Os desafios da gravides na adolescência

Leandra Lima

Ser mãe exige grandes esforços físicos e mentais, a maternidade é uma jornada árdua onde a mulher transborda sentimentos, há momentos de alegrias, frustrações, arrependimentos e diversas outras facetas que chegam com a carga de ser responsável por outro ser humano que depende inteiramente de tempo e cuidados especiais até um certo período da vida. Assumir o posto de mãe e passar por todos os processos gestacionais necessita de planejamento e cuidados já que a ação implica diretamente com a vida do ser feminino em todas as camadas sociais. Quando a 🫄 chega de repente na adolescência essa carga aumenta, pode resultar em maior nível de vulnerabilidade ou riscos sociais para as mães e também para os filhos. A adolescência é uma fase de autoafirmação, de transformações físicas, psicológicas e sociais, é nesse período que os jovens começam a se moldar para o futuro.

Segundo o Ministério da Saúde (MS) a gravidez na adolescência é um grande desafio para a saúde pública no Brasil. Outras instituições também debatem o assunto e classificam o fato como uma questão sócio estrutural, conforme expressa a Organização Mundial de Saúde (OMS), a gestação nesta fase é uma condição que eleva a prevalência de complicações para a mãe, para o feto e para o recém-nascido, além da possibilidade de agravamento de problemas socioeconômicos já existentes. Para a adolescente gestante, por exemplo, existe maior risco de mortalidade materna. Já para o recém-nascido, o risco aumenta para anomalias graves, problemas congênitos ou traumatismos durante o parto, como asfixia, paralisia cerebral, entre outros.

Dados da cartilha “Sem Deixar Ninguém para Trás: Gravidez, Maternidade e Violência Sexual na Adolescência”, mostram que 2008 a 2019, dos 6.118.205 bebês nascidos de mães adolescentes no país, 296.959 (4,86%) são de mães com idade entre 10 a 14 anos e 5.821.246 (95,14%) nascidos de mães com idade entre 15 e 19 anos. O Ministério da Saúde, aponta que esses números aumentaram em 2020, quando o total de nascimentos de mães adolescentes foi de 380.778, mais da metade dos anos mostrados acima, representando 14% do total de nascidos vivos. Olhando para o quadro geral esses dados parecem distantes, porém no âmbito municipal, Petrópolis registrou uma média de 298 gravidezes de jovens garotas com idades de 10 a 19 anos em 2023, os dados são do Sistema de Informações de Nascidos e Vivos (Sinasc).

Conforme a Doula do Programa Reage Mãe que atua em defesa da mulher gestante e puérpera, Daniela Freitas, o assunto é pertinente e cabe ao poder público uma campanha durante todo o ano com educação sexual, planejamento familiar em dia, saúde, assistência social e políticas de acolhimento. “É necessário urgentemente o acesso da inclusão desses trabalhos nas comunidades”, disse.

Daniela fala que hoje o grupo Reage mãe está com 50 adolescentes. “A maioria já se tornou mães e estão no seu puerpério ou com bebês acima de 7 meses. Infelizmente uma em cada cinco mães não sabem como evitar uma gravidez e acabam engravidando novamente”, relatou.

Para ela, não é normal a sociedade não discutir sobre a frequência em que crianças de 12 ,13 anos se encaixam no quadro de gravidez precoce. “Muitas mães, dessas meninas procuram o projeto, nos deparamos com muitas mulheres aflitas, mães solos que saíram do seu trabalho para ficar com suas filhas grávidas. Essas mulheres geralmente são as que sustentam a casa. Como estruturar essas famílias, criar vínculos, se nem o direito ao deslocamento dinheiro de passagem essas meninas para o pré natal tem? O Reage Mãe é um recorte da vida real dessas meninas, mulheres”, expressou.

Políticas públicas municipais

A vereadora Julia Casamasso(PSOL) da coletiva feminista, falou sobre a dificuldade de trazer a pauta para o cenário político, para assim pensar em políticas públicas para ele. A parlamentar indaga que os dados na cidade são escassos e isso dificulta o diagnóstico do problema. Com isso, ela propõe que seja feito um trabalho de base nas comunidades e escolas, com ações de conscientização sexual e o direito das jovens mães no plano nacional da família, entre outros benefícios. “Precisamos de um planejamento de qualidade que garanta o acesso à informação e a saúde para essas jovens”, expressa.

Segundo Julia o mandato da coletiva Feminista conquistou no ano passado um passo importante para garantia desses direitos. Através de uma emenda impositiva participativa feita pelo o gabinete do Deputado Federal Glauber Braga(PSOL), o mandato conseguiu que seja feita compra de Dispositivo intrauterino(DIU) e kits do mesmo para auxiliar em medidas contraceptivas.

Compartilhe!

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.