{"id":10010,"date":"2021-01-29T23:42:18","date_gmt":"2021-01-30T02:42:18","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=10010"},"modified":"2021-01-29T23:42:20","modified_gmt":"2021-01-30T02:42:20","slug":"dia-da-visibilidade-trans-avancos-sao-celebrados-por-quem-ainda-luta-para-sobreviver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2021\/01\/29\/dia-da-visibilidade-trans-avancos-sao-celebrados-por-quem-ainda-luta-para-sobreviver\/","title":{"rendered":"Dia da Visibilidade Trans: avan\u00e7os s\u00e3o celebrados por quem ainda luta para sobreviver"},"content":{"rendered":"\n<p>A data \u00e9 celebrada no dia 29 de janeiro, mas muitas conquistas ainda est\u00e3o aqu\u00e9m do necess\u00e1rio; a reportagem conversou com entidades, profissionais e pessoas trans que relataram a jornada no Brasil de hoje<\/p>\n\n\n\n<p>29 de janeiro, Dia da Visibilidade Trans. O Brasil celebra essa data liderando um ranking que em nada traz orgulho para n\u00f3s. Segundo dados do <a href=\"https:\/\/transrespect.org\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/TvT-PS-Vol14-2016.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">relat\u00f3rio<\/a> da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Transgender Europe (Ong TGEu \/2016), quase 900 pessoas trans e travestis foram assassinadas entre 2008 e 2016. Para entender o tamanho do problema, o M\u00e9xico contabilizou 256 mortes nesse mesmo per\u00edodo. Estados Unidos somaram 146 assassinatos. Na Turquia, foram 46. R\u00fassia, tr\u00eas. S\u00f3 no ano passado, segundo <a href=\"https:\/\/antrabrasil.files.wordpress.com\/2021\/01\/release-dossie-trans-2020-antra.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">levantamento<\/a> da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), pelo menos 175 pessoas trans e travestis brasileiras tiveram a vida, os planos e a chance de um futuro interrompidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00fameros absolutos, S\u00e3o Paulo foi o estado brasileiro que mais matou trans e travestis no ano passado, seguido de Cear\u00e1, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Mesmo com a pandemia, em que o isolamento social se tornou imprescind\u00edvel, o n\u00famero de pessoas mortas pela condi\u00e7\u00e3o de ser quem s\u00e3o n\u00e3o caiu. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3532\/content_sigla-lgbt.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cO Brasil vai continuar ainda por muitos anos sendo o Pa\u00eds que mais mata trans. N\u00e3o existe uma pol\u00edtica p\u00fablica espec\u00edfica que vai erradicar os assassinatos, a n\u00e3o ser pela educa\u00e7\u00e3o e pela puni\u00e7\u00e3o dos crimes. Muito embora tenhamos o feminic\u00eddio como uma pr\u00e1tica criminosa, ainda assim existe uma grande parte de pessoas que comete esse crime. O transfeminic\u00eddio vem nesse mesmo bojo, com uma grande caracter\u00edstica de que esses crimes nem s\u00e3o investigados\u201d, lamenta a presidenTRA da Antra, Keila Simpson.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa de vida dessas pessoas \u00e9 outro problema alarmante, destoando consideravelmente da m\u00e9dia das pessoas consideradas cisg\u00eanero \u2013 que \u00e9 quando o indiv\u00edduo se identifica com a condi\u00e7\u00e3o de nascimento (a menina se enxerga como menina e o menino se enxerga como menino). De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a m\u00e9dia nacional das pessoas cis \u00e9 de 75,5 anos. As transg\u00eanero vivem, em m\u00e9dia, 35 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3533\/content_visibilidade-trans2.