{"id":102921,"date":"2025-04-22T08:33:42","date_gmt":"2025-04-22T11:33:42","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=102921"},"modified":"2025-04-22T08:33:42","modified_gmt":"2025-04-22T11:33:42","slug":"apesar-de-evitaveis-mortes-maternas-por-hipertensao-persistem-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2025\/04\/22\/apesar-de-evitaveis-mortes-maternas-por-hipertensao-persistem-no-pais\/","title":{"rendered":"Apesar de evit\u00e1veis, mortes maternas por hipertens\u00e3o persistem no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Problema tem grande rela\u00e7\u00e3o com a desigualdade<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por T\u00e2mara Freire &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil \/ Foto: Arquivo\/Andre Borges\/Ag\u00eancia Bras\u00edlia<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As mortes maternas por hipertens\u00e3o persistem no Brasil, apesar de serem totalmente preven\u00edveis.<\/strong>&nbsp;\u00c9 o que mostra estudo de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que analisou dados de 2012 a 2023 e refor\u00e7ou que o problema tem grande rela\u00e7\u00e3o com a desigualdade.&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1639343&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1639343&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo investigado, a&nbsp;taxa m\u00e9dia de \u00f3bitos entre mulheres ind\u00edgenas superou em mais de duas vezes a de mulheres brancas. J\u00e1 a&nbsp;das mulheres pretas foi quase tr\u00eas vezes maior que a das brancas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 predisposi\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica para uma maior mortalidade por dist\u00farbios hipertensivos da gesta\u00e7\u00e3o nesses grupos. Essas mulheres t\u00eam maior probabilidade de viver em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, ter menos acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e enfrentar barreiras no acesso a cuidados de sa\u00fade de qualidade&#8221;.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O estudo acrescenta que &#8220;<strong>o&nbsp;vi\u00e9s racial sist\u00eamico no sistema de sa\u00fade pode levar a um tratamento preconceituoso e a cuidados desiguais<\/strong>. Al\u00e9m disso, mulheres negras, pardas e ind\u00edgenas podem vivenciar intera\u00e7\u00f5es negativas com profissionais de sa\u00fade, o que contribui para a desconfian\u00e7a nos servi\u00e7os de sa\u00fade e resulta em piores desfechos maternos e perinatais&#8221; .<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Durante o per\u00edodo de 11 anos, quase 21 mil mulheres morreram durante a gravidez, parto ou puerp\u00e9rio. Em cerca de 18% dos casos \u2500&nbsp;3.721 mortes&nbsp;\u2500 as causas foram complica\u00e7\u00f5es da hipertens\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que a taxa de mortes maternas geral do Brasil foi de 61,8 a cada 100 mil nascimentos, abaixo do limite de 70 preconizado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), mas bastante acima dos \u00edndices de pa\u00edses desenvolvidos, que costumam variar de 2 a 5 mortes para cada 100 mil nascimentos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Efeito pandemia<\/h2>\n\n\n\n<p>Considerando apenas as mortes comprovadamente decorrentes de hipertens\u00e3o, a taxa m\u00e9dia foi 11,01 a cada 100 mil nascimentos, e manteve um padr\u00e3o de estabilidade ao longo dos anos, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de 2023, quando baixou para 8.73. Apesar da redu\u00e7\u00e3o, por enquanto, o dado \u00e9 tratado com cautela e considerado um ponto estatisticamente fora da curva.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, em 2022, foi registrado o maior n\u00famero de casos proporcionais: 11,94 mortes a cada 100 mil nascimentos. Os pesquisadores acreditam que esse pico tenha&nbsp;sido uma consequ\u00eancia indireta da pandemia, que desorganizou os servi\u00e7os de sa\u00fade em 2020 e 2021, impactando a assist\u00eancia obst\u00e9trica neste per\u00edodo e nos meses seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o professor do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas, Jos\u00e9 Paulo Guida, um dos autores do estudo, isso j\u00e1 demonstra a import\u00e2ncia do pr\u00e9-natal de qualidade:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Uma mulher n\u00e3o morre de uma hora para outra.