Mesmo sem novos prejuízos, lojistas de Petrópolis temem que fortes chuvas afastem clientes

“Eu acho que ontem foi um aviso do que está por vir no verão”, disse a empresária Roselaine Correa. Este é o sentimento dos lojistas no Centro Histórico de Petrópolis, após o temporal que caiu em Petrópolis, Nesta terça-feira (14), muitos petropolitanos estão apreensivos com as chuvas de verão que estão por vir. Com a chuva de ontem, foram registrados alagamentos em diferentes pontos da cidade, o que deixou a população apreensiva.

Com a chuva que alagou diferentes trechos do Centro e outras regiões do município, as lembranças das chuvas de fevereiro e março voltaram intensas. No início da tarde, quando o temporal começou, a Defesa Civil emitiu um alerta recomendando o fechamento dos estabelecimentos do centro.

“Foi horrível. Um sentimento de perda, de insegurança, de medo… Até quando isso vai continuar? A gente vive em uma cidade maravilhosa, conhecida mundialmente, uma cidade histórica. Nós, comerciantes, vivemos do nosso negócio. Eu gero empregos e pago impostos e nós vemos muito pouco do governo. O sentimento é o pior possível”, disse a empresária Rosane Ferreira.

Nesta chuva, a água não chegou a invadir os estabelecimentos. Mas, os lojistas afirmam que o sentimento é inexplicável e que, sempre que chove, são assombrados pelas memórias da tragédia e de todo o prejuízo que tiveram este ano. “Esse sentimento não é de ontem, ele é constante. A cada chuva que dá, todas as pessoas ficam estressadas, não se sabe por onde começar e o que se tira da loja para salvar. A correria é total. A gente não sabe como vão ser os próximos meses”, disse o empresário Nilton Macêdo.

De acordo com a Prefeitura de Petrópolis, a Companhia de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) mobilizou mais de 120 pessoas ainda na terça-feira para a limpeza da cidade. Foi informado ainda, que máquinas foram utilizadas na raspagem, lavagem das vias e na desobstrução dos bueiros. Apesar disso, comerciantes e lojistas consideram que poucas ações de prevenção foram feitas pelo Governo Municipal até o momento. Por isso eles temem que antes mesmo de conseguirem se reerguer, outra chuva volte a causar estragos.

“Foi um filme na nossa cabeça do dia 15 de fevereiro e 20 de março. Foi muito tenso, muito nervosismo ao ver a água subindo. A gente já sabia que tinham bairros alagados e o Centro a gente sabe que a água vem com uma pressão muito grande. A gente precisa de um suporte do governo para ficar mais tranquilo”, disse Roselaine.

De acordo com a Defesa Civil, as estações do Cemaden registraram os maiores acumulados de chuva, em uma hora, no Independência com 70,8 mm. No São Sebastião o acumulado foi de 48,2 mm, Vila Felipe e 24 de maio foi de 47,2 milímetros. Segundo a secretaria, por conta da chuva, foram registradas 17 ocorrências.

Chuva no Palácio de Cristal

Mesmo após a reforma estrutural no Palácio de Cristal, um dos principais pontos turísticos de Petrópolis, o atrativo não conseguiu conter a chuva forte registrada nesta terça-feira na cidade. O local, que nesta época do ano durante o Natal Imperial, abriga a casa do Papai Noel e também expõe o trabalho de artesãos locais, ficou inundado, após o teto não aguentar a força da chuva.

Em imagens divulgadas na internet, é possível observar que o local ficou completamente molhado por dentro, devido as enormes goteiras. Além de colocar em risco um dos prédios históricos mais importantes da cidade, a obra mal feita, que ficou em torno de R$ 2 milhões, também prejudica os artesãos que expõem produtos lá. Segundo a prefeitura, apesar das goteiras, o atrativo não sofreu prejuízos estruturais. A equipe de reportagem tentou entrar no ponto turístico nesta quarta-feira, para ver de perto como o local ficou, mas foi impedida por funcionários do palácio, mesmo o espaço sendo público.

“Levamos um susto porque a gente não esperava entrar tanta água, mas isso também é uma coisa fácil de resolver. A calha está entupida, tem as folhas, as árvores… Foi isso que aconteceu. Tem um entupimento lá em cima, então sobrecarregou. Tinha terra, várias coisas. Mas agora já tá tudo bom”, explicou uma artesã.

Por Raphaela Cordeiro

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