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Representatividade&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da morte f\u00edsica, pessoas transexuais e travestis ainda t\u00eam que lidar com a falta de representatividade. N\u00e3o h\u00e1, por exemplo, um levantamento oficial ou confi\u00e1vel que revele hoje quantas e quantos se identificam de maneira diferente da que nasceram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o existe nenhum dado quantitativo de pessoas transexuais e travestis no Brasil. Quem deveria ter desses dados era o IBGE e eles nunca fizeram isso, a despeito de termos feito diversas investidas. Pedimos que colocassem no censo o marcador identit\u00e1rio da identidade de g\u00eanero e ainda n\u00e3o conseguimos. Estima-se por alto o n\u00famero de pessoas trans no Brasil (1,9% da popula\u00e7\u00e3o total), mas n\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros reais. Ent\u00e3o, toda vez que trabalhamos com pol\u00edticas p\u00fablicas, partimos dessas suposi\u00e7\u00f5es com n\u00fameros que n\u00e3o s\u00e3o reais\u201d, dispara Keila.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de identifica\u00e7\u00e3o com o corpo pelas pessoas trans tamb\u00e9m passa pelo nome. Um <a href=\"https:\/\/www.anoreg.org.br\/site\/2018\/06\/29\/provimento-no-73-do-cnj-regulamenta-a-alteracao-de-nome-e-sexo-no-registro-civil-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">levantamento<\/a> do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), feito em 2018, mostra que pouco mais de duas mil pessoas retificaram o nome nos cart\u00f3rios, isso no primeiro ano da norma que possibilita essa mudan\u00e7a sem a\u00e7\u00e3o judicial ou laudo m\u00e9dico \u2013 agora, basta ir ao cart\u00f3rio para realizar a&nbsp;altera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3536\/content_visibilidade-trans3.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o de \u00c1biner Augusto Mendes Gon\u00e7alves, integrante da Associa\u00e7\u00e3o de Advogados pela Igualdade, o Brasil j\u00e1 avan\u00e7ou em alguns pontos nesse sentido. \u201cNos \u00faltimos tempos, foi retirada a transexualidade do rol de adoecimento mental pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), por exemplo. Tivemos tamb\u00e9m essa A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que julgou a mudan\u00e7a de prenome pelas pessoas trans, em que elas n\u00e3o precisam de nenhum laudo m\u00e9dico nem&nbsp;passar pela Justi\u00e7a. J\u00e1 temos decis\u00f5es judiciais nos estados aceitando que a Lei Maria da Penha seja aplicada para as mulheres trans, j\u00e1 que o conceito de mulher dado pela lei \u00e9 de identidade de g\u00eanero, e n\u00e3o biol\u00f3gico e fisiol\u00f3gico\u201d, elenca o advogado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais visibilidade \u00e9 dada para as pessoas trans, mas a sociedade se naturaliza com o conv\u00edvio delas na sociedade. \u00c9 importante que isso continue, que isso se naturalize realmente como pessoas dignas que elas s\u00e3o, como qualquer outra, para ter relacionamentos, empregos e uma vida que possa prosperar\u201d, espera \u00c1biner.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3535\/content_nome-social.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acolhimento e privil\u00e9gios<\/h2>\n\n\n\n<p>Caetano Mendes, 21 anos, mora atualmente em Belo Horizonte (MG). Al\u00e9m de cursar faculdade no curso de rela\u00e7\u00f5es internacionais na PUC Minas, Caetano tem ainda uma marca de roupas, em parceria com uma amiga. E ele ainda encontra tempo para estudar para o t\u00e3o sonhado concurso. \u201cEu pretendo seguir a carreira de diplomata, mas s\u00f3 depois da gradua\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos, Caetano percebeu que gostava de mulheres. O que poderia ser um acontecimento natural na vida de um adolescente nessa idade, tornou-se motivo de reflex\u00e3o para ele: Caetano \u00e9 um jovem trans. \u201cAos 17 anos, tive meu primeiro relacionamento s\u00e9rio com uma menina e foi quando eu comecei a entender mais a rela\u00e7\u00e3o com meu corpo,&nbsp;a entender melhor a rela\u00e7\u00e3o com outras pessoas. Comecei a explorar mais meu corpo e percebi que n\u00e3o me identificava com certas coisas.