que tem como objetivo justamente investigar crimes de pirataria, foi preso em casa, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. A sede da delegacia, na Cidade da Polícia, no Jacarezinho, também foi alvo de buscas. Onze pessoas foram denunciadas pelo MPRJ.
Em nota a Associação da Rua Teresa (ARTE), informou que lamenta que lojistas do polo possam ter sido alvo de extorsão como apontam as investigações conduzidas pelo MPRJ e Corregedoria da Polícia Civil do estado do Rio de Janeiro.
A ARTE ressaltou ainda que, desde os anos 1960, a Rua Teresa é uma Rua de comércio familiar e confecção própria, em sua maioria, e que vem lidando com a concorrência desleal de produtos sem procedência comprovada há anos. Isso é uma realidade que também afeta outros polos de moda no Brasil e que prejudica os empresários que trabalham de maneira correta pagando impostos e gerando vagas de carteira assinada.
“A ARTE não recebeu qualquer denuncia sobre o suposto esquema. Não fomos procurados pelos lojistas que estariam sendo extorquidos, segundo a investigação, ou mesmo pela Polícia. Esperamos que todos os detalhes sejam esclarecidos e os culpados punidos. Reforçamos que somos um importante setor econômico do município, reconhecido por gerar mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, e representando, antes da pandemia, cerca de 14% PIB da cidade”, disse.
O MPRJ afirma que, sob o comando de Demétrio, a organização é dividida em dois núcleos principais com operadores em Petrópolis, que eram responsáveis “por ameaçar os lojistas e recolher os valores cobrados pela organização, e agentes da DRCPIM, que consistia em policiais civis responsáveis por realizar diligências como forma de represália aos lojistas que se recusavam a pagar as propinas exigidas, chegando ao ponto de forjar provas e produzir laudos falsos.
Os denunciados vão responder por organização criminosa, concussão, obstrução de justiça, inserção de dados falsos em sistema, emissão de laudo falso e lavagem de dinheiro, cujas penas mínimas somadas superam 30 anos de reclusão. A condenação leva ainda à perda do cargo público.
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