Combate da Pobreza Menstrual em Petrópolis
A menstruação é um marco do amadurecimento, o início da puberdade feminina, a condição faz parte natural da vida de todo o ser que nasce mulher. Em torno do tema há muitos estigmas e tabus formados através de pensamentos arcaicos, como a banalização das dores de cólica menstrual, a visão de algumas culturas que transforma a mulher em “impura” no período menstrual entre outras questões que envolvem a mulher menstruar. diante deste cenário a pobreza menstrual se torna um problema mundial que atinge a população feminina que vivem em situação vulnerável prejudicando a autoestima e convivência social das mesmas.
De acordo com a Vereadora Julia Casamasso da Coletiva Feminista Popular, a pobreza menstrual vai além da falta de acesso a absorventes e outras necessidades básicas como água potável e papel higiênico, ela afeta o direito à informação a respeito da menstruação e a integridade feminina, sendo-se necessário pensar em políticas públicas que incluam mulheres em situação de vulnerabilidade. A Coletiva Feminista Popular está em diálogo com a Prefeitura Municipal de Petrópolis para formular projetos de Higiene Menstrual eficazes para garantir a dignidade das mulheres e meninas que menstruam. A ação promovida pela comitiva pensa em levar às comunidades debates em relação ao ciclo menstrual, dicas e recomendações sobre o assunto.
Em dezembro de 2021 foi sancionada a lei municipal nº 8.223 instituiu o programa de fornecimento gratuito de absorventes higiênicos na rede pública municipal de ensino em Petrópolis. O projeto de lei informado foi de autoria do Deputado Yuri Moura que atuava como vereador na época, juntamente com o vereador Maurinho Branco do partido DEM. O projeto de lei garante o fornecimento gratuito de absorventes em escolas da rede municipal de ensino, assegurando a distribuição gratuita de material a adolescentes, fazendo com que as alunas tenham acesso aos cuidados básicos no período menstrual. Atualmente o projeto continua em vigor nas unidades municipais, atendendo esta parcela social.
O estudo “Pobreza Menstrual no Brasil” produzido pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e Fundo de População das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apontou que mais de 713 mil pessoas que menstruam vivem sem acesso a banheiro e chuveiro em casa, e 4 milhões não acessam itens básicos de cuidado menstrual nas escolas.
A pobreza menstrual é muita mais que Higiene, tem a ver com saneamento básico, com conhecimento e acesso à informação, exclusão social dessa parcela afetada. Tudo isso implica na educação dessas meninas e mulheres por conta de não terem acesso aos produtos necessários, muitas faltam dias de aulas sem chance de recuperar o conteúdo perdido, além de ser prejudicial à saúde e a dignidade delas, não é saudável para elas usar produtos improvisados para conter o fluxo pois esses podem causar infecções na região íntima, a saúde mental também fica abalada por conta dos constrangimentos que as pessoas que menstruam sofrem diante da precariedade.
A UNFPA e a UNICEF reforçam que é necessária a atenção primária à saúde por parte do governo. Em Petrópolis a Coletiva Feminista Popular salienta a importância de a prefeitura agir para assegurar a dignidade e a saúde dessas mulheres e meninas dentro do município.
Por Leandra Lima/ Foto: Marcello Casal Jr Agencia Brasil