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Caetano se considera uma pessoa transg\u00eanero n\u00e3o-bin\u00e1rio. O termo, ainda pouco difundindo e que pode causar confus\u00e3o, \u00e9 utilizado para denominar quem n\u00e3o se classifica exclusivamente em nenhum dos g\u00eaneros bin\u00e1rios (masculino ou feminino). S\u00e3o pessoas que transitam entre os dois g\u00eaneros, sem necessariamente estar em um deles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu me identificava com algumas caracter\u00edsticas comumente chamadas de caracter\u00edsticas sexuais secund\u00e1rias masculinas ou associadas a homens, como barba, peitoral liso, voz mais grave. Mas n\u00e3o me identifico com o conceito de ser homem\u201d, refor\u00e7a Caetano. \u201cEu me identifico mais com a transgeneridade do que com qualquer conceito de homem ou mulher.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3537\/content_fotos-lado-a-lado.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m aos 17, Caetano comunicou aos pais que queria fazer a transi\u00e7\u00e3o. \u201cTive uma resposta muito boa. Meus pais t\u00eam a cabe\u00e7a aberta, a gente tem uma rela\u00e7\u00e3o muito boa e eles me ajudaram bastante\u201d, comemora. Como era menor de idade, os pais assinaram um termo de consentimento na \u00e9poca para que ele come\u00e7asse o processo de hormoniza\u00e7\u00e3o. \u201cEstou muito satisfeito comigo, com meu corpo, com as mudan\u00e7as que eu fiz e com as que eu n\u00e3o fiz. Em quest\u00e3o da transi\u00e7\u00e3o, cheguei exatamente aonde queria chegar. Apesar de hoje ser lido como homem, que \u00e9 uma coisa que n\u00e3o me incomoda, continuo batendo na tecla de que n\u00e3o me identifico dessa forma\u201d, avisa Caetano.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O relato dele \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rios. \u201cN\u00e3o sofri muito preconceito. Mas acho importante ressaltar que sou uma pessoa trans branca, de classe m\u00e9dia alta e com uma fam\u00edlia que me deu muito suporte, ent\u00e3o eu n\u00e3o passei e n\u00e3o passo por muitas coisas que outras pessoas trans passam. No geral, tenho uma vida muito tranquila por causa da minha \u2018passabilidade\u2019, porque as pessoas me veem como homem na rua. Esse preconceito n\u00e3o faz parte da minha realidade\u201d, reconhece.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3538\/content_visibilidade-trans.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Wilde Maria Ribeiro, 63 anos, \u00e9 m\u00e3e de um rapaz trans, hoje com 22 anos. Ela conta que recebeu a not\u00edcia quando o filho Noah tinha 17 anos. \u201cEle me chamou no quarto para conversar e disse que tinha algo para me contar. Ele come\u00e7ou a chorar muito e logo pensei em mil coisas ruins. Foi quando ele disse que era transg\u00eanero.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, Wilde confessa que n\u00e3o estava muito por dentro do tema, mas tratou logo de se inteirar. \u201cEu pedi primeiro para que ele me explicasse e ele disse que n\u00e3o se sentia uma mulher, que se via como&nbsp;homem. E isso era desde pequeno. Ele nunca gostou de vestir roupas femininas. Eu insistia porque isso nunca passou pela minha cabe\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira rea\u00e7\u00e3o dela enquanto m\u00e3e foi acalmar e acolher o filho. \u201cDisse a ele \u2018estou aqui para o que der e vier. Vamos procurar ajuda e fazer o que puder para melhorar a sua vida.\u2019 Antes disso, ele era muito fechado, n\u00e3o interagia com ningu\u00e9m. Hoje, \u00e9 outra pessoa.\u201d A partir da\u00ed, a advogada procurou saber como era o processo de retifica\u00e7\u00e3o de nome, correu atr\u00e1s da cirurgia de mastectomia (retirada dos seios) para o filho e da hormoniza\u00e7\u00e3o. Ela integra ainda a ONG M\u00e3es pela Diversidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cM\u00e3e de LGBT tamb\u00e9m \u00e9 LGBT. Se \u00e9 importante para ele, \u00e9 importante para mim tamb\u00e9m\u201d, crava Wilde.