Uma pesquisa científica com micos-leões-dourados, ameaçados de extinção, indica, pelos resultados preliminares, que a população da espécie pode estar aumentando em unidades de conservação do Rio de Janeiro, inclusive na serra de Petrópolis. A pesquisa é conduzida pelo médico veterinário Eduardo Rubião, presidente da ONG Pantharpia, por meio do Projeto Sagui Leão Rosalia.

Os micos-leões-dourados são uma espécie carismática, que atrai a atenção das pessoas. Por isso mesmo, são usados para difundir e massificar a mensagem conservacionista e conscientizar a população sobre a necessidade de proteger espécies menos conhecidas e seus habitats. São chamadas de espécies bandeiras ou guarda-chuvas.

As pesquisas no Estado do Rio de Janeiro são conduzidas por principalmente duas organizações: a Associação Mico-Leão-Dourado, que cobre a área das baixadas litorâneas, e a Pantharpia que abrange a região Metropolitana do estado (Nova Iguaçu, Magé, Duque de Caxias, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu) e também o município de Petrópolis. As duas organizações trabalham em conjunto para a conservação da biodiversidade da Mata Atlântica, dando ênfase na proteção do mico-leão-dourado em seu habitat.

Segundo o médico veterinário e presidente da ONG Pantharpia, Eduardo Rubião, os procedimentos são realizados muitas das vezes em uma unidade móvel. “Nós vamos aos locais. Colocamos plataformas com alimentos e uma armadilha de captura. Depois de capturados, os animais são conduzidos a uma unidade móvel clinica cirúrgica, no qual cedamos e coletamos os materiais necessários (sangue, pelos, fezes). Também é realizada uma avaliação clínica com biometria, pesagem e sexagem. Após serem marcados com microchip, tatuagem e colar numerado, os animais são soltos no mesmo local de captura”, explica o profissional.

Neste mês do Meio Ambiente, uma fêmea da espécie foi encontrada na Serra de Petrópolis, em trecho do Refúgio Silvestre da Serra da Estrela, unidade administrada pelo Inea. Depois de identificada, ela foi devolvida à natureza no último dia 15. Os micos-leões são animais que viviam em lugares com altitudes de até 400 metros, mas segundo pesquisas recentes, os animais estão habitando lugares de até 700 metros. Este é um dos motivos das aparições na serra petropolitana.

História do projeto

O Projeto Sagui Leão Rosalia teve início no ano de 2019, mas as pesquisas sobre a espécie já acontecem desde de 2006. Atualmente conta com o apoio da Universidade Federal Fluminense de Niterói, Universidade Federal De São Carlos, Centro de Primatologia do Rio de Janeiro, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio), Ibama, Inea, Concer, entre outros.

Risco de extinção

Segundo Rubião, há décadas atrás os especialistas da espécie no mundo chegaram à conclusão de que até o ano de 2025, serão necessários dois mil micos soltos em uma área de 25 mil hectares conectados, protegidos e florestados. Se até esse prazo não acontecer, ficará muito mais difícil de você recuperar a espécie. “A biologia e o Meio Ambiente são dinâmicos, estão sempre se atualizando. Essa informação foi a décadas atrás, mas essa meta continuou estabelecida para nós”, enfatiza o presidente.

Eduardo também reforça a necessidade do apoio da sociedade e de recursos para o andamento do projeto. “A locomoção é muito complicada para os locais de aparição desses animais. Nós precisamos de veículos potentes para carregar a clinica móvel, e muitas das vezes estes veículos não estão em boas condições”, desabafa.

Para quem quiser apoiar o projeto, pode entrar em contato pela página oficial no Instagram @saguileaorosalia.

por Por Gabriel Rattes/ Foto: Divulgação / Concer

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