Comércio ambulante sem licença vira problema de segurança pública
O comércio ambulante em Petrópolis foi pauta de uma audiência pública na Câmara Municipal na última segunda-feira, dia 19. A discussão em plenário foi motivada por denúncias de casos de ameaça e assédio de pessoas que se passam por vendedores ambulantes no Centro Histórico. A sessão contou com a presença do vereador Eduardo do Blog (REP), o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis (Sicomércio) Marcelo Fiorini, pais de alunos da cidade, representantes do Conselho Tutelar, dentre outros.
No dia 16 de dezembro, através de ofício mandado para a secretaria de Segurança e Ordem Pública, o Sicomércio solicitou reforços na fiscalização dos ambulantes que atuam sem licenças nas ruas do Centro Histórico. No documento, o Sindicato ressalta que nos últimos meses ficou evidente o aumento no número de ambulantes próximos aos centros comerciais. Além disso, o documento também se compromete a lançar campanhas educativas para os funcionários e toda a população comprem produtos dos vendedores credenciados.
Durante a sessão, o vereador Eduardo do Blog, que é presidente da Comissão de Defesa da Criança e do Adolescente, das Pessoas com Deficiência e do Idoso, abriu falando sobre como tem sido perigoso andar pelas ruas do Centro Histórico. “Trata-se de criminosos disfarçados de vendedores que se valem de diversos artifícios para constranger a população, muitas vezes, mediante a violências e ameaças”. Além disso, Eduardo afirma que, após apuração, foi constatado que há ambulantes que não são da cidade e que vem para Petrópolis de forma organizada, além de citar como essa questão também é um grande problema para o comércio local. “Tratamos da segurança de nossos filhos e dos comerciantes regularizados que foram vítimas de duas tragédias nesse mesmo ano e que, agora, vê seu investimento ameaçado por vendas irregulares, produtos piratas e seus clientes incomodados e, muitas vezes, ameaçados e constrangidas por elementos que, conforme apuração, são de outros municípios que estão na cidade de forma organizada”.
Uma das mães presentes na audiência relatou que o filho, de 13 anos, foi abordado por um vendedor de balas e ameaçado. “Ele não quis comprar a bala e o vendedor disse que, se ele não lhe desse alguma coisa, levaria uma facada”, relembrou. O rapaz, então, fez uma transferência bancária após a ameaça. Outra mãe citou mais um caso, em que uma adolescente foi assediada sexualmente por três homens ao recusar a oferta de doces. “Escolhi morar em Petrópolis pela segurança e tranquilidade. Mas agora isso se tornou comum e está ficando insuportável, pois impede a liberdade de ir e vir dos nossos filhos”, completa.
Marcelo Fiorini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis (Sicomércio) que estava na sessão, não mediu palavras para dizer que acredita que o problema é muito maior do que foi relatado pelos pais presentes na audiência. “A gente vê hoje uma indústria muito perigosa se estabelecendo em nosso município, onde adolescentes são trazidos para cá. Não sei como eles chegam aqui, quem os traz para cá, abduzidos eles não são, alguém os trazem para Petrópolis e eles estão se instalando em nossa cidade. É muito triste porque nós vemos a situação do Rio de Janeiro, onde não conseguimos mais andar nos principais pontos turísticos”. O Sicomércio, junto com lojistas de pólos importantes do comércio da cidade, como a Rua Teresa e a 16 de Março: “acreditam que, com as medidas assertivas, a cidade valoriza aqueles que, de fato, produzem e geram renda para as suas famílias e também para a comunidade”.
Representando o 26º Batalhão da Polícia Militar do Estado do RJ, o Major Joel Rezende Santos também reforçou que as denúncias precisam ser feitas na delegacia, para que consigam mapear onde está o crime e distribuir melhor o policiamento. “Esses casos ficaram restritos aos grupos de pais e às escolas, infelizmente não chegou até nós. Houve registro apenas do caso de assédio. Busquem o 190, denunciem, não deixem informações tão graves somente no seu ciclo de amizade. Assim, a polícia vai conseguir fazer o trabalho com base em estatísticas”, comenta.
Em agosto, houve apreensão de mercadorias, que foram encaminhadas para a Secretaria de Fazenda. Segundo a Coordenadoria de Fiscalização da Prefeitura, com apoio da Polícia Civil e Militar, não houve qualquer violência. Na época, Paulo Roberto Patuléa, secretário da Fazenda, disse que sabia das dificuldades econômicas do país nos últimos anos, principalmente após a pandemia, e completou: “(…)Por isso, o município passou os últimos meses orientando essas pessoas, sem punições, para que elas não fossem prejudicadas. Hoje, depois de tantas orientações, fizemos as apreensões, até por respeito a quem está regular com o município”.
Ao fim da audiência, ficou agendada uma reunião prevista para acontecer na terça-feira, na Prefeitura, para discutir ações para aumento da fiscalização e vendas do comércio local.
Por Darques Junior