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o psic\u00f3logo Glauber Rocha descreve um cen\u00e1rio diferente do vivido por Caetano e por Noah, isso para se ter uma dimens\u00e3o do que a maioria das pessoas trans e travestis enfrentam hoje no Brasil. \u201cImagine uma pessoa, independentemente do g\u00eanero, que ouve constantemente e ininterruptamente, desde o nascimento, que ela n\u00e3o \u00e9 bem-vinda, que o corpo dela n\u00e3o pertence a esse lugar e colocando em voga a sua exist\u00eancia. Todo ser humano que escuta um barulho desse diariamente vai apresentar um cen\u00e1rio de preconceito, abandono e confus\u00e3o. Com pessoas trans, a coisa se torna pior\u201d, diz.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3544\/content_olho-lgbt-1.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o do profissional da sa\u00fade mental, o termo \u201cconfus\u00e3o\u201d chega a ser at\u00e9 problem\u00e1tico. \u201cMuitas vezes as pessoas trans t\u00eam uma clara percep\u00e7\u00e3o de quem elas s\u00e3o. Elas entendem que nasceram no corpo errado. Ent\u00e3o, quando falamos de confus\u00e3o, \u00e9 problem\u00e1tico porque a gente acaba patologizando as quest\u00f5es em torno da transexualidade. O abandono, o preconceito e a confus\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o inerentes das pessoas trans, s\u00e3o quest\u00f5es da sociedade em que as pessoas trans est\u00e3o inseridas\u201d, frisa Glauber. \u201cSomos n\u00f3s que as abandonamos e que olhamos essas pessoas com preconceito.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cA sa\u00fade no Brasil, de um modo geral, \u00e9 precar\u00edssima para todas as pessoas. Mas para n\u00f3s, que n\u00e3o existimos e vivemos \u00e0 margem, \u00e9 pior ainda.\u201d Quem faz a declara\u00e7\u00e3o arrasadora, em todos os sentidos, \u00e9 Renata Peron. Paraibana de 43 anos e vivendo h\u00e1 muitos em S\u00e3o Paulo (\u201cj\u00e1 nem lembro mais\u201d), Renata \u00e9, al\u00e9m de assistente social, uma \u201cartevista\u201d. \u201cSou cantora, atriz e ativista\u201d, explica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela comanda hoje o Centro de Apoio e Inclus\u00e3o Social de Travestis e Transexuais (CAIS). Peron tra\u00e7a um panorama da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram pessoas trans e travestis hoje no Brasil, especialmente no que diz respeito \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 dignidade da pessoa humana, direitos b\u00e1sicos e constitucionais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o rar\u00edssimas exce\u00e7\u00f5es as pessoas travestis e transexuais que conseguem terminar o segundo grau, que n\u00e3o s\u00e3o expulsas de casa, que concluem um curso universit\u00e1rio. A maioria vive na marginalidade, na rua, na prostitui\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 \u00f3bvio que quando esses meninos e meninas v\u00e3o para hospitais e postos de sa\u00fade sofrem muito mais. N\u00e3o respeitam a nossa identidade de g\u00eanero, o nome, n\u00e3o querem deixar usar o banheiro de acordo com a identidade\u201d, aponta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3540\/content_olho-lgbt-2.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Isso sem falar da sa\u00fade mental. A psic\u00f3loga cl\u00ednica Liliany Souza lembra que pessoas trans e travestis enfrentam de forma mais dura essa batalha. \u201cA primeira dificuldade de pessoas trans, no geral, \u00e9 de acessarem&nbsp;o atendimento psicol\u00f3gico, o cuidado \u00e0 sa\u00fade mental. Socialmente, essas pessoas s\u00e3o exclu\u00eddas, marginalizadas e consideradas como corpos n\u00e3o permitidos de transitarem normalmente nos espa\u00e7os\u201d, pontua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Liliany reconhece que o preconceito \u00e0s vezes parte dos pr\u00f3prios profissionais da sa\u00fade, que nem sempre est\u00e3o preparados para acolher pessoas trans, mas o conjunto de fatores agrava toda a situa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0 medida que elas chegam aos consult\u00f3rios, o sofrimento emocional que elas relatam \u00e9 o sentimento de preconceito, de exclus\u00e3o da fam\u00edlia, da f\u00e9. Isso fora a depress\u00e3o, as crises de ansiedade, de medo, de p\u00e2nico\u201d, enumera. