{"id":10516,"date":"2021-02-18T08:56:25","date_gmt":"2021-02-18T11:56:25","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=10516"},"modified":"2021-02-18T08:56:28","modified_gmt":"2021-02-18T11:56:28","slug":"como-a-pandemia-mudou-os-habitos-alimentares-dos-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2021\/02\/18\/como-a-pandemia-mudou-os-habitos-alimentares-dos-brasileiros\/","title":{"rendered":"Como a pandemia mudou os h\u00e1bitos alimentares dos brasileiros"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma pesquisa elaborada pelo Unicef mostra que o consumo de alimentos industrializados cresceu em meio \u00e0 pandemia, especialmente em lares com crian\u00e7as e adolescentes<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia do novo coronav\u00edrus teve impactos sem precedentes no Brasil. Al\u00e9m da Covid-19, o Pa\u00eds teve que lidar com outra realidade que foi ainda mais evidenciada nesse per\u00edodo: o aumento no consumo de alimentos n\u00e3o saud\u00e1veis, especialmente nas camadas mais vulner\u00e1veis. Para entender sobre os impactos da Covid-19 na vida de crian\u00e7as, adolescentes e suas fam\u00edlias, o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (UNICEF)&nbsp;elaborou a pesquisa \u201c<a href=\"http:\/\/file:\/\/\/C:\/Users\/Ag%C3%AAncia%20do%20R%C3%A1dio\/Downloads\/apresentacao_segunda-rodada_pesquisa_impactos-primarios-secundarios-covid-19-criancas-adolescentes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Impactos prim\u00e1rios e secund\u00e1rios da Covid-19 em Crian\u00e7as e Adolescentes<\/a>\u201d. Com duas rodadas de entrevista (uma em julho e outra em novembro de 2020), realizadas pelo Ibope Intelig\u00eancia, as entidades conversaram com 1,5 mil fam\u00edlias brasileiras para conhecer a situa\u00e7\u00e3o do antes e o depois da pandemia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os itens abordados na pesquisa foram renda familiar, seguran\u00e7a alimentar, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade mental. Entre os entrevistados, 53% eram mulheres e a idade geral variou entre 18 e 55 anos ou mais \u2013 esse \u00faltimo grupo correspondeu a quase 30% do total.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os entrevistados, 46% se declararam como brancos e o restante se dividiu entre pardos (40%) e negros (10%). A maior parte das entrevistas se concentrou na regi\u00e3o Sudeste (44%), seguido das regi\u00f5es Nordeste (26%), Sul (15%), Centro-Oeste (8%) e Norte (tamb\u00e9m com 8%). Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, a maioria se declarou pertencente \u00e0 classe C (46%), com ganho entre um e dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos (30%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3615\/content_perfil.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3616\/content_artes-unicef-32_%281%29.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre os dados que mais chamaram aten\u00e7\u00e3o, est\u00e3o os que envolvem fam\u00edlias com crian\u00e7as e adolescentes. Cerca de 44% dos participantes da pesquisa disseram morar com crian\u00e7as e\/ou adolescentes com idade entre 0 e 17 anos. Num comparativo entre julho e novembro, o consumo de alimentos industrializados aumentou nas casas dos brasileiros, per\u00edodo da pandemia. E foi observado que o aumento no consumo desses tipos de alimentos segue maior entre residentes com crian\u00e7as e adolescentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o temos d\u00favidas de que os alimentos industrializados est\u00e3o cada vez mais baratos e mais acess\u00edveis. Nos \u00faltimos anos, de acordo com a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (<a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101742.pdf\" target=\"_blank\">POF\/IBGE<\/a>), quando se fala sobre os gastos da popula\u00e7\u00e3o brasileira com alimenta\u00e7\u00e3o, vemos que tem aumentado muito o gasto com os industrializados tamb\u00e9m porque eles t\u00eam diminu\u00eddo o valor ao longo do tempo. E isso ocorre em detrimento do consumo de