Coletiva feminista do PSOL assumirá vaga na Câmara dos Vereadores de Petrópolis sem duas co-candidatas
No início desta semana foi anunciado que duas das quatro co-candidatas da Coletiva Feminista Popular do PSOL, que assumirá uma cadeira na Câmara de Vereadores de Petrópolis em fevereiro, não integram mais o grupo. Apesar de dezenas de mulheres fazerem parte da coletiva, apenas quatro delas foram escolhidas como representantes oficiais. São elas: Júlia Casamasso, Thaís Paiva, Maiara Barbosa e Cristina Moura. O grupo suplente assumirá uma vaga na câmara, no lugar do ex-vereador Yuri Moura, que assumiu uma cadeira como Deputado Estadual, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Mas na última terça-feira (10) teve início uma série de questionamentos quanto ao futuro da coletiva, devido a uma publicação nas redes sociais feita por duas das integrantes. No texto Maiara e Thais afirmam que foram excluídas do coletivo no fim do ano passado. “Quando eu recebi essa notícia eu realmente não esperava. Minha primeira reação foi de choque e tristeza, raiva também, acho que é um sentimento válido. Mas agora, que a gente expôs isso pra população, que era necessário, eu acho que vai vir a tranquilidade. Eu espero que venha a tranquilidade”, disse Thaís Paiva.
Na publicação, Maiara e Thaís anunciaram ainda o fim da Coletiva Feminista, após a saída das duas. A nota diz que houve divergências relacionadas à concepção feminista entre as integrantes. Para elas, desde o processo eleitoral, a militância teria diminuído, o que gerou alguns desconfortos. “Nessa reunião foram apresentadas para nós algumas divergências sobre a concepção de feminismo, e por conta delas não seria possível que continuássemos no mandato. Isso foi uma surpresa porque para nós, o mandato pode ser feito com divergências, sempre chegando em um consenso”, disse Maiara Barbosa.
Já de acordo com Júlia Casamasso e Cristina Moura, a situação não aconteceu desta maneira e o grupo não foi desfeito. De acordo com elas, o trabalho da Coletiva Feminista continuará, e o grupo assumirá a vaga na Câmara Municipal. De acordo com a coletiva a saída das duas co-vereadoras foi de comum acordo com todas as participantes do grupo e não acarretou no fim da coletiva.
“No final de novembro a gente fez uma reunião que foi acordado, em comum acordo e consenso, não só com a Maiara e com a Thaís, mas com outras participantes da coletiva, que elas não estariam no mandato. Foi um acordo. Inclusive elas me abraçaram no final da reunião e desejaram um bom mandato. Então a minha reação, como a reação de todas nós, foi de surpresa. Não são só elas que não estarão no mandato. Outras pessoas que participaram ativamente da campanha, também não vão compor o mandato”, disse Júlia Casamasso.
Júlia é a integrante da coletiva que tem o nome de registro e, por isso, assume a cadeira. A coletiva afirma que ainda irá defender as pautas apresentadas à população petropolitana durante a campanha de 2020 e que o afastamento das duas integrantes não interfere no trabalho que será realizado.
Júlia e Cristina afirmaram que a publicação nas redes sociais, feita com acusações, foi recebida com muita surpresa por todas as mulheres da coletiva. Para elas, a participação feminina é muito importante na Câmara Municipal, que até então tinha apenas Gilda Beatriz, como única vereadora. “É importante a gente dizer para o nosso eleitor que todas as propostas estão mantidas. A coletiva está viva e está aí para fazer uma política em que a mulher seja o centro dela”, disse Cristina Moura.
Apesar da repercussão do conflito, o PSOL ainda não se pronunciou sobre as mudanças anunciadas pelas integrantes na Coletiva Feminista.
Por Raphaela Cordeiro/Fotos: arquivo TVC