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O psic\u00f3logo Glauber Rocha cita mais um fator que pode impedir a chegada de pessoas trans e travestis&nbsp;aos consult\u00f3rios de psicologia. \u201cO atendimento psicol\u00f3gico \u00e9 um servi\u00e7o ainda muito elitizado no Brasil, n\u00e3o \u00e9 um servi\u00e7o de acesso muito democr\u00e1tico. N\u00e3o s\u00f3 as pessoas trans, mas toda e qualquer pessoa que n\u00e3o tenha muito poder aquisitivo&nbsp;tem dificuldade em acessar o trabalho de sa\u00fade mental.\u201d<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aceita\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Nath\u00e1lia Vasconcellos \u00e9 uma aut\u00f4noma de 29 anos. Aos 19, sentiu que algo n\u00e3o se encaixava muito bem na vida dela. \u201cFoi quando eu conheci a primeira mulher trans e comecei a conviver mais com ela. Tive a percep\u00e7\u00e3o de que eu n\u00e3o era o que eu achava que era e que eu me identificava mais com essa mulher\u201d, esclarece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela conta que n\u00e3o foi dif\u00edcil perceber essa mudan\u00e7a. \u201cFoi acontecendo naturalmente. Fui entrando em transi\u00e7\u00e3o basicamente com roupas primeiro, fui pensando em nomes e a minha ajuda foi dessa amiga trans, que me ajudou no processo de transi\u00e7\u00e3o, para eu me entender enquanto mulher e saber como era a vida de uma trans\u201d, relembra.<\/p>\n\n\n\n<p>Como boa parte do p\u00fablico feminino, Nath\u00e1lia admite ainda n\u00e3o se sentir feliz com o corpo. \u201cEu me sinto de certa forma realizada, mas ainda n\u00e3o estou satisfeita com algumas partes do corpo. Mas me sinto realizada com a mulher que me tornei, com a mulher que eu sou hoje em dia.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3541\/content_olho-nathalia.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Nath\u00e1lia diz que cresceu e viveu quase toda a vida com a m\u00e3e \u2013 hoje ela est\u00e1 casada. Ela se recorda que n\u00e3o foi f\u00e1cil para a m\u00e3e encarar a transi\u00e7\u00e3o. \u201cFoi dif\u00edcil para ela essa quest\u00e3o de ter uma filha, e n\u00e3o um filho como era anteriormente. Agora, est\u00e1 mais tranquilo, quase 100% do que era antes\u201d, acredita.<\/p>\n\n\n\n<p>Liliany Souza, psic\u00f3loga cl\u00ednica, lembra que a fam\u00edlia pode ser decisiva nesse processo de transi\u00e7\u00e3o e de aceita\u00e7\u00e3o. \u201cAs principais pessoas nas etapas de vida das pessoas trans e que praticam discrimina\u00e7\u00e3o, preconceito e que colocam essas pessoas em lugar de exclus\u00e3o s\u00e3o as pessoas que as conhecem. Dificilmente as fam\u00edlias aceitam, por isso muitas pessoas trans v\u00e3o precisar da ajuda do Estado, v\u00e3o morar de favor com alguma amiga ou pessoa pr\u00f3xima que entenda a condi\u00e7\u00e3o em que ela se percebe.\u201d &nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Trans no poder e no mercado de trabalho<\/h2>\n\n\n\n<p>As Elei\u00e7\u00f5es 2020 trouxeram gratas surpresas \u00e0 comunidade trans e travesti. Negra, pobre e transvestig\u00eanere, Erika Hilton foi eleita vereadora da cidade de S\u00e3o Paulo no pleito que mais abra\u00e7ou a diversidade. Foi a mulher mais bem votada em todo o Pa\u00eds no ano passado, a mais votada pelo partido (PSOL) e a primeira trans eleita para a C\u00e2mara Municipal paulistana, ultrapassando 50 mil votos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso representa uma mudan\u00e7a cultural, uma disputa de narrativas colocada diante da mesa que levou S\u00e3o Paulo a compreender, nesse momento, a urg\u00eancia de colocar esse corpo que carrega esses demarcadores, que constr\u00f3i essa narrativa pol\u00edtica social em cima do fato de ser mulher, ser negra e ser pobre a ser a mulher mais bem votada\u201d, decreta a vereadora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na opini\u00e3o de Erika, o cen\u00e1rio \u00e9 de \u201cdecad\u00eancia pol\u00edtica e de um fascismo avassalador\u201d, o que atinge diretamente a popula\u00e7\u00e3o trans e travesti. Mas pode ter sido tamb\u00e9m uma forma de as minorias no poder come\u00e7arem a clamar por mudan\u00e7as. \u201cIsso fez com que os movimentos, os mais vulner\u00e1veis fossem chacoalhados para que compreendessem a urg\u00eancia e a import\u00e2ncia de darmos um contragolpe, uma resposta. Meu mandato representa uma movimenta\u00e7\u00e3o, um caminhar para a constru\u00e7\u00e3o de algo que fa\u00e7a o enfrentamento direto e contundente a essa estrutura pol\u00edtica assustadora que tem dominado o nosso Pa\u00eds e as nossas cidades\u201d, clama.