{"id":102812,"date":"2025-04-19T05:00:00","date_gmt":"2025-04-19T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=102812"},"modified":"2025-04-18T13:37:07","modified_gmt":"2025-04-18T16:37:07","slug":"mulheres-mostram-trabalhos-que-denunciam-violacoes-de-direitos-humanos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2025\/04\/19\/mulheres-mostram-trabalhos-que-denunciam-violacoes-de-direitos-humanos-2\/","title":{"rendered":"Mulheres mostram trabalhos que denunciam viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos"},"content":{"rendered":"\n<p>\u00c9 de forma coletiva que as mulheres v\u00e3o tecendo, bordando, compartilhando hist\u00f3rias e denunciando as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e socioambientais dos quais s\u00e3o v\u00edtimas no Brasil. Reunidas em oficinas, essas mulheres &#8211; que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) &#8211; v\u00e3o conversando&nbsp;sobre as situa\u00e7\u00f5es que enfrentam e, por entre retalhos, linhas e agulhas, v\u00e3o transformando sua&nbsp;hist\u00f3ria&nbsp;em mem\u00f3rias.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1639386&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1639386&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parte dessas obras produzidas em oficinas foi&nbsp;agora reunida&nbsp;e est\u00e1&nbsp;em exposi\u00e7\u00e3o no Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp), que neste ano trabalha o tema Hist\u00f3rias da Ecologia. Chamada de Mulheres Atingidas por Barragens: bordando direitos, a exposi\u00e7\u00e3o apresenta 34&nbsp;<em>arpilleras<\/em>&nbsp;produzidas por essas mulheres e que denunciam, principalmente, os impactos sociais e ambientais causados pela constru\u00e7\u00e3o, opera\u00e7\u00e3o e pelo rompimento de barragens no pa\u00eds.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Arpilleras<\/em>&nbsp;\u00e9 uma linguagem t\u00eaxtil e politicamente engajada que surgiu no Chile, explicou uma das curadoras da mostra, Isabella Rjeille.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cDurante os anos 70, essa linguagem ganhou tons pol\u00edticos, porque foi utilizada por mulheres para denunciar viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos que estavam ocorrendo&nbsp;durante o regime ditatorial de Augusto Pinochet\u201d, disse ela, em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong><em>Arpillera<\/em>&nbsp;significa juta, uma fibra na qual essas mulheres bordavam as hist\u00f3rias que estavam presenciando. \u201cVendo seus companheiros e seus filhos serem sequestrados pelos militares e todo esse tipo de viola\u00e7\u00e3o, essa era uma maneira de elas registrarem essas hist\u00f3rias nesses bordados, j\u00e1 que existia muita censura&#8221;, explicou a curadora.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, uma&nbsp;<em>arpillera<\/em>&nbsp;\u00e9, na&nbsp;realidade, um testemunho t\u00eaxtil do ambiente social.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cUma&nbsp;<em>arpillera<\/em>&nbsp;n\u00e3o termina no objeto que est\u00e1 na parede. Ela \u00e9 todo o processo de feitura e tamb\u00e9m todo o processo de leitura disso depois\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As oficinas<\/h2>\n\n\n\n<p>O coletivo de mulheres do MAB come\u00e7ou a utilizar essa t\u00e9cnica a partir de 2013.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA&nbsp;gente foi fazer uma oficina na Argentina para aprender essa t\u00e9cnica potente e traz\u00ea-la para o movimento. Foi assim que come\u00e7amos&nbsp;a trabalhar e j\u00e1 temos mais de 200 oficinas realizadas em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds\u201d, contou Iandria Ferreira, da coordena\u00e7\u00e3o nacional do MAB.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Cada pe\u00e7a pode demorar dias para ser confeccionada e&nbsp;todas s\u00e3o elaboradas em grupos de pelo menos cinco mulheres, explicou Caroline Mota, integrante da coordena\u00e7\u00e3o do MAB em S\u00e3o Paulo e da Secretaria Nacional do movimento. \u201cAs&nbsp;<em>arpilheiras<\/em>&nbsp;s\u00e3o bordadas diretamente na juta. \u00c0s vezes, a gente forra a juta com tecido de algod\u00e3o&nbsp;mas, em&nbsp;princ\u00edpio, tem que ter a juta, sen\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 uma&nbsp;<em>arpillera<\/em>. Em todo come\u00e7o de oficina debatemos sobre um tema, seja da regi\u00e3o, seja um tema de que a gente sofre relacionado ao pre\u00e7o da luz ou sobre as enchentes, as barragens ou mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Fazemos ent\u00e3o um debate com as mulheres, em um grupo de, no m\u00ednimo, cinco pessoas.&nbsp;Debatemos&nbsp;o tema e depois continuamos&nbsp;para fazer o bordado\u201d, disse&nbsp;Caroline.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"227\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/masp_-_mulheres_atingidas_por_barragens_bordando_direitos_ph_eduardo_ortega_1.webp\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 18\/04\/2025 - Nova exposi\u00e7\u00e3o no Masp traz trabalhos de mulheres que denunciam viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e socioambientais no Brasil.