Banco Central realiza pesquisa sobre endividamento com faturas de cartão
O terror dos brasileiros: as dívidas! Para boa parte da população é sinônimo de pesadelo. E, um dos principais agentes para gerar este problema, são os cartões de crédito. As letras miúdas, layouts confusos, informações distribuídas de maneira desordenada, fazem com que a maioria dos brasileiros não entenda a linguagem apresentada nas faturas de cartões de crédito.
Para a professora Késia Botelho, os brasileiros têm pouco conhecimento quando o assunto é administração financeira. “O importante seria a gente ter uma forma melhor para explicar a descriminação que tem ali, os impostos cobrado. Se a gente não prestar muita atenção nas coisas, pode até ser que um cartão seja clonado, e a gente só vai entender e perceber isso dias ou meses depois”, disse ela.
Já a dona de casa Cenilda Gabriel Monteiro, vê a situação de divida de perto. “A minha filha compra demais e se enrola com o cartão! Depois ela vai pagando, mas o juros aumentam e consequentemente a dívida também cresce”, desabafou Cenilda.
Na última semana, o Banco Central divulgou uma pesquisa em que foi comprovado que a linguagem no cartão, pode sim, trazer problemas para o entendimento. O experimento submeteu grupos de participantes a diferentes layouts das faturas de cartão de crédito. Com o preenchimento de um questionário, desenhos alternativos das faturas, comparados aos layouts de faturas de cartão de crédito existentes, permitiram testar soluções baseadas em ciências comportamentais.
“As faturas são complicadas, principalmente as que são impressas. Que ainda costumam vir com letras menores informando o percentual de juros, rotativo mensal e anual, além da forma que esse juros será aplicado. Porém não informa quais valores vão ser contemplados ao final, que muitas vezes até superam 300% o valor inicial”, explicou a advogada, Mariana Golinelhi.
O resultado mostrou que os participantes, que receberam as faturas com os novos layouts, compreenderam melhor os dados apresentados. E estavam melhor informados para identificar as consequências de aceitar o crédito rotativo, ou pagamento da fatura em parcelas, modalidades que tem juros maiores.
Para a advogada Mariana Golinelhi, o cartão de crédito acaba sendo um dos primeiros recursos utilizados pelos consumidores. Mas na prática, esta forma de pagamento não deveria ser utilizada para pagamentos de contas mensais e sim apenas em momentos de necessidade, como por exemplo, na hora de pagar valores acima da média salarial.
“É importante que a pessoa sempre busque compreensão da fatura da cartão de crédito. Muitas vezes é atribuída a anuidade ou outras cobranças que a pessoa não tem conhecimento, mas paga sem verificar se está correto. Em caso de dúvidas, entrem em contato com o Procon ou com um advogado para que saibam resolver as pendências sem endividamento, finalizou a advogada.
Por Gabriel Faxola