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3542\/content_eleicoes-lgbt.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Se a pol\u00edtica tem cada vez mais pessoas ocupando espa\u00e7os, o mercado de trabalho acompanha a evolu\u00e7\u00e3o ainda a passos lentos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO mercado de trabalho emprega as pessoas de acordo com o nome que consta na certid\u00e3o de nascimento, no RG. Nas fichas de emprego, n\u00e3o existe um campo para assinalar o que chamamos de marcador identit\u00e1rio, ou seja, a identidade de g\u00eanero das pessoas. Como n\u00e3o h\u00e1 esse marcador e as pessoas n\u00e3o v\u00e3o colocar na ficha de emprego essa condi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguimos mensurar nem quantificar quantas pessoas trans est\u00e3o empregadas na formalidade ou na informalidade\u201d, diz Keila Simpson, da Antra.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, o levantamento de quantas pessoas trans e travestis est\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 feito pela pr\u00f3pria Associa\u00e7\u00e3o e sem nenhum recurso. Por\u00e9m, ela reconhece que j\u00e1 h\u00e1 um movimento positivo de empresas contratando esse p\u00fablico. \u201cQue bom que a gente tem hoje no Brasil esse aspecto de muitas pessoas trans procurarem essa formalidade, coisa que muito tempo atr\u00e1s a gente n\u00e3o via. Dificilmente voc\u00ea via uma pessoa trans de carteira assinada.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para Renata Peron, do CAIS, as empresas e a popula\u00e7\u00e3o como um todo ainda t\u00eam dificuldade de enxergar trans e travestis como pessoas. \u201cA gente tem uma dificuldade grande de as empresas compreenderem que travestis e transexuais s\u00e3o cidad\u00e3os e cidad\u00e3s, s\u00e3o profissionais que podem trabalhar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Renata Peron - Presidenta do Centro de Apoio e Inclus\u00e3o Social de Travestis e Transexuais (CAIS)\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rQTqNY5ZPOI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Peron sugere que haja um treinamento mais intenso dentro do setor de recursos humanos, o famoso RH. \u201c\u00c9 por l\u00e1 que a gente passa primeiro. \u00c0s vezes o dono de uma empresa tem uma excelente vontade de dar emprego para travestis e transexuais, mas n\u00e3o prepara o corpo funcional, que \u00e9 justamente o RH. E quando digo treinamento n\u00e3o \u00e9 uma vez no ano chamar uma pessoa para dar palestra, como j\u00e1 fiz em algumas empresas, estou falando de uma pol\u00edtica interna de respeito.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Luz no fim do t\u00fanel<\/h2>\n\n\n\n<p>A presidenTRA&nbsp;da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Keila Simpson, garante que, mesmo com um cen\u00e1rio ainda assustador, ela mant\u00e9m a esperan\u00e7a. \u201cTenho 55 anos de idade e desde que me entendo por gente que me assumo travesti. Tenho uma meta de vida de ser uma travesti centen\u00e1ria. Se eu me enxergo assim, claro que penso no futuro. Vim de um processo brasileiro em que pessoas como eu n\u00e3o podiam sair de dia. Hoje vislumbro um futuro mais promissor, com mais inclus\u00e3o, com mais respeito, com essas pessoas cada vez mais inseridas em diversos espa\u00e7os. Mesmo com esse cen\u00e1rio adverso, mesmo com essa pol\u00edtica entranhada de viol\u00eancia, de \u00f3dio e de exclus\u00e3o, mesmo com a pandemia que est\u00e1 dizimando uma parcela importante da popula\u00e7\u00e3o mundial, mesmo assim \u00e9 importante que a gente possa acreditar nesse futuro.