\nFoto: Mulheres Atingidas por Barragens\/Masp\" class=\"wp-image-102814\" title=\"Mulheres Atingidas por Barragens\/Masp\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/masp_-_mulheres_atingidas_por_barragens_bordando_direitos_ph_eduardo_ortega_1.webp 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/masp_-_mulheres_atingidas_por_barragens_bordando_direitos_ph_eduardo_ortega_1-300x90.webp 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Exposi\u00e7\u00e3o no Masp traz trabalhos de mulheres que denunciam viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos e socioambientais no Brasil &#8211;<strong>&nbsp;Foto Mulheres Atingidas por Barragens\/Masp<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Enquanto no Chile as pe\u00e7as eram produzidas de forma individual, no MAB elas passaram a ser feitas de forma coletiva. \u201cO trip\u00e9 da nossa estrat\u00e9gia \u00e9 a luta, a forma\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o. Como&nbsp;movimento social, a gente acredita numa luta coletiva. As&nbsp;<em>arpilleras<\/em>&nbsp;s\u00e3o o&nbsp;espa\u00e7o onde esse trip\u00e9 acontece\u201d, ressaltou Iandria.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cNessas oficinas h\u00e1 um encontro dessas mulheres, ou seja, voc\u00ea cria um espa\u00e7o seguro para que elas&nbsp;possam dividir, compartilhar e conversar sobre a experi\u00eancia que est\u00e3o tendo naquela situa\u00e7\u00e3o de serem atingidas. Ent\u00e3o, a&nbsp;<em>arpillera<\/em>&nbsp;n\u00e3o \u00e9 apenas um objeto, mas tamb\u00e9m uma ferramenta de educa\u00e7\u00e3o popular\u201d, refor\u00e7ou a curadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Durante a exposi\u00e7\u00e3o, o p\u00fablico poder\u00e1 fazer parte da experi\u00eancia. O MAB vai promover uma oficina de&nbsp;<em>arpilleras&nbsp;<\/em>para o p\u00fablico, no dia 27 de abril, das 10h30 \u00e0s 13h30.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Den\u00fancias<\/h2>\n\n\n\n<p>No Masp, as pe\u00e7as em exposi\u00e7\u00e3o denunciam n\u00e3o s\u00f3 o rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, como tamb\u00e9m a reforma trabalhista, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, a inseguran\u00e7a alimentar, a viol\u00eancia sexual e at\u00e9 mesmo as consequ\u00eancias provocadas pela pandemia da covid-19. \u201cAs artistas [que confeccionaram essas pe\u00e7as] s\u00e3o todas atingidas por barragens. Todas elas foram atingidas pelo modelo energ\u00e9tico e por esse sistema capitalista e patriarcal. Essa \u00e9 a beleza e a den\u00fancia que a gente traz por meio&nbsp;das&nbsp;<em>arpilleras<\/em>\u201d, afirmou&nbsp;Iandria.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das pe\u00e7as, por exemplo, trata do desmatamento. \u201cEnquanto eles desmatam e destroem, n\u00f3s plantamos a vida\u201d, bordaram as mulheres nessa obra.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cHoje em dia, a ideia de atingido e atingida incorpora muitas outras quest\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 pelas barragens, hidrel\u00e9tricas ou minera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m pelos atingidos pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, disse a curadora. \u201cMuitas dessas&nbsp;<em>arpilleras<\/em>&nbsp;v\u00e3o falar da perda de v\u00ednculo com a comunidade, por exemplo, pois quando chega uma barragem, as pessoas s\u00e3o deslocadas. Voc\u00ea \u00e9 expulso daquela regi\u00e3o e vai para outra casa que foi constru\u00edda para receber essas pessoas. S\u00e3o todas casas impessoais, sem nenhum tipo de interven\u00e7\u00e3o de quem vai morar ali. E, muitas vezes, essas casas ficam apenas no nome do homem\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Cada&nbsp;<em>arpillera<\/em>&nbsp;vem acompanhada por uma carta, escrita por essas mulheres. \u201cNa&nbsp;<em>arpillera<\/em>&nbsp;sempre tem uma cartinha, que leva&nbsp;a mensagem de den\u00fancia para todo o pa\u00eds e at\u00e9 para fora dele\u201d, explicou Iandria.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mostra, o p\u00fablico ter\u00e1 acesso \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de seis cartas manuscritas. \u201cTodas as pe\u00e7as t\u00eam uma carta que \u00e9 produzida coletivamente pelas mulheres que a fizeram. Nem todas s\u00e3o manuscritas: algumas s\u00e3o digitadas, mas todas t\u00eam uma carta que fica guardada num bolsinho bordado atr\u00e1s da pe\u00e7a\u201d, disse&nbsp;a curadora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es podem ser encontradas no&nbsp;<a href=\"https:\/\/masp.org.br\/exposicoes\/mulheres-atingidas-por-barragens-bordando-direitos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>site<\/em>&nbsp;da mostra<\/a>. O museu tem entrada gratuita \u00e0s ter\u00e7as-feiras e tamb\u00e9m nas noites de sexta, a partir das 18h. O agendamento para entrada no museu \u00e9 obrigat\u00f3rio no&nbsp;<a href=\"http:\/\/masp.org.br\/ingressos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>site<\/em>&nbsp;do Masp<\/a>.&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Elaine Patr\u00edcia Cruz &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<br>Foto: \u00a9 Mulheres Atingidas por Barragens\/Masp<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 de forma coletiva que as mulheres v\u00e3o tecendo, bordando, compartilhando hist\u00f3rias e denunciando as<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":102813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-102812","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":102815,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102812\/revisions\/102815"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}