Vacinação da gripe tem apenas 34% de cobertura um mês após início da campanha
Quando bateu um mês do início da campanha nacional de vacinação contra a influenza, que seguirá até o dia 31 de maio, somente 25% da população-alvo havia tomado a vacina, no Brasil. Na semana seguinte o número subiu para 34%, mas continua abaixo do esperado que é 90%. Isso quer dizer que cerca de 20 milhões, entre as 80 milhões de pessoas dos grupos prioritários, foram imunizados, segundo dados do LocalizaSUS. Já em Petrópolis, a cobertura vacinal está em 31,79%. Das 130.110 pessoas que fazem parte do público alvo, apenas 45.382 receberam o imunizante, até o momento.
A Gestora Médica de Desenvolvimento Clínico do Butantan, Carolina Barbieri, explica que o vírus influenza pode infectar pessoas de todas as idades, mas tende a causar quadros mais graves nos grupos vulneráveis. “Em idosos, gestantes, crianças menores de cinco anos e indivíduos com doenças crônicas, as complicações respiratórias provocadas pela infecção podem levar à morte. Eu acredito que o baixo número de pessoas se vacinando pode ser devido ao início tardio da campanha, já que a da Covid estava acontecendo no período em que a vacinação contra a influenza costuma ser implantada, em meados de março e abril. Outro possível motivo é a propagação de informações falsas envolvendo a imunização”, disse a médica.
Em 2022 e 2021, a cobertura ficou em 68% e 72% e chegou a atingir índices acima de 90% nos anos anteriores. Nos últimos dois anos, o número de óbitos por gripe aumentou 78%, de acordo com o Ministério da Saúde. A gripe provoca 1 bilhão de casos e 650 mil mortes, por ano no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Por se tratar de um vírus em constante mutação, se vacinar todos os anos é essencial para evitar as consequências graves da doença.
O imunizante contra influenza produzido pelo instituto Butantan e disponibilizado no sistema único de saúde é feito com o vírus fragmentado e inativado, ou seja, incapaz de causar doença. Os eventos adversos são leves e passageiros, podendo incluir dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação em 15% a 20% dos vacinados. Pessoas com doenças febris e covid-19, devem esperar a melhora para se vacinar. Em indivíduos com histórico de reação alérgica grave a ovo, a vacina deve ser administrada com supervisão médica e em ambiente adequado para tratar manifestações alérgicas. “A vacina da gripe não deixa a pessoa gripada. O que acontece é que às vezes a pessoa já está com o vírus encubado, toma a vacina e pensa que o imunizante provocou os sintomas. Ela diminui cerca de 60% os sintomas da doença. A vacinação não traz apenas o benefício da vida, mas também gera queda de sobrecarga dos serviços de saúde. Quanto mais pessoas se prevenindo, menos pacientes procuram os hospitais e menos recurso financeiro é utilizado”, conclui.
Por Larissa Martins/Foto: arquivo TVC