alimentos mais saud\u00e1veis\u201d, alerta a oficial de Sa\u00fade do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa, em novembro, 54% dos participantes relataram mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos alimentares em casa \u2013 em julho, esse n\u00famero era de 49%. Entre os entrevistados em novembro, 21% declararam&nbsp;ter aumentado o consumo de alimentos preparados em restaurantes <em>fast food<\/em>, e 29% aumentaram&nbsp;o consumo de alimentos industrializados. Nas fam\u00edlias com crian\u00e7as e adolescentes, o consumo destes alimentos foi ainda maior, chegando a 36% Com refrigerantes e bebidas a\u00e7ucaradas, o fen\u00f4meno foi semelhante: 29% responderam que aumentaram o seu consumo durante a pandemia, enquanto nas resid\u00eancias com crian\u00e7as entre 0 e 17 anos o n\u00famero chegou a 34%.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEssa mudan\u00e7a no h\u00e1bito alimentar a gente j\u00e1 vinha percebendo, ela n\u00e3o \u00e9 de agora. \u00c9 uma mudan\u00e7a que, infelizmente, faz parte de uma epidemia global de aumento de peso e da obesidade por conta da altera\u00e7\u00e3o no consumo de alimentos. As pessoas est\u00e3o migrando cada vez mais para alimentos ultraprocessados, com muito sal, gordura, a\u00e7\u00facar, aditivos e pouqu\u00edssimo nutriente\u201d, explica a chefe de Sa\u00fade do Unicef no Brasil, Cristina Albuquerque.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3618\/content_Olho-2.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Falta de dinheiro<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro dado preocupante trazido pela pesquisa do Unicef \u00e9 que muitos brasileiros ficaram sem comer por falta de dinheiro. Cerca de 8% da popula\u00e7\u00e3o com crian\u00e7as e adolescentes em casa, o que corresponde a 5,5 milh\u00f5es de pessoas, deixou de comer porque n\u00e3o havia mais dinheiro para comprar. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Jackson de Toni, economista do Ibmec\/DF, classifica como complexo o tema da inseguran\u00e7a alimentar no Brasil e acredita ser um desafio enfrentado h\u00e1 muitos anos no Pa\u00eds. \u201cComo qualquer Pa\u00eds desigual e em desenvolvimento, o Brasil possui uma parte da popula\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel. E a inseguran\u00e7a alimentar atinge exatamente a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cSempre quando h\u00e1 crise econ\u00f4mica, problemas de desemprego em massa, a grande preocupa\u00e7\u00e3o que os governos devem ter \u00e9 exatamente garantir o m\u00ednimo para a sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, que gasta a maior parte do que recebe em alimenta\u00e7\u00e3o\u201d, enfatiza o economista. Para corroborar com essa constata\u00e7\u00e3o, o economista tamb\u00e9m cita a <a href=\"https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/visualizacao\/livros\/liv101742.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares<\/a> (POF), do IBGE, realizada em 2017-2018, que indicou que cerca de 60% do or\u00e7amento das fam\u00edlias com at\u00e9 dois sal\u00e1rios-m\u00ednimos v\u00e3o para a alimenta\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3623\/content_POF_Erica.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Os recentes dados da POF tamb\u00e9m apontam para uma mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos alimentares dos brasileiros. Houve uma redu\u00e7\u00e3o no consumo de alimentos considerados b\u00e1sicos, como o arroz e feij\u00e3o: o consumo de feij\u00e3o variou de 72,8% em 2008-2009 para 60,0% em 2017. O arroz tamb\u00e9m passou de 84,0% para 76,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando pensamos nessas fam\u00edlias que tiveram uma renda diminu\u00edda, que n\u00e3o t\u00eam acesso a alimentos saud\u00e1veis, \u00e9 desafiador para eles ter uma alimenta\u00e7\u00e3o assim em tempos de crise. Precisamos pensar para al\u00e9m desses&nbsp;tempos de crise\u201d, completa Stephanie Amaral, do UNICEF.