Coletiva Feminista Popular assume esta semana cadeira na Câmara de Petrópolis
A vaga foi liberada com a eleição do vereador Yuri Moura para deputado estadual
“Comida, creche, roupa limpa e um lugar para trabalhar” foi uma das frases marcantes do jingle da campanha de 2020 da Coletiva Feminista Popular, e revela a tarefa que orienta o primeiro mandato feminista da história de Petrópolis, que vai ocupar uma das cadeiras da Câmara Municipal a partir desta semana. O grupo, que traz na bagagem uma trajetória de lutas na cidade desde 2014 e tem na figura da professora Julia Casamasso seu nome de registro, vai trabalhar para defender políticas públicas capazes de reduzir a sobrecarga do trabalho do cuidado, que causa o empobrecimento das mulheres trabalhadoras e mães.
O processo de construção da Coletiva começou entre os anos de 2013 e 2014, fruto da organização de mulheres, militantes do PSOL e de diversas lutas de Petrópolis. O grupo, que em 2020 veio a se chamar Coletiva Feminista Popular, lançou a sua primeira candidatura a vereadora em Petrópolis ainda em 2016: a professora Maria Gabriella, em uma campanha feminista, antirracista, feita com poucos recursos e militantes, que mesmo assim conseguiu uma votação expressiva e construiu laços com diversos setores de luta da cidade. Nos anos seguintes, esse grupo cresceu, com pessoas vindas das mais diferentes lutas: das mulheres e da construção do 8M em Petrópolis, do direito à moradia, do movimento de direitos humanos, do movimento negro, da defesa das famílias vítimas dos despejos da BR-040 e impactadas pela CONCER, das lutas anticárcere e antiproibicionista, da comunicação popular, do movimento estudantil.
Mesmo sendo a 5ª candidatura mais votada nas eleições legislativas municipais de 2020, com 2.561 votos, a Coletiva Feminista Popular acabou ficando, inicialmente, apenas com a 1ª suplência. Com a eleição, no ano passado, do vereador Yuri Moura para deputado estadual, a Coletiva assume a cadeira vaga pelos próximos dois anos.
A conjuntura é difícil, marcada pela necessidade de unidade da esquerda e do campo democrático para o combate ao fascismo e a reconstrução do Brasil após quatro anos de devastação. É pouco tempo, mas muita vontade para buscar colocar em prática um programa construído coletivamente e prometido à população, pautado na defesa dos direitos das mulheres e das classes trabalhadoras e oprimidas da cidade de Petrópolis.