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Renata Peron, respons\u00e1vel pelo Centro de Apoio e Inclus\u00e3o Social de Travestis e Transexuais (CAIS), tamb\u00e9m acredita num futuro, mas s\u00f3 ap\u00f3s a mudan\u00e7a do atual governo. \u201cEle (Jair Bolsonaro) caindo talvez a vida melhore um pouco mais, porque eu acho que qualquer presidente que entrar n\u00e3o ser\u00e1, mas nem de longe, parecido com esse da\u00ed. \u00c9 um presidente que n\u00e3o cr\u00ea que as minorias devem ser respeitadas. E quando falo minoria falo no poder, porque n\u00e3o somos minoria. Com a queda desse presidente ou de qualquer outro que tenha esse pensamento, a nossa vida melhore um pouco mais. Mas nada \u00e9 a curto prazo.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela concorda que a data 29 de janeiro, em que se lembra o Dia da Visibilidade Trans no Brasil, \u00e9 importante, mas que precisa ir al\u00e9m disso. \u201cA gente n\u00e3o existe s\u00f3 nesse m\u00eas\u201d, avisa Peron.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3543\/content_Erika_Hilton.png\" alt=\"\" title=\"Vereadora Erika Hilton\/ reprodu\u00e7\u00e3o \"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Caetano Mendes tamb\u00e9m tem um recado. \u201cQuando voc\u00ea se encontra, se percebe e se conhece a ponto de saber quem voc\u00ea \u00e9, assuma isso. Isso \u00e9 muito libertador. Construir a sua vida com base naquilo que voc\u00ea acredita, e n\u00e3o no que os outros v\u00e3o pensar, \u00e9 libertador. E foi o que senti. Muitos eram contra minha transi\u00e7\u00e3o no come\u00e7o, e poder falar que \u2018sou assim\u2019 foi libertador. A \u00fanica pessoa respons\u00e1vel pela sua felicidade \u00e9 voc\u00ea mesma. O melhor presente que voc\u00ea pode se dar nessa vida \u00e9 ser voc\u00ea mesmo. Criem coragem e sejam quem voc\u00ea s\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Nath\u00e1lia Vasconcellos pede que as pessoas trans n\u00e3o desistam do processo de transi\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o desistam do processo, da sua vida, dos seus planos, dos seus sonhos. Vai dar tudo certo. Esperamos cada vez menos depender de pessoas cis para resolver nossas coisas. A passos pequenos temos avan\u00e7ados, mas que, em breve, se as deusas quiserem, possa estar tudo melhor para n\u00f3s. Menos transfobia, menos viol\u00eancia, menos assassinato contra as pessoas trans.\u201d &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A vereadora mais bem votada na cidade de S\u00e3o Paulo garante que vai tentar representar e colocar na mesa todas as demandas e necessidades da comunidade. Enquanto trans, Erika Hilton deixa para tr\u00e1s um passado de preconceito e viol\u00eancia para se tornar um exemplo de que ainda h\u00e1 esperan\u00e7a. \u201cA inser\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 um fator importante para mudas as estruturas, criando fissuras nelas at\u00e9 que elas venham a ruir. Porque n\u00e3o \u00e9 normal, natural e muito menos aceit\u00e1vel que tratem as pessoas transvestig\u00eaneres da forma como s\u00e3o tratadas hoje.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil61.com\/noticias\/dia-da-visibilidade-trans-avancos-sao-celebrados-por-quem-ainda-luta-para-sobreviver-bras213613?email=bethdeoliveira@yahoo.com.br&amp;utm_source=newsletter&amp;utm_medium=newsletter&amp;utm_campaign=newsletter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil 61<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A data \u00e9 celebrada no dia 29 de janeiro, mas muitas conquistas ainda est\u00e3o aqu\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-10010","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10010"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10010\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10013,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10010\/revisions\/10013"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}