Vítimas das chuvas exigem a retomada de obras e denunciam descaso após chuvas em Petrópolis
Centenas de vítimas, sobreviventes das chuvas que assolaram Petrópolis em 2022, se reuniram nesta quinta-feira (16), em uma manifestação na Praça dos Ferroviários, no Alto da Serra, exigindo a retomada das obras paralisadas, a revisão do programa de aluguel social e o fim do descaso com a cidade. Os moradores, ainda abalados pelas consequências do desastre, cobraram ações efetivas das autoridades municipais.
Durante a manifestação, diversas pessoas carregavam faixas e cartazes escritos frases como “Petrópolis cidade do abandono” e “reconstrução dos bairros”. Um dos temas principais das reivindicações foi sobre a paralisação das obras de reconstrução. Muitas áreas afetadas, como Morro da Oficina, Vila Felipe e Chácara Flora, ainda permanecem com o mesmo cenário do dia 15 de fevereiro. A ausência de investimentos em infraestrutura e prevenção de desastres agravou ainda mais a situação.
Douglas da Silva, que vive na localidade Chácara Flora, lamenta o abandono, e tem medo de que uma nova tragédia aconteça na região. “Ainda têm pontos perigosos na localidade, há pedras que quando chove correm o risco de cair. Os moradores ficam com medo de transitar e viver na região. As autoridades pedem que a gente saia das áreas de risco, mas eles não tiram os riscos que estão ali a ponto de provocar uma nova tragédia”, disse a vítima que perdeu amigos e familiares em fevereiro.
As vítimas relatam ainda o corte de beneficiários do programa de aluguel social, que deixou muitas famílias sem recursos para pagar por moradias. Assim, precisaram retornar às casas em áreas de risco. Segundo os sobreviventes, a cobrança é para que recebam um local seguro e digno, para viverem após perderam suas residências. De acordo com os moradores do Morro da Oficina, a defensoria entrou em contato para que um acordo fosse fechado.

“Chamaram a mim, e outros moradores da região, para oferecer cerca de R$1700 por metro quadrado das casas, antes de serem demolidas. Não achamos as moradias no lixo, gastamos muito dinheiro e carregamos muito material de construção. Não achamos justo o que estão fazendo conosco. Queremos respeito, atenção e dignidade. Em relação ao aluguel social, ficamos inseguros e na incerteza se receberemos ou não. É um descaso. Nas eleições os políticos abraçam a gente, beijam crianças e agora nos abandonaram. Fizeram de nossa dor palanque para as eleições”, lamenta a atendente, Carla de Souza.
A educadora, Margaret Pereira, perdeu nove familiares nas chuvas e conta que o sentimento é de revolta. “Estamos abandonados após um ano e meio. Nossas casas serão demolidas e querem pagar um valor ridículo. Eu trabalhei a vida toda para ter um lar, estou lutando pelo que é meu por direito. Eu ainda estou pagando empréstimo da casa que perdi, metade do meu salário é comprometido. Minha irmã e outros parentes perderam o aluguel social e agora estão endividados. Como se não bastasse o sofrimento após perder os entes queridos, ainda passamos por essa humilhação”, conclui.

Por Larissa Martins

