Policiais Civis da Delegacia da Criança e do Adolescente prendem suspeito de criar grupo no Discord

Na última terça-feira (04), a Polícia Civil da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), prendeu Pedro Ricardo Conceição da Rocha, de 19 anos. Ele é suspeito de criar um grupo no aplicativo de comunicação Discord para estupro de vulnerável. A ação faz parte da 2ª fase da “Operação Dark Room”, realizada em Cachoeiras de Macacu e Teresópolis. Em ambos os locais foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
Pedro Ricardo era criador e administrador de um dos servidores da plataforma onde aconteciam os crimes. O grupo tinha 6 mil membros. Na internet, ele era conhecido como “King”, que significa rei em inglês. De acordo com a Polícia Civil, ele foi preso em Teresópolis, onde estava escondido na casa da avó. Durante a ação policial, Pedro estava em live com os amigos, a ligação estava sendo gravada pelos participantes, quando os agentes deram voz de prisão.
As investigações começaram em março deste ano, após compartilhamento de dados de inteligência com a Polícia Federal e Polícias Civis de diversos estados do país. Durante a apuração, a equipe da DCAV constatou os crimes cometidos por jovens e adolescentes, por meio da plataforma Discord. Na 1ª fase da “Operação Dark Room”, deflagrada na última semana, dois adolescentes foram apreendidos nos municípios do Rio de Janeiro e em Volta Redonda. Um deles, de 17 anos, localizado em Pedra de Guaratiba, na Zona Oeste da capital, era considerado um dos principais líderes do grupo.

Sobre a plataforma

O programa foi concebido inicialmente para a comunidade “Gamer” e se popularizou entre os jovens e adolescentes, em que usuários com interesses comuns se reúnem para se comunicarem. De acordo com as investigações, três servidores da plataforma Discord eram utilizados por um grupo de jovens e adolescentes de várias regiões do país para cometerem atos de violência contra animais e adolescentes, além de divulgar pedofilia, zoofilia e fazer apologia ao racismo e nazismo.
Os agentes obtiveram vídeos em que animais são mutilados e sacrificados como parte de desafios impostos pelos administradores (líderes) como condição para membros ganharem cargos, o que se traduzia em permissões e acesso a funções dentro do grupo. A maioria das ações era transmitida ao vivo em chamadas de vídeo para os integrantes.
Adolescentes também eram chantageadas e constrangidas a se tornarem escravas sexuais dos líderes, que cometiam “estupros virtuais”, também transmitidos ao vivo pela internet. Durante o ato, as meninas eram xingadas, humilhadas e obrigadas a se automutilar.
As vítimas, de várias regiões do Brasil, eram escolhidas na própria plataforma, seja por meio de perfis abertos nas redes sociais ou até indicadas por integrantes do grupo. Com dados pessoais das vítimas, os investigados iniciavam uma série de chantagens, afirmando que possuíam fotos comprometedoras que seriam divulgadas ou enviadas para os pais das mesmas.
Os autores também criavam grupos em aplicativo de mensagens para publicar vídeos e expor as vítimas dos “estupros virtuais”, numa prática conhecida como “exposed”.

Por Gabriel Faxola/Foto: divulgação

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