Tragédia de Petrópolis completa 10 meses

São 303 dias, 259 mm de chuva, 242 mortos e dois desaparecidos. A maior tragédia socioambiental da cidade completa 10 meses e com muitas incertezas para os petropolitanos. Já que o cenário na última terça-feira (13), apontou a fragilidade em que Petrópolis ainda se encontra. No Centro Histórico, a Rua do Imperador registrou pontos de alagamentos, a Rua Coronel Veiga, mais uma vez, foi interditada e as sirenes da localidade do Independência acionadas.

O verão chega oficialmente no dia 21 de dezembro, e com ele, a preocupação com as chuvas, visto que bueiros como esse na rua Nilo Peçanha permanece entupido, assim como na rua Paulo Barbosa. Mas esse não é único problema que aflige a população. Para o comércio do centro histórico, os prejuízos materiais ainda estão sendo pagos. Viviane Araújo é empreendedora e perdeu o quiosque, localizado em uma galeria na rua 16 de março, duas vezes. O prejuízo chegou a R$ 50 mil e a comerciante ainda paga parte do material perdido. “O prejuízo foi bem alto, porque fomos atingidos em fevereiro e março, fora o tempo que ficamos sem vender. Ainda pago parte dos prejuízos, mas graças a Deus aos poucos as vendas estão aumentando, mas a chuva nos deixou muito preocupado, temos que torcer para que ela sesse um pouco”, explica.

Em entrevista a equipe do correio petropolitano debate no dia seis de dezembro, o secretário de defesa civil Gil Kempers, informou que alguns pontos da localidade do Morro da Oficina não vão poder ser repovoados. O local permanece com o mesmo cenário após o dia 15 de fevereiro. “Sim, existem diversos pontos, não só ali e que estão disponíveis no Plano Municipal de Redução de Risco de 2017. Nesses casos é necessário fazer um trabalho técnico de remoção dessas pessoas. Sabemos que é um trabalho difícil, pois muitos moram ali 60, 70 anos, mas necessário”, comenta.

Já na Coronel Veiga, que registrou diversos pontos de alagamentos durante a chuva da última terça-feira (13), as cancelas começaram a ser instaladas, assim como as sirenes. Apesar disso, a preocupação continua. Adilson dos Santos é proprietário de uma loja de instrumentos na cidade, há 55 anos e comenta que a chuva ainda traz muita tristeza. Foram mais de R$1,5 milhão em prejuízo. “A chuva nos trouxe muita tristeza porque vimos que estamos reféns. Ninguém controla a força da natureza e aqui perdi tudo, a marca do nível em que a água chegou está na parede até hoje. As dívidas continuam e se vier outra chuva parecida com a do início do ano, o jeito vai ser fechar as portas”, comenta.

Por conta da falta de ações do governo, a 4ª Vara Cível de Petrópolis determinou o bloqueio de R$ 2 bilhões dos recursos do estado, para recuperação da cidade. O relatório solicitado pelo Ministério Público, para regularização fundiária não foi entregue. Após a chuva da última terça (13), uma sessão na câmara dos vereadores debateu as ações na cidade. De acordo com a vereado Gilda Beatriz, pouco foi feito até o momento. “Foram duas horas de chuva, o rio não transbordou e na rua do Imperador as vias estavam alagadas porque os bueiros estão todos entupidos”, comentou.

No entanto alguns pontos como na rua Francisco Escali, no Quissamã, as obras chegaram na fase final. Mas em outras localidades, como no Chácara flora, ainda não há previsão para que intervenções sejam realizadas. Assim como no São Sebastião, em que uma cratera abriu com a chuva da última terça-feira (13), cerca de 48 mm atingiram a região. O gasto da prefeitura com o aluguel social, é de R$ 4 milhões mensais e o prédio da Floriano Peixoto permanece fechado. Enquanto isso, para o petropolitano, fica a esperança de que outra tragédia não aconteça.

Por Richard Stoltzenburg

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