Fiscalização da CPTrans emite 1.269 autos de infração para empresas de ônibus

Em apenas uma fiscalização nas garagens de ônibus, a Companhia Petropolitana de Trânsito e Transportes (CPTrans) emitiu 1.269 autos de infração para as cinco empresas de ônibus que atuam na cidade. Os dados foram repassados à equipe do Correio Petropolitano via Lei de Acesso à Informação (LAI), já que a Assessoria de Comunicação da Prefeitura não informava os dados quando questionada.

Segundo o relatório do órgão, esta vistoria foi feita entre os meses de março e abril, anterior ao incêndio na garagem da Petro Ita e Cascatinha. Foi a única realizada pela companhia em toda frota em 2023. A CPTrans diz que há mais duas ações do tipo previstas para o restante do ano.

Licenciamento

A companhia, no entanto, diz que “nenhum veículo apresentou pendência de documentação em 2023”, já que o calendário de licenciamento anual do Detran ainda está em andamento. Também afirma que nenhum veículo foi impedido de operar em função da vida útil ultrapassar o limite previsto, que é de 10 anos, 11 meses e 29 dias.

As informações, no entanto, foram recebidas com estranheza pelo vereador Hingo Hammes (União). Em fevereiro, o parlamentar realizou vistoria em 107 veículos e encontrou até mesmo um deles sem placa. Sete coletivos, por exemplo, tinham feito o último licenciamento apenas em 2018.

“Além disso, encontramos veículos de 2008 rodando. E ainda, tem uma lei municipal que determina que o ano de fabricação esteja afixado na traseira dos coletivos e nenhum deles cumpria a legislação”, relatou o vereador Hingo Hammes, afirmando que retornará esta ação com os ônibus que chegaram para reforçar a frota após o incêndio do dia 9 de maio.

O Correio Petropolitano também fez um levantamento sobre o tema, consultando a placa de 40 veículos junto ao Detran. Foram encontrados 15 veículos com o último licenciamento feito até 2021. Ao todo, foram nove coletivos com a data acima do limite permitido e 13 no que deveria ser o último ano de operação.

Infrações

A fiscalização e o pedido de informações do Correio Petropolitano foram feitos antes do incêndio na garagem das empresas Petro Ita e Cascatinha. Os dados trazidos pela companhia corroboram com as reclamações de políticos e da população, hoje em recuperação judicial, enfrentam dificuldades para operar as linhas que são de sua concessão.

Do total de 1.269 infrações, 43,42% foram para a Petro Ita. Em números absolutos, foram 551 autos. Já a Cascatinha, foi responsável por 333 autos, o que corresponde a 26,24% das autuações às cinco empresas.
O vereador Fred Procópio se diz preocupado com a situação das empresas após o incêndio. Para ele, é necessário se pensar em soluções caso seja decretada falência, já que considera que a ocorrência prejudica o plano de Recuperação Judicial.

“Estive na Prefeitura conversando sobre a preocupação dessa Recuperação Judicial naufragar no meio do caminho e a gente amanhecer sem transporte público, em função da decretação de falência por parte da justiça. Não é uma decisão de governo, mas o atinge diretamente”, afirmou.

O grupo Correio da Manhã têm questionado a Prefeitura e o Setranspetro sobre os problemas em relação ao transporte público na cidade, mas, são poucas as vezes em que os órgãos enviam resposta. Procurados sobre os apontamentos desta reportagem, por exemplo, nenhuma das duas entidades esclareceu os pontos abordados até o fechamento desta edição.

Texto e fotos por Por Wellington Daniel

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