Mulheres se destacam em setores múltiplos na cidade
Nesta sexta-feira, dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional das Mulheres. A homenagem marca o reconhecimento da luta feminina por direitos trabalhistas e eleitorais no século XX. Nesse período da história, especificamente em 1917, cerca de 90 mil mulheres russas foram para as ruas reivindicar melhores condições de trabalho e vida. No protesto elas ainda se opuseram contra o governo. Esse movimento ficou conhecido como “Pão e Paz”. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o feito simboliza a luta das mulheres por igualdade e firma um posicionamento contra o preconceito de gênero, o machismo estrutural e outras violências cotidianas que os corpos femininos estão suscetíveis.
Em esfera mundial, a história das mulheres, nunca foi dignamente contada, mas não por falta de referências reais, mas sim por consequência da negligência de um sistema opressor que as invisibiliza. Durante muito tempo, grandes feitos realizados por mulheres eram trazidos à memória com um aspecto objetificado, sem que o fato fosse levado a sério, desfocando do potencial de condução do poder que tinham fora das residências.
Os estigmas criados mostram que desde séculos passados as mulheres são negligenciadas pelo sistema. Foram ensinadas a satisfazer o patriarcado ignorando as suas próprias vontades e desejos. Todo esse sufocamento criado pela estrutura patriarcal gera uma série de problemas relacionados à violência contra os corpos femininos em diversas camadas sociais. No Brasil, uma pesquisa feita pelo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) aponta que 84,45% da população tem preconceito contra o gênero feminino, a análise destacou a dimensão de violências sofridas por meninas e mulheres nos meios político, educacional, econômico e de integridade física. Essas camadas resultam em desafios maiores para ressoar as vozes femininas, mas também se tornam um impulso para que mulheres quebrem as barreiras e se destaquem em diversos setores.
No cenário regional, Petrópolis possui personalidades femininas que movimentam setores políticos, culturais e econômicos, ressaltando a força e a luta de cada uma, quebrando tabus relacionados ao ser mulher e criando novas perspectivas para o futuro.
Política
A vereadora Julia Casamasso (Psol) da Coletiva Feminista Popular de Petrópolis é um dos destaques do cenário político, já que é a segunda mulher num quadro de 15 parlamentares. Frente ao fato, a vereadora ressalta que as mulheres não participam da política em cargos de poder porque precisam cuidar de toda uma vida, o trabalho de reprodução, de cuidado, o doméstico entre outras cargas que uma mulher tem dentro da sociedade, fazendo com que elas se afastem desse lugar. Em meio aos pensamentos, Julia pondera sobre a construção das ideologias sociais que excluem mulheres. “Não tem nem um século que as mulheres conquistaram o direito de voto, é muito pouco tempo, mas se olharmos para a história da humanidade, elas sempre estiveram presentes na consolidação e nas dinâmicas de todas sociedades, nós mulheres somos igualmente importantes para o andamento da vida humana, quem cuida dos seres humanos são as mulheres. Atualmente precisamos avançar e garantir que mais mulheres estejam nesse espaço de poder onde se pensa política públicas para as mesmas, mas também precisamos assegurar que eles se sintam seguras e confortáveis nesse espaço, porque a política envolve muitas camadas violentas, por isso precisamos ampliar esse assunto e pensar em colocar cada vez mais mulheres comprometidas com a causa”, disse.
A parlamentar continua dizendo que o caminho é ter mais mulheres no front para pavimentar a jornada para as outras que vierem. “Temos exemplos atuais de força política feminina, Marielle Franco, por mais que tenha sido cancelada, sua voz ecoa e o luto pela sua morte vira resistência e com isso seguimos fazendo política como ela, pensando nas camadas sociais que mais precisam de políticas públicas e levando seu legado da luta pelos Direitos Humanos no país”.
Cultura
Com uma abordagem que abraça a causa feminina e a diversidade da cultura negra, Monica Valverde fundou o Afro Serra, um movimento de resistência da Cultura Negra em Petrópolis, que completou 10 anos em 2023. O grupo ganhou em 2013, o Prêmio Ubuntu, na categoria Entidade Afro Centrada. Além do movimento, a artista tem uma Casa de Cultura fundada em 2019. O objetivo principal da formação do grupo foi de pesquisar e resgatar a memória da cultura afro-brasileira na cidade de Petrópolis e Região Serrana. Há dez anos Monica realiza ações, pesquisas, oficinas e vivências, atuando em escolas, faculdades, praças públicas e atua na produção de eventos voltados para a cultura Afro Brasileira.
Comércio
Com o passar dos anos, a conquista do espaço feminino no mercado de trabalho vem se tornando cada vez mais evidente. De acordo com dados do IBGE, o percentual de empreendedoras em relação ao total de negócios chegou a 34% no Brasil no ano de 2022. Exemplo disso é a lojista Eliane Rocha, que possui uma loja no espaço Itaipava Mix. Os produtos vendidos nos boxes são totalmente confeccionados por ela e sua equipe feminina, desde a idealização até o produto final. “Essa é uma herança de família. Minha mãe confeccionava camisetas e eu continuei fazendo esse trabalho. Todas as peças são confeccionadas e desenhadas por mim. Todos os bordados são feitos a mão, também por mulheres. O Itaipava Mix abriu um espaço para que eu possa mostrar meu trabalho, que já realizo há 7 anos”, disse a lojista.
Por Leandra Lima

