Distrato com empresa responsável por obras no Theatro Dom Pedro deixa o local sem expectativa para conclusão de obras
O Theatro Dom Pedro, localizado no Centro de Petrópolis é considerado um importante patrimônio histórico e cultural da cidade. O espaço foi inaugurado em 1933, e construído em homenagem ao imperador Dom Pedro II, grande apoiador das artes e da cultura. Ao longo dos anos, o Theatro Dom Pedro se tornou um importante espaço para a espetáculos teatrais, musicais e de dança. Originalmente o espaço foi criado com uma arquitetura imponente e acústica de alta qualidade, o que o tornaria o local ideal para apresentações artísticas de alto nível.
Mas essa joia da história da Cidade Imperial está fechada há mais de quatro anos. E parece que essa novela agora tem um novo capítulo, já que a Prefeitura de Petrópolis anunciou o distrato com a empresa responsável para realizar as devidas intervenções. Eles afirmaram que houve pouco avanço nas intevenções e que a medida tem como objetivo trazer mais agilidade para a execução da revitalização iniciada em 2019. “Foi mais uma surpresa, porque neste não é o primeiro distrato relacionado a execução desta obra. Isso é uma pena, porque adia mais uma vez a reinauguração do teatro que este ano faz 90 anos”, disse Mauro Corrêa, presidente do Instituto Civis.
Em março deste ano Ministério do Turismo divulgou que investiu R$1.803.750,00 para investir na revitalização do Theatro Dom Pedro, que está de portas fechadas desde 2019, quando começou a receber obras que foram paralisadas logo em seguida, com apenas 25% de conclusão. “A responsabilidade é do governo municipal, não pode ser questão de falta de verba, isso é falta de vontade política de fazer. Porque existem mecanismos de tentar restaurar estas coisas, faltou de alguma forma capacidade do gestor municipal de agilizar as devidas intervenções”, pontuou Corrêa.
A obra que deveria ser feita inclui a restauração de banheiros, dos acessos ao anexo e da fundação para a instalação de um elevador. Também estavam previstas intervenções na parte elétrica, camarins, palco, salão principal e acessibilidade. Além disso a fachada e o interior do teatro vão ter uma atenção especial.
No ano de 1998 o prédio foi tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC). E a última reforma completa no espaço aconteceu em 2003. Em março de 2022, o governo municipal conseguiu que a empresa retomasse os trabalhos após a prefeitura vencer todos os entraves que levaram à paralisação da obra, em 2020. “É uma falta de respeito com a cultuda do petropolitano, este teatro tem mil lugares e poderia estar sendo ocupado por colégios, bandas e corais. É um bem público que está sendo mal utilizado”, explicou o presidente da Civis.
Outra questão levantada por Mauro, é o painel da pintora Djanira da Motta e Silva. Ele é considerado o maior da América Latina, e foi feito a pedido do Prefeito de Petrópolis na época. A obra ficava exposta no Colégio Municipal Liceu Cordolino Ambrósio, e atualmente está no Centro de Cultura pois necessita de intervenções. “Você tem um painel que ficou mais de 50 anos escondido dentro de um colégio. Uma falta de respeito, são bens históricos raros que estão na cidade e que poucas pessoas tem acesso”, finalizou o presidente.
Em nota o Ministério do Turismo informou que a pasta já repassou o equivalente a 50% do valor a Caixa Econômica Federal, mantenedora do contrato. O restante será repassado a Caixa logo após o município fazer uso do recurso disponibilizado pela mantenedora para a execução da obra.
Por Gabriel Faxola/Foto: Thiago Alvarez

