Aquecimento local é uma das principais causas para chuvas regionalizadas

Com a chegada do verão e do período chuvoso, a preocupação volta a fazer parte do dia a dia dos petropolitanos. No dia 15 de fevereiro de 2022, Petrópolis registrou 258 milímetros de chuva em três horas, um fenômeno raro, mas que é consequência de uma série de ações, entre elas o aquecimento local.

O crescimento das áreas urbanas e a pavimentação das vias, também contribuem para o aquecimento local, assim como as áreas cimentadas da cidade. A vegetação, além de diminuir as temperaturas, é fundamental no período de chuvas para minimizar os impactos no solo. Em âmbito nacional, de acordo com o Monitor do Fogo, o Brasil perdeu ano passado, 16 milhões de hectares, sendo a Amazônia a região mais afetada.

De acordo com o pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Jorge Luiz Oliveira, a falta de fiscalização e negligência, são as principais falhas no que se refere aos efeitos climáticos, e na preservação do meio ambiente. “Os centros urbanos hoje se tornaram um grande captador de calor, pois há uma grande área de pavimentação, urbanização e pouca vegetação e esse calor é devolvido para a atmosfera, ocasionado as chuvas mais regionalizadas. Além disso, nota-se que em Petrópolis os locais arborizados, são fundamentais porque minimiza o impacto da chuva no solo”, comenta.

Em Petrópolis outro desafio é a capitação das águas. “Os rios foram estreitados ao longo dos anos. Nós analisamos e os rios diminuíram cerca de 15 metros de largura, ou seja, o volume de água, principalmente nesse período de calor, aumenta consideravelmente, todavia os rios não suportam essa quantidade”, explica Jorge Luiz Oliveira.

Além das fiscalizações e de análises, campanhas de educação também foram apontadas pelo pesquisador como importantes medidas para minimizar os impactos no meio ambiente. “As campanhas são fundamentais e deveriam ser adotadas na escola, desde o ensino infantil. Mas não é realizada, assim como as fiscalizações. Existe uma grande omissão do poder público e as consequências vimos em 2022 na cidade. São bens materiais, casas e vidas perdidas”, esclarece.

Por Richard Stoltzenburg/WENDEL FERNADES

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