Estudantes petropolitanos desenvolvem projeto que concorre prêmio na UERJ

Leandra Lima

Alunos da sala 3001 do 3° ano do ensino médio integrado em química, do Colégio Estadual D. Pedro II desenvolveram um projeto de iniciação científica, intitulado “Expresso Diesel” que tem como objetivo extrair óleo da borra de café, para, a partir disso, produzir biodiesel. A iniciativa nasceu através de uma parceria entre a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ) e o Colégio Estadual D. Pedro II, por meio do professor e orientador da UERJ e UFRJ, Nilton Rosembach Junior, com os professores de laboratório e gestão ambiental do colégio, Alexandre Becker de Castro e Thiago de Souza Dias Silva. O trabalho está concorrendo a prêmio na 32ª Edição da Uerj Sem Muros, evento que consiste em apresentar à sociedade a produção acadêmica realizada nas diversas áreas de conhecimento, envolvendo ensino, pesquisa, extensão e cultura.

Os estudantes iniciaram as pesquisas a respeito do Expresso Diesel, no início do ano, e durante o processo, entenderam que poderiam trabalhar com resíduos de pó de café. Eles descobriram que o café expresso possuía uma maior concentração de óleo em sua composição em comparação ao café normal, o que facilita na produção do combustível verde( biodiesel). Para conseguir a quantidade necessária para testes os alunos foram atrás de cafeterias pela cidade buscando formar uma parceria com o estabelecimento, após explicar do que se tratava, conseguiram fechar com a cafeteria Cheirin Bão, que passou a fornecer ao projeto a quantidade necessária de resíduos semanalmente.

Para conseguir extrair o óleo bruto da borra de café, é preciso seguir algumas etapas utilizando o extrator de Soxhlet, com o auxílio do solvente chamado “Hexano” que segundo os estudantes, apresenta afinidade com o óleo que será extraído. “Esse processo demanda ciclos, já que a extração ocorre quando o hexano líquido enche o extrator e alcança o nível em que se encontra o tubo de saída, fazendo com que o hexano com o óleo seja disperso novamente no balão de fundo chato. Ao final, obtemos uma mistura de hexano e qualquer outra substância presente na borra que seja semelhante com o solvente (micela), assim como, o óleo que temos interesse, ou seja, nessa etapa ainda não temos o nosso óleo bruto. Feita a extração, é necessário separar o óleo que desejamos do solvente e, para isso, utilizamos um aparelho chamado “rotaevaporador”, que por meio da diferença do ponto de ebulição entre essas duas substâncias e a presença de vácuo, separa esses componentes.”, explicaram os alunos do 3º ano. O grupo planeja ir à sede da UFRJ, em outubro, para poderem dar continuidade ao projeto e caracterizar o óleo obtido, para assim realizar a reação que de fato irá transformá-lo em biodiesel, já que o laboratório do Colégio não tem alguns equipamentos necessários para esses fins.

O projeto busca promover o desenvolvimento de fontes de energia limpa, através do aproveitamento de um resíduo, que no caso desse é a borra do café, para a criação de biodiesel, sendo uma forma de estimular o desejo por métodos de produção mais sustentáveis para a sociedade, trazendo novas perspectivas ao assunto. A turma do 3º ano que estão a frente da ação esperam que ela sirva para incentivar o ensino de química na comunidade escolar, para que futuras turmas tenham a mesma oportunidade, e tirem proveito da chance de participar de uma iniciação científica, pois acrescentar no currículo acadêmico. “Esse não é único benefício, outra parte bem vantajosa é fazer parte de um projeto que tem um objetivo muito legal, e não é só o biodiesel, mas também, a forma como vamos olhar para resíduos que não teriam mais utilidade alguma, como a borra de café. Isso pode ser um incentivo para as próximas gerações de estudantes, para que eles desenvolvam projetos sustentáveis com um intuito parecido.”, disse Kadu Cassimiro, aluno, participante do projeto Expresso Diesel.

O trabalho teve uma evolução, o que era antes voltado para química e meio ambiente, agora também abrange a área de microbiologia, onde, os pesquisadores estão acompanhando e inoculando fungos que cresceram em uma borra úmida, para que possam identificá-los e desenvolver estudos sobre determinadas colônias presentes no café.

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