Prédio Gabriel Vila Real, na Floriano Peixoto, permanece fechado 1 ano após aquisição pela prefeitura

O abrigo Gabriel Vila Real, na Rua Floriano Peixoto, permanece fechado 1 ano após  ser adquirido pela Prefeitura de Petrópolis. O imóvel foi comprado pelo valor de R$ 3,5 milhões, com recursos enviados pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Desde o ano passado, a Prefeitura vem prometendo a reforma do imóvel. Um mês após a compra, em 2022, chegou a informar a equipe de reportagem que o prédio estava apenas passando por adequações, como, por exemplo, a instalação de telas de proteção nas janelas. E até agora continua sem reforma e sem utilização. 

Em novembro do ano passado, seis meses após a compra, uma licitação para a reforma do prédio foi aberta pela prefeitura. O pregão foi deserto. A segunda licitação só foi acontecer, agora, no dia 28 de fevereiro, na modalidade de tomada de preços. O resultado desta licitação foi divulgado pela prefeitura apenas no dia 5 de abril. A empresa responsável pela reforma do imóvel é a Passos Soluções em Engenharia Ltda. Mas, até o momento, nenhuma intervenção foi iniciada. O valor total estimado para realização da obra era de R$ 630.648,91, mas, de acordo com o portal da transparência da prefeitura, a empresa Passos Soluções venceu a proposta pelo valor de R$ 579.952,30. 

No ano passado, a prefeitura deu ao prédio o nome de Gabriel Vila Real, em homenagem ao adolescente, de 17 anos, uma das vítimas das chuvas de 15 de fevereiro. Ele estava em um dos ônibus que foram arrastados pelas chuvas, na Rua Washington Luiz. Leandro da Rocha, pai de Gabriel, lamenta a demora para a liberação do imóvel. “O prédio foi comprado e adquirido para apoiar famílias que estivessem em local de risco. A gente sabe que está levando muito tempo. Já tem quase um ano e três meses da tragédia e a informação que eu tenho é que o prédio está batendo de frente com licitações. Está dificultando essas pessoas que tanto precisam. O prédio foi adquirido com esse objetivo”, disse Leandro.

O Governo Municipal afirma que a reforma do prédio, que possui 36 unidades, incluirá reforma e adequação do edifício; telhado; rede elétrica; pintura externa e interna; melhorias nos apartamentos e rampas de acesso. Anteriormente, a prefeitura havia informado que o imóvel funcionaria como um abrigo provisório, de uso misto, para famílias em situação de vulnerabilidade. Além disso, no térreo do imóvel também vai funcionar um banco de alimentos, espaço da prefeitura para recolher doações, manipular esses alimentos e distribuí-los para as famílias em situação de insegurança alimentar. A licitação para as obras de implantação do banco de alimentos já foi realizada, a placa com as informações para esta obra já está no local, mas estas intervenções também não foram iniciadas.

“Esse prédio foi uma homenagem ao Gabriel pela ação heróica dele, por ajudar outras pessoas a sobreviverem. Infelizmente ele não teve essa sorte. É muito gratificante nesse ponto. Porém, a gente precisa que essas obras comecem e terminem para que ele seja destinado, de fato, ao seu objetivo”, disse Leandro da Rocha.

A nossa equipe procurou a prefeitura para saber quando as obras no ‘abrigão’ da Floriano Peixoto serão iniciadas, mas até o fechamento desta edição não obtivemos retorno.

Texto e foto por Raphaela Cordeiro

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