Comitê Piabanha vai realizar seminário sobre as mudanças climáticas neste mês
Com o objetivo de ampliar a discussão sobre os efeitos climáticos e dos impactos no Meio Ambiente, o Correio Petropolitano Debate entrevistou na última segunda-feira (27/02), Karina Wilberg e Rafaela Fachetti, do Comitê Piabanha. Com sede em Petrópolis, o órgão tem o objetivo de gerir de maneira descentralizada os recursos Hídricos da Região Hidrgáfica IV, do Estado, que englobam os municípios de Petrópolis, Teresópolis, Areal, Três Rios, São José do Vale do Rio Preto, Paty do Alferes, Paraíba do Sul, Sumidouro, Sapucaia e Carmo.
Atualmente o Comitê contém 36 representantes, divididos em três categorias: Usuários da Água, Sociedade Civil e do Poder Público, em todas as esferas. Após as tragédias registradas em Petrópolis e da necessidade de criar soluções, o órgão vai realizar entre os dias 08, 09 e 10 de março, o 4º Seminário de Saneamento e o VII Encontro de Pesquisadores. O evento será online pelo canal do Comitê, na plataforma Youtube. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia do evento pelo site https://www.even3.com.br/vi-seminario-de-saneamento-e-vii-encontro-de-pesquisadores-307153 .
Para a vice-presidente do Comitê, Rafaela Fachetti, o principal objetivo, é manter a qualidade da água para as gerações futuras. “Buscamos sempre ideias para melhorar o consumo e a qualidade da água. Já fizemos edições abordando sobre resíduos sólidos, drenagem nas cidades, dentre outros. Serão três temas na edição deste ano: Relação entre os quatro pilares do Saneamento Básico e das Bacias Hidrográficas, Papel do Reflorestamento em Cidades Resilientes e por fim, Macrodrenagem da Região Hidrográfica do Piabanha”, comenta. Durante o evento, haverá palestrantes e pesquisadores e rodas de conversa, em prol de soluções para os problemas ambientais. O evento ainda aceita inscrições de trabalhos acadêmicos para serem apresentados.
Durante 2022, Petrópolis viveu uma das maiores tragédias socioambientais da história da cidade. Um dos projetos do Instituo Estadual do Ambiente (INEA), é tornar o lago uma Bacia Hidrográfica, afim de reduzir a velocidade que a água chegue ao rio Quitandinha. De acordo com Raphaela, a iniciativa está sendo acompanhada pelo Comitê. “Faço parte da assessoria do Ministério Público e quanto a utilização do lago como uma bacia de retenção para minimizar os impactos, eu considero importante. Nós estamos buscando soluções que retenham água a montante, ou seja, para que as águas não cheguem a Coronel Veiga, porque todas as águas devam ser cuidadas de montante para jusante. O lago do Cremerié também é uma das propostas, do parque São Vicente também pode ser uma alternativa. Até porque a Bacia do Quitandinha é difícil de se trabalhar, pois está completamente ocupada. Então, visamos pequenas ações e que integradas, terão grande impacto”, explica.
Após as tragédias, o Ministério Público, por meio da Promotora de Justiça, Zilda Januzzi, deu início a uma série de reuniões para acompanhar os projetos e andamento das obras na cidade. “Nessas reuniões há técnicos, equipes da prefeitura, do Estado, moradores atingidos, o Comitê também participa e essa ação tem sido fundamental para a cidade que tem um risco geológico alto, sofre com problemas de inundação e habitações irregulares”, comenta Rafaela.
De acordo com Karina Wilberg, o Comitê Piabanha aponta para outras preocupações além dos recursos hídricos. “Em Petrópolis há muitas casas às margens dos rios e a nossa preocupação é que as pessoas tenham consciência do local em que vivem e os impactos que são ocasionados ao desmatar, ao construir residências em áreas de Proteção Permanente (APP). Por exemplo, não desmatar é importante para a preservação da fauna e da flora, sim, mas também para filtrar a velocidade da água em uma chuva muito forte. Os locais preservados são pontos de recarregamento de água, ou seja, que ela se acumule e auxilia para ela volta para o aquífero” explica.
Em agosto de 2021, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei que transfere para a legislação municipal as regras de proteção das APPs. A medida é criticada pelo Comitê. “Um grande empresário tem muito mais força sobre um prefeito que a União. Foi uma medida infeliz”, comenta Karina. Antes da aprovação do projeto, o Código Florestal definia que as áreas de proteção permanente variavam ente 30 e 500 metros, de acordo com a largura do rio.
Os seminários são realizados pelo Comitê Piabanha desde 2012, quando abordou a preparação dos Planos Municipais de Saneamento Básico dos municípios. Por conta da pandemia, o evento adotou o online para a realização dos debates.
Por Richard Stoltzenburg

