Profissionais da educação entram em greve para pedir por reajuste salarial e melhores condições de trabalho
Foi iniciada nesta quarta-feira (17), a greve dos professores que atuam nas escolas estaduais do Rio de Janeiro por tempo indeterminado. O ato foi aprovado pela categoria em assembleia realizada no Clube Municipal, no dia 11 de maio.
Em comunicado, o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Estado do Rio de Janeiro (Sepe RJ) informou que a paralisação tem como objetivo pedir a implementação do piso nacional do magistério para os docentes, e o piso dos funcionários administrativos tendo como referência o salário mínimo nacional.
Além das reivindicações econômicas, a categoria também defende a revogação do novo ensino médio e a convocação de concursados para o magistério dos concursos de 2013 e 2014 e de inspetores de alunos do concurso de 2013. Outro pedido feito pela classe, é a abertura de novos concursos para suprir a carência de profissionais nas escolas e para as funções de assistente social e psicólogos, como resposta ao aumento da violência no interior do espaço escolar.
Aqui no Colégio Estadual Dom Pedro II (C.E.D Pedro II) os alunos estavam sendo liberados de forma gradativa. Muitos, informaram que poucos professores compareceram a unidade nesta quarta-feira, e foram informados que só teriam duas aulas no dia inteiro.
O estudante Luis Felipe Garcia, aluno do terceiro ano do C.E.D Pedro II, contou a equipe do correio que na turma em que ele estuda, com mais de 30 alunos, apenas sete foram para a aula. “Toda essa situação é muito complicada, na terça-feira um de nossos professores nos explicou dentro de sala porque eles iriam fazer a greve, e ficamos cientes de toda questão do piso salarial. O problema, é que depois a gente sai prejudicado porque teremos que repor essas aulas e isso vai tomar mais tempo”, explicou o estudante.
Nas redes sociais, internautas demonstraram apoio aos profissionais da educação. No calendário aprovado durante a assembleia com o Sepe, foi informado que a greve seria iniciada nesta quarta-feira; na quinta-feira haveria uma assembleia às 14h no Largo do Machado, e em seguida uma marcha em direção ao Palácio Guanabara; e no dia 23 de maio, na próxima terça-feira, outra assembleia, mas dessa vez para discutir os rumos da greve. “Toda a greve é por tempo indeterminado até a próxima assembleia, e se nesta o governo aparecer uma proposta dizendo pagar o piso como deve ser feito, respeitando cargos e salários, a assembleia pode decidir pelo retorno das atividades. O governo que sempre enfatiza a prioridade na educação precisa responder as questões relacionadas aos professores com urgência máxima”, disse a coordenadora do Sepe, Rose Silveira.
Em nota ao Correio, o Governo do Estado respondeu que: “Respeita a decisão de greve dos profissionais da Educação. Caberá aos órgãos de justiça verificar sua legalidade. A Secretaria de Estado de Educação enfatiza que o aumento concedido pelo governo é o pagamento do piso nacional no vencimento base para todos os cargos e níveis do magistério que não recebem o valor correspondente ao piso nacional de 4.420,00 para professores de 40h. Essa era uma reivindicação antiga da categoria, já que o piso nacional não era pago desde 2015.
A medida terá um impacto significativo para quase metade do funcionalismo. O Professor Docente II, por exemplo, que cumpre 22 horas semanais terá reajuste de 116%, passando de R$ 1.125,55 para R$ 2.431,30 e no caso de professor Doc II, 40h, que hoje recebe R$2.251,11 irá ganhar R$4.420,00 _um acréscimo de 96% no vencimento.
Desta forma, há garantia de que todos os professores da rede estadual de ensino ganharão o determinado no piso nacional.
Quanto ao plano de cargos e salários, não há disponibilidade orçamentária e financeira no momento para aplicação do mesmo, lembrando que o estado do Rio de Janeiro encontra-se em regime de recuperação fiscal.”
Ainda nesta quarta-feira, o governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, nomeou 337 professores classificados nos concursos promovidos pela Secretaria de Estado de Educação em 2013 e 2014. As nomeações foram publicadas na edição desta quarta-feira (17/7) do Diário Oficial, e os profissionais, selecionados para os cargos de Professor Docente I – 18 horas e Professor Docente I – 30 horas.
Por Gabriel Faxola/Foto: Thiago Alvarez