&nbsp;Houve diversos momentos em que ela poderia ter sido tratada para n\u00e3o morrer. Ent\u00e3o, logo que a mulher descobre que est\u00e1 gestante, ela deve iniciar o pr\u00e9-natal.&nbsp;Talvez isso n\u00e3o seja a realidade para mulheres que moram em regi\u00f5es mais distantes dos centros urbanos, o que j\u00e1 \u00e9 uma barreira de acesso. Aqui no Brasil, a m\u00e9dia de in\u00edcio do pr\u00e9-natal \u00e9 na&nbsp;16\u00aa semana, ou seja, por volta do quarto m\u00eas&#8221;, ele complementa.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Preven\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 um marco crucial no manejo da hipertens\u00e3o j\u00e1 que&nbsp;<strong>dois medicamentos bastante acess\u00edveis e baratos podem reduzir em 40% a possibilidade de complica\u00e7\u00f5es, desde que comecem a ser administrados antes que a gesta\u00e7\u00e3o complete 16 semanas<\/strong>: o carbonato de c\u00e1lcio e o \u00e1cido acetilsalic\u00edlico (AAS). Em fevereiro, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade determinou a prescri\u00e7\u00e3o do c\u00e1lcio para todas as gestantes e o AAS deve ser utilizado como medida complementar por aquelas que tem maior risco.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Jos\u00e9 Paulo Guida refor\u00e7a que os medicamentos n\u00e3o podem faltar nas unidades de sa\u00fade, e os profissionais de todo o Brasil devem ser capacitados para identificar corretamente os fatores de risco e prescrever adequadamente as medica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 fundamental que na primeira consulta, o profissional obtenha as informa\u00e7\u00f5es sobre os antecedentes dela: como foi a gravidez anterior? Ela \u00e9 muito nova? J\u00e1 tem uma idade avan\u00e7ada? Tem obesidade ou alguma doen\u00e7a? Tudo isso s\u00e3o fatores de risco para ela desenvolver a hipertens\u00e3o durante a gravidez&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As gestantes tamb\u00e9m devem ser orientadas a buscar um servi\u00e7o de emerg\u00eancia imediatamente caso apresentam sintomas como:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Dor de cabe\u00e7a constante;<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Incha\u00e7o significativo, principalmente no rosto e nos bra\u00e7os;<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Dor de est\u00f4mago e n\u00e1useas, com a gesta\u00e7\u00e3o mais avan\u00e7ada;<\/strong><\/li>\n\n\n\n<li><strong>Surgimento de pontinhos brilhantes na vista.<\/strong><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>&#8220;A\u00ed, entra uma outra interven\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a principal para evitar a morte: o sulfato de magn\u00e9sio. Ele reduz muito a chance de uma convuls\u00e3o por causa press\u00e3o alta. E quando a mulher tem a convuls\u00e3o, ela tem quase 50% risco de morrer&#8221;, alerta o professor da Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m identificou que a propor\u00e7\u00e3o de mortes aumenta significativamente ap\u00f3s os 40 anos, e a taxa m\u00e9dia se aproximou de 31 mortes a cada cem mil nascimentos. De acordo com Guida, mulheres nessa faixa et\u00e1ria t\u00eam mais chance de engravidarem j\u00e1 com problemas de sa\u00fade, como a pr\u00f3pria hipertens\u00e3o, ou o diabetes, o que aumenta o risco de apresentar alguma gravidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 a possibilidade de que as mortes por hipertens\u00e3o sejam ainda mais numerosas, j\u00e1 que 2,4 mil&nbsp;mulheres morreram no per\u00edodo analisado&nbsp;por hemorragia e, conforme o professor da Unicamp explica, a hipertens\u00e3o provoca a destrui\u00e7\u00e3o das plaquetas, dificultando a coagula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, o que tamb\u00e9m pode levar a esse desfecho.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Problema tem grande rela\u00e7\u00e3o com a desigualdade Por T\u00e2mara Freire &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":102922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-102921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102921"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":102923,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102921\/revisions\/102923"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}