Estacionamento irregular é um dos principais motivos de atraso dos coletivos em Petrópolis, afirma Setranspetro
Diariamente o transporte público de Petrópolis recebe reclamações dos usuários, seja pela demora ou na quebra constante de veículos. Com o objetivo de compreender o atual cenário dos coletivos e da qualidade do serviço prestado, o Correio Petropolitano Debate entrevistou na última segunda-feira (16), a representante do Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviários de Petrópolis (Setranspetro), Carla Rivetti.
Um dos problemas mais comuns é a quebra dos coletivos, principalmente das empresas Petro Ita e Cascatinha, quando comparado as empresas Turp, Cidade Real e Cidade das Hortênsias. Em Dezembro de 2022 moradores da Comunidade do Alemão precisaram empurrar o ônibus para que ele não caísse em uma vala. De acordo com Carla, as empresas passaram por uma crise profunda devido a pandemia e que realizam investimentos na manutenção. “Todos os transportes, não só de Petrópolis sofreram um perda grande por conta da pandemia, pois as pessoas tiveram que ficar em casa, então houve uma queda no número de pessoas que utilizavam o transporte e ainda hoje temos 20% a menos de pessoas circulando no transporte público, ou seja, existia um custo para rodar e a queda foi de 75%, mas o custo se manteve e mesmo assim as empresas investem em manutenção dos coletivos”, explica. Durante a tragédia, de acordo com o Setranspetro, as garagens da Petro Ita e Cascatinha, 40 ônibus foram danificados e dois completamente perdidos, que foram carregados pelo rio Quitandinha no dia 15 de fevereiro.
Apesar da situação, mesmo após o período mais crítico da pandemia da covid-19, a frota de 100% ainda não retornou ao município. Outro problema que também afeta a vida do petropolitano são os atrasos dos ônibus. De acordo com o lojista, Fabrício Oliveira, o tempo médio no ponto de ônibus para chegar ao trabalho é de 45 minutos. “Raramente os ônibus passam no horário certo e aos fins de semana, a situação piora, pelo menos 1 hora esperando e quando o veículo quebra, as vezes esse tempo dobra”, desabafa. Trajetos que seriam feitos em 15 minutos, podem chegar a 40 minutos em determinados horários.
Questionada, Carla ressalta que há dois fatores que prejudicam os coletivos a cumprirem os horários. “Em Petrópolis atualmente, nosso grande desafio são os estacionamentos irregulares, que geram mais atrasos do que a quebra de um ônibus por exemplo, porque é preciso esperar que o dono do carro venha retirar o veículo e esse período de 10 minutos, atrapalha cerca de 40 pessoas no mínimo que utilizam aquela linha. Outro desafio da cidade é a mobilidade. Os ônibus, vale a pena ressaltar não podem utilizar vias alternativas, então ele vai ficar parado no engarrafamento e em qualquer horário o motorista vai encontrar algum congestionamento” comenta. De acordo com o Detran, Petrópolis tem cerca de 190 mil veículos.
A equipe do Correio Petropolitano ainda questionou o Setranspetro em relação a compra de novos coletivos. Em 2022, ainda na gestão de Jamil Sabrá, a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) substitui as linhas da região do Vale do Carangola, operadas pela Cascatinha, para a empresa Cidade das Hortências. Desde a troca, o volume de reclamações dos passageiros da localidade diminuiu. Carla Rivetti relatou que 40 ônibus seminovos vão reforçar as empresas Petro Ita e Cascatinha. “Alguns já estão operando e até maio mais 15 veículos vão chegar. A expectativa é que os passageiros notem essa diferença durante o serviço”, comenta.
Em Petrópolis, a dupla função dos motoristas também é uma das reclamações dos usuários, seja pela segurança ou pela demora no trajeto, visto que o motorista precisa dar o troco. Em Petrópolis a lei Ordinária 7.841/2019 proíbe que as empresas incubam os motoristas de realizar também a função cobrador, todavia no cotidiano já se tornou comum coletivos sem um funcionário. Questionada, a representante ressalta que, de acordo com o Ministério do Trabalho, o motorista pode exercer ambas as funções. “De acordo com o Código Brasileiro de Ocupações e o Ministério do Público do Trabalho ele pode por lei, dirigir e cobrar, desde que de maneira segura. Essa lei foi criada pela Câmara Municipal que não tem as atribuições para tal, já que é uma lei trabalhista e ela foi considera inconstitucional. Por isso recomendamos que os usuários utilizem o cartão para agilizar o serviço e evitar a demora durante a viagem”, comenta Carla Rivertti.
O custo da passagem na cidade é de R$4,95 no dinheiro e R$4,80 para usuários que utilizam o RioCard. Passageiros relatam que muitos cobradores não devolvem o troco de R$0,05 e o Setranspetro explica. “O custo da passagem leva em consideração diversos fatores como o valor do diesel, da folha salarial, número de passageiros, dentre outros, a CPTrans faz o estudo e a passagem é aplicada conforme esse levantamento. Se o usuário não recebe o troco, ele deve solicitar ao cobrador a diferença, porque as empresas dão condições para que o funcionário possa dar o troco. A gente orienta que, caso a diferença não seja dada, que a pessoa entre em contato com o Setranspetro, com o número de série do coletivo, a linha do ônibus e qual horário, só assim podemos identificar o funcionário e penaliza-lo se necessário”, explica.
Apesar das explicações, passageiros ainda passam “aperto” ao depender dos coletivos, principalmente em determinadas regiões da cidade. O Correio Petropolitano Debate entrou em contato com a CPTrans questionando as ações adotadas pelo órgão, afim de melhorar o serviço, mas não obteve resposta. O Sindicato dos Rodoviários também foi questionado, mas não respondeu a equipe do programa. A população petropolitana aguarda ansiosamente para a melhoria dos serviços.
Richard Stoltzenburg

