Vereador e policial são investigados por associação criminosa e extorsão contra o prefeito Rubens Bomtempo e vereador Léo França
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) tornou réus o vereador Luiz Eduardo Francisco da Silva, mais conhecido como Dudu, o chefe do setor de inteligência da 105ª Delegacia de Polícia, Bruno César Salerno, e Guilherme Gonçalvez Vicente Moreira, por suposta extorsão mediante associação criminosa. Segundo uma denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os três teriam exigido R$ 2 milhões do prefeito Rubens Bomtempo, e do vereador e ex-presidente da Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petrópolis (Comdep) Léo França, para que não fossem investigados em um suposto desdobramento da Operação Clean, que apura possíveis contratos superfaturados na Prefeitura.
A denúncia foi feita pelo vereador Leo França, em agosto do ano passado, e encaminhada ao juiz da 1ª Vara Criminal e Juizado Especial Criminal e da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Petrópolis, Afonso Henrique Castrioto Botelho, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).
Leo França disse em nota que: “Tenho profundo respeito pela Justiça e, até então, não havia me pronunciado pois a denúncia que desencadeou a investigação, protocolada em agosto de 2022, corria em segredo judicial. Mas, agora, não posso me calar diante de um grupo que tenta a todo custo fazer politicagem, desestabilizar e descredibilizar o trabalho e a minha luta pelo povo de Petrópolis. Sofri graves ameaças pelas partes citadas no processo, inclusive, o Ministério Público comprovou, através de imagens e do próprio exercício, o uso de armas de fogo durante as intimidações. Diante de tudo que foi exposto, tenho certeza de que a verdade vai prevalecer e que a Justiça será feita. Confio que no decorrer deste processo judicial todos os envolvidos serão punidos em conformidade com a Lei. Não devo favor a nenhum vereador, tampouco deixarei ameaças deste tipo abalar meu mandato e mudar minha conduta. Seguirei trabalhando e colocando os interesses da população acima de qualquer questão”, afirma.
Em nota, o Vereador Dudu disse: “estou sendo vítima de fatos caluniosos e difamatórios envolvendo meu nome. Há quase 6 meses, tomei conhecimento das mentiras que o vereador Leonardo França estava propagando pelos corredores da Câmara de Petrópolis e, prontamente, me coloquei à disposição do Ministério Público para ser ouvido. Embora nunca fui notificado e estando pronto para esclarecer qualquer episódio mentiroso envolvendo meu nome. O que me causa estranheza é sair uma matéria como essa logo após o Prefeito Rubens Bomtempo ser alvo de operação do Ministério Público por fatos gravíssimos, que, inclusive esses fatos, me fizeram protocolar pedido de esclarecimentos perante a câmara dos vereadores. Jamais deixarei que pessoas sem escrúpulos manchem a minha reputação perante a população petropolitana e, principalmente, o trabalho sério e combativo que venho fazendo de fiscalização do governo. Como sempre, me coloco a disposição para qualquer esclarecimento e estou tomando as medidas judiciais cabíveis quanto ao fato.”, conclui.
A Câmara Municipal informou também que não foi notificada sobre a investigação, e até o momento não teve acesso ao procedimento.
Em nota os advogados do prefeito Rubens Bomtempo ressaltam que a denúncia oferecida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público) foi aceita pela 2ª Vara Criminal de Petrópolis, conforme o processo 0810509-54.2022.8.19.0042. Os envolvidos são réus no processo, que está em andamento.
Bomtempo estranha o fato de o inquérito que investiga o prefeito com relação à intervenção em oito linhas de ônibus da Viação Cascatinha ter sido aberto pelo então delegado titular da 105ª DP, duas semanas após a tentativa de extorsão denunciada pelo prefeito e pelo vereador Leonardo França – com um agente da delegacia envolvido.
O crime de extorsão se iniciou horas após a deflagração da Operação Clean, que investiga supostas irregularidades em um contrato feito pela Companhia Petropoltiana de Trânsito e Transportes (CPTrans) e uma empresa terceirizada.
Logo após as buscas terem sido autorizadas, os três réus tiveram acesso aos celulares apreendidos e passaram a abordar as vítimas com a ameaça de instauração de inquéritos, ainda que não houvesse motivo real para tanto. O MP acusa os três autores do crime de exigirem R$ 2 milhões do prefeito Rubens Bomtempo e do vereador Leonardo França.
Bomtempo e França denunciaram o crime ao Ministério Público Criminal. O MP remeteu o caso ao Gaeco, que confirmou o cometimento do crime e ofereceu denúncia, que foi aceita pelo juiz Afonso Botelho, da 2ª Vara Criminal da comarca de Petrópolis.

