Especialista aponta que obesidade pode estar associada a ambientes inadequados

A obesidade é uma doença crônica que tem como característica principal o acúmulo excessivo de gordura corporal. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, existem mais de 20 milhões de pessoas consideradas obesas. Na população adulta, 12,5% dos homens e 16,9 % das mulheres apresentam obesidade e cerca de 50% têm excesso de peso. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), fatores alimentares, emocionais e genéticos são os principais desenvolvedores da doença.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Pelotas, mostra que, em 2022, cerca de 9% dos jovens brasileiros, com idade entre 18 e 24 anos, tinham índice de massa corporal (IMC), igual ou maior que 30, o que configura obesidade. Já em 2023, esse percentual saltou para 17,1%, um aumento de 90%.

De acordo com a Drª Nathália Ventura, médica especializada em obesidade, os chamados “ambientes obesogênicos”, são promotores ou facilitadores de escolhas alimentares não saudáveis e de comportamentos sedentários, que dificultam a adoção e manutenção de hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividade física. “São locais em que há fácil acesso aos alimentos processados e ultraprocessados, com excesso de açúcares e gorduras. Essa escolha pode acontecer devido ao baixo poder aquisitivo para o consumo de alimentos saudáveis, como também por existir uma grande concentração de estabelecimentos que vendem alimentos pouco saudáveis nas proximidades da casa ou do trabalho do indivíduo. Neste caso, é necessário um cuidado extra, que requer escolhas na hora da alimentação, aliadas às práticas regulares de atividade física e até mudança de comportamento no ato da refeição, eliminando maus hábitos, como assistir televisão ou mexer no celular enquanto se alimenta”, destacou a médica.

A especialista reforça ainda que os exercícios físicos também contribuem para a diminuição dos efeitos causados por um ambiente obesogênico. Mas, é importante lembrar que as alterações hormonais, psicológicas e os transtornos alimentares também podem levar o paciente à obesidade, que é precursora de outras doenças, como a hipertensão, colesterol, diabetes e problemas cardiovasculares. “É extremamente importante que o paciente se conscientize da necessidade de adoção de novos hábitos que, de fato, mudem o estilo de vida. Isso já começa na primeira consulta, quando são avaliados aspectos médicos, sociais, comportamentais e psicológicos, além do nível de ansiedade que a pessoa está exposta. Através do acompanhamento adequado em conjunto com psicólogo, nutricionista e avaliador físico, é possível conseguir a mudança.”, concluiu Nathália Ventura.

Na sala de atendimento, a médica realizou um experimento com um hambúrguer e batatas fritas, que foram colocados dentro de um recipiente. Pode até não parecer, mas o fast food está há mais de dez meses no local e não aparenta nenhum sinal de apodrecimento. “O objetivo da iniciativa é mostrar para os pacientes os efeitos que os produtos industrializados podem provocar no organismo”, esclareceu a especialista.

Por Larissa Martins/foto: pexels

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