Após dois anos da tragédia Petrópolis ainda enfrenta desafios na reconstrução
No dia 15 de fevereiro de 2022, Petrópolis foi testemunha de uma tragédia sem precedentes, quando as chuvas torrenciais desencadearam uma série de deslizamentos de terra, inundações e mortes. Agora, dois anos se passaram desde aquele fatídico dia, e a cidade ainda enfrenta as cicatrizes profundas deixadas pela catástrofe.

Um silêncio ensurdecedor é exatamente o que ouvimos todas as vezes que retornamos à Vila Felipe, em Petrópolis. Nada! Um silêncio absoluto, que representa de forma ensurdecedora todas as vidas que foram perdidas, todas as casas e sonhos que foram destruídos no dia 15 de fevereiro de 2022. E hoje, os sentimentos de medo, agonia, tristeza e vazio continuam latentes nos corações de todos os petropolitanos, especialmente daqueles que perderam tudo e que aguardam até hoje providências concretas do poder público. “Pelo tempo, isso aqui já era para estar pronto e quem quisesse e pudesse voltaria para casa. Mas até agora nada, não adianta nada ficar tapeando toda a situação e as vítimas sem resposta de um possível retorno”, disse a moradora da localidade, Rosemary dos Santos.

Agora, dois anos após a catástrofe, a reflexão se torna frequente em torno das obras de recuperação e reconstrução que foram prometidas à população. A Prefeitura de Petrópolis divulgou recentemente um balanço atualizado das obras em andamento desde 2022. Das 192 obras de grande e médio porte em andamento, 115 já foram concluídas, 51 estão em andamento, e 26 ainda estão em fase de licitação, o que significa que ainda não começaram efetivamente. “Eu não vejo solução em curto prazo. A cidade não está tendo vazão para as chuvas que estão acontecendo nesse período de verão, quem dirá em uma chuva como a do dia da tragédia. É muito difícil sobreviver principalmente dentro das áreas de risco, o psicológico fica completamente abalado”, completou o morador da Vila Felipe, Ediney Raesk.
As imagens de um dos dias mais tristes da história de Petrópolis ainda assombram a memória de muita gente. Casas submersas, deslizamentos de terra que interditaram ruas inteiras e devastaram bairros, pessoas arrastadas pela força das águas… A magnitude da tragédia exigiu uma resposta imediata das autoridades municipais, estaduais e federais, e apesar de várias ações terem sido implementadas, muitas ainda não foram finalizadas e permanecem sendo promessas. Promessas que precisam sair do papel para que novas tragédias não ocorram em Petrópolis. “As obras estão andando devagar quase parando, mas felizmente estão andando. A gente sabe que muitos dos prazos que deveriam ser cumpridos não vão acontecer. Realmente, o Centro da cidade já foi reestruturado, mas os bairros não. As pessoas continuam tristes e inseguras”, explicou a vítima da tragédia, ex-moradora da Vila Felipe, Elisângela Lopes.

A Rua Francisco Scali, conhecida como Rua do Túnel no Quissamã, recebeu uma das obras emergenciais na fase de reconstrução pós-tragédia da cidade, e atualmente está na segunda fase de intervenções, com a reconstrução do túnel extravasor. A obra começou a ser realizada estrategicamente durante o inverno, período em que chove menos, e que possibilita agilidade nos trabalhos. Atualmente, as atividades se concentram na aplicação de um revestimento de concreto com aproximadamente 25 centímetros de espessura na parte interna do túnel, visando garantir a durabilidade e eficácia na gestão de águas pluviais.
O processo de reconstrução tem sido lento e marcado por desafios burocráticos, financeiros e logísticos. Enquanto isso, as comunidades afetadas continuam enfrentando dificuldades para conseguirem se reerguer, e muitas famílias permanecem dependendo do aluguel social. “É bem difícil você olhar para uma situação dessas e analisar o jeito que está. É como se tivesse acontecido agora! É morrer por dentro todos os dias, foi tanto tempo para que as obras sejam feitas”, disse o presidente da associação de moradores do Quissamã, Hélito Fraguas.
Fotos: Thiago Alvarez/Texto Gabriel Faxola