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as alternativas citadas pelas especialistas, est\u00e1 a de consumir alimentos da esta\u00e7\u00e3o (especialmente frutas e verduras) e voltar para o b\u00e1sico de todo brasileiro: arroz e feij\u00e3o. \u201cCozinhar \u00e9 um h\u00e1bito bom, normalmente associado a h\u00e1bitos mais saud\u00e1veis. \u00c9 descascar mais e desembalar menos\u201d, sugere a oficial de sa\u00fade do UNICEF, Stephanie Amaral.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3624\/content_trabalho-antes-durante-pandemia_Erica.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dificuldade de acesso e consumo de alimentos industrializados<\/h2>\n\n\n\n<p>A manicure Nerc\u00edlia de Melo, 37 anos, \u00e9 moradora do bairro Jardim Violeta, em Fortaleza (CE). Na casa dela, a alimenta\u00e7\u00e3o tem que ser dividida entre dois adultos e quatro crian\u00e7as, com idades entre 5 e 15 anos. \u201cEles podem comer o que posso dar\u201d, relata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A rotina alimentar dela e da fam\u00edlia, especialmente na pandemia, \u00e9 trabalhar com o que tem. \u201cDe manh\u00e3, \u00e9 um caf\u00e9 com p\u00e3o, depois vem o almo\u00e7o. E o que sobra do almo\u00e7o eu dou na janta.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nerc\u00edlia confessa que o consumo de industrializados \u00e9 uma realidade em casa, especialmente entre os filhos. \u201cEu n\u00e3o como tanto, mas eles gostam muito de mortadela. \u00c9 mais em conta, n\u00e9? Mortadela, salsicha. Compro esses produtos porque s\u00e3o mais baratos, n\u00e3o vou mentir. A mortadela d\u00e1 para comprar e fatiar, ent\u00e3o d\u00e1 para todos. \u00c9 mais barato para mim que sou m\u00e3e.\u201d &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E relatos assim n\u00e3o s\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o. Stephanie Amaral explica que muitas fam\u00edlias vulner\u00e1veis, especialmente as que moram nas favelas, vivem no que os estudos chamam de \u201cdesertos alimentares\u201d. \u201cS\u00e3o \u00e1reas em que \u00e9 dif\u00edcil o acesso a alimentos frescos, como frutas e verduras. E isso \u00e9 muito mais predominante em \u00e1reas de maior vulnerabilidade, em bairros perif\u00e9ricos. \u00c9 mais f\u00e1cil a gente encontrar lojas de conveni\u00eancia, que vendem alimentos industrializados, do que encontrar uma feira, um sacol\u00e3o. Isso significa que uma pessoa que mora em bairros assim precisa se deslocar para ter acesso a alimentos saud\u00e1veis.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/3622\/content_olho-1.png\" alt=\"\" title=\"Cria\u00e7\u00e3o: Erica Passos\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com a pandemia, segundo a nutricionista, esse acesso ficou mais dif\u00edcil ainda, especialmente pelas orienta\u00e7\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) de manter o distanciamento e isolamento social. \u201cA pandemia alterou nossa possibilidade de deslocamento, j\u00e1 que, para evitar a transmiss\u00e3o da Covid-19, a gente precisa ficar em casa. S\u00e3o fatores que colaboram para haver essa mudan\u00e7a no padr\u00e3o de alimenta\u00e7\u00e3o e para que as pessoas consumam mais alimentos industrializados\u201d, constata.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/brasil61.com\/noticias\/como-a-pandemia-mudou-os-habitos-alimentares-dos-brasileiros-ucef210083?email=bethdeoliveira@yahoo.com.br&amp;utm_source=email_individual&amp;utm_medium=email_individual&amp;utm_campaign=email_individual\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Brasil 61<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa elaborada pelo Unicef mostra que o consumo de alimentos industrializados cresceu em meio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":10517,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-10516","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10516"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10518,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10516\/revisions\/10518"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}