Inea inicia levantamento de fauna selvagem em RPPNs localizadas em Nova Friburgo
Em apenas 15 dias de trabalho, armadilhas fotográficas registraram imagens de diversos animais, dos quais dois encontram-se ameaçados de extinção
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) deu início, no primeiro trimestre deste ano, a um projeto-piloto de levantamento da fauna selvagem nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RRPPNs) reconhecidas pelo órgão ambiental estadual. A partir da articulação entre o Núcleo de RPPN do Inea e a Área de Proteção Estadual (APA) Estadual Macaé de Cima, com apoio de um pesquisador colaborador, o projeto instalou armadilhas fotográficas (câmeras trap) em três reservas inseridas nessa APA localizada na Região Serrana do Rio.

Apesar do curto período, a iniciativa já apresenta seus primeiros resultados: as câmeras registraram as imagens de um furão-pequeno (Galictis cuja); uma irara (Eira barbara); um gato-maracajá (Leopardus wiedii) – espécie ameaçada de extinção; um caxinguelê (Guerlinguetus brasiliensis) – espécie que ocorre na Mata Atlântica e também no bioma Amazônia; um tatu-galinha (Dasypus novemcinctus); um jacu (Penelope obscura); um gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), espécie ameaçada de extinção; e um quati (Nasua nasua).
“Iniciamos o projeto-piloto em Nova Friburgo, pois a região abriga uma rica diversidade biológica. É importante destacar que esse projeto está sendo cadastrado no Núcleo de Pesquisa do Inea, e os dados que serão coletados ao longo deste trabalho serão inseridos na base de dados de biodiversidade nas unidades de conservação para apoiar as ações de gestão”, explicou o presidente do Inea, Philipe Campello.
“Essa iniciativa tem duração prevista de 12 meses, e a perspectiva é ampliar o número de RPPNs beneficiadas. A instalação das armadilhas nessas reservas foi precedida de uma conversa com os proprietários, que se mostraram extremamente interessados e disponibilizaram de imediato suas áreas para a realização desse projeto-piloto”, ressaltou o coordenador do Programa de RPPNs do Inea, o biólogo e doutor em Ciências, Eduardo Lardosa.
Estratégicas para a conservação da Mata Atlântica, as RPPNs reconhecidas pelo Inea são consideradas unidades de conservação de proteção integral, conforme estabelecido pelo decreto estadual nº 40.909/2007, sendo permitida apenas a realização de atividades de educação ambiental, turismo e pesquisa científica.
O decreto também instituiu o Programa Estadual de Apoio às RPPNs, que é coordenado pelo Núcleo de RPPN do Inea. Por meio dessa iniciativa, o instituto oferece suporte técnico e orientações aos proprietários interessados, tanto para a criação quanto para implementação dessas reservas, como por exemplo, na elaboração de planos de manejo, apoio no georreferenciamento dos imóveis, apoio na análise técnica e emissão de autorizações de pesquisa, e inscrição no Cadastro Ambiental Rural.

