{"id":20521,"date":"2021-09-06T17:26:48","date_gmt":"2021-09-06T20:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=20521"},"modified":"2021-09-06T17:26:51","modified_gmt":"2021-09-06T20:26:51","slug":"jornada-paralimpica-do-brasil-e-historica-em-qualquer-recorte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2021\/09\/06\/jornada-paralimpica-do-brasil-e-historica-em-qualquer-recorte\/","title":{"rendered":"Jornada paral\u00edmpica do Brasil \u00e9 hist\u00f3rica em qualquer recorte"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Recorde de ouros e renova\u00e7\u00e3o de talentos marcam trajet\u00f3ria em T\u00f3quio<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Lincoln Chaves &#8211; Rep\u00f3rter da TV Brasil e da R\u00e1dio Nacional &#8211; S\u00e3o Paulo<\/h4>\n\n\n\n<p>Quando se estabelecem metas, atingi-las pode soar como obriga\u00e7\u00e3o. A leitura, por\u00e9m, n\u00e3o pode sempre ser assim fria, ainda mais quando o caminho \u00e9 tomado por percal\u00e7os que n\u00e3o poderiam ser previstos, como uma pandemia que colocou o mundo de joelhos. Por isso, a delega\u00e7\u00e3o brasileira alcan\u00e7ar, na Paralimp\u00edada de T\u00f3quio (Jap\u00e3o), os objetivos tra\u00e7ados l\u00e1 no come\u00e7o do ciclo, pode sim ser considerado um feito excepcional.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1420792&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1420792&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Quando anunciou o planejamento estrat\u00e9gico do per\u00edodo entre 2017 e 2024, uma das metas do Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro (CPB) era manter o pa\u00eds entre os dez melhores do quadro de medalhas. Em T\u00f3quio, a marca foi alcan\u00e7ada com o s\u00e9timo lugar, repetindo a coloca\u00e7\u00e3o dos Jogos de Londres (Gr\u00e3-Bretanha), at\u00e9 ent\u00e3o a melhor campanha do Brasil no evento.<\/p>\n\n\n\n<p>O desempenho na capital japonesa, por\u00e9m, supera (muito) o de nove anos atr\u00e1s. Foram 22 medalhas de ouro (contra 21 em Londres). Nunca o Brasil retornou de uma Paralimp\u00edada t\u00e3o dourado. Al\u00e9m disso, se em 2012 os brasileiros ficaram dez ouros atr\u00e1s do sexto colocado (Estados Unidos), agora foram apenas dois topos de p\u00f3dio a menos que o pa\u00eds imediatamente \u00e0 frente (Ucr\u00e2nia).<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, durante boa parte dos Jogos em T\u00f3quio, o Brasil brigou medalha a medalha com Ucr\u00e2nia, Holanda e Austr\u00e1lia por um posto no top-5, ao lado das pot\u00eancias China (l\u00edder pela quinta edi\u00e7\u00e3o consecutiva), Gr\u00e3-Bretanha, Estados Unidos e R\u00fassia (representada pelo Comit\u00ea Paral\u00edmpico Russo, em raz\u00e3o de san\u00e7\u00f5es \u00e0s quais o pa\u00eds foi submetido por casos de doping). Se, na reta final, os brasileiros foram ultrapassados pelos holandeses, por outro ficaram \u00e0 frente dos australianos, tradicionais participantes do movimento paral\u00edmpico.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra diferen\u00e7a fundamental na compara\u00e7\u00e3o com Londres \u00e9 o n\u00famero total de medalhas. Na capital brit\u00e2nica, foram 43. Na japonesa, 72. Quase o dobro. O mesmo n\u00famero obtido nos Jogos do Rio de Janeiro, h\u00e1 cinco anos, quando o Brasil n\u00e3o s\u00f3 possuiu uma delega\u00e7\u00e3o mais numerosa (286 atletas, contra 259 em T\u00f3quio), como esteve presente nas 22 modalidades do programa paral\u00edmpico. No Jap\u00e3o, o Brasil n\u00e3o teve representantes no basquete e no rugby em cadeira de rodas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vale um par\u00eantese. No j\u00e1 mencionado planejamento estrat\u00e9gico, o CPB estimava subir ao p\u00f3dio entre 60 e 75 vezes em T\u00f3quio. As 72 medalhas, portanto, atendem a expectativa e quase a superam. Por\u00e9m, considerando o impacto da pandemia do novo coronav\u00edrus (covid-19), que interrompeu treinos, cancelou competi\u00e7\u00f5es, obrigou t\u00e9cnicos e atletas a revisarem prepara\u00e7\u00f5es e criou um ambiente de incerteza (n\u00e3o somente do ponto de vista esportivo), avaliar que este resultado, na verdade, vai al\u00e9m das expectativas, n\u00e3o \u00e9 um exagero.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a diferen\u00e7a no n\u00famero de ouros (22 a 14) j\u00e1 seria suficiente para desempatar o comparativo entre o desempenho em T\u00f3quio e no Rio, segue outra estat\u00edstica. Na capital nip\u00f4nica, os brasileiros foram ao p\u00f3dio em 14 modalidades, uma a mais que na cidade fluminense. Vale, aqui, um destaque ao parataekwondo, estreante em Paralimp\u00edada, onde o Brasil medalhou com os tr\u00eas atletas que levou ao Jap\u00e3o. Nathan Torquato (ouro), Debora Menezes (prata) e Silvana Fernandes (bronze) garantiram o pa\u00eds no topo do quadro de medalhas do esporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Como era de se esperar, por serem as equipes mais numerosas da delega\u00e7\u00e3o, atletismo e nata\u00e7\u00e3o foram os carros-chefe do Brasil. Na pista e no campo do Est\u00e1dio Ol\u00edmpico de T\u00f3quio, o pa\u00eds conquistou 28 medalhas. S\u00e3o cinco a menos que no Rio, \u00e9 verdade, mas at\u00e9 a\u00ed \u00e9 poss\u00edvel fazer um recorte positivo. O n\u00famero de ouros, por exemplo, foi o mesmo (oito). Poderia ser maior, n\u00e3o fosse a inexplic\u00e1vel (at\u00e9 agora) anula\u00e7\u00e3o das marcas que dariam a Thiago Paulino o primeiro lugar no arremesso de peso da classe F57 (atletas com defici\u00eancia nos membros inferiores, que competem sentados).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, considerando apenas as provas individuais, foram 23 atletas diferentes subindo ao p\u00f3dio (ante 22 na Rio 2016), sendo 16 novos medalhistas. Boa parte deles refer\u00eancias de uma nova gera\u00e7\u00e3o, como Vin\u00edcius Rodrigues (prata nos 100m da classe T63 &#8211; amputados de perna), Thomas Ruan (prata nos 400m da T47 &#8211; amputados de bra\u00e7o), Washington J\u00fanior (bronze nos 100m da T47) e Jard\u00eania F\u00e9lix (bronze nos 400m da T20 &#8211; atletas com defici\u00eancia intelectual). Esta \u00faltima, com apenas 17 anos, foi a mulher mais jovem da delega\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Renova\u00e7\u00e3o ainda mais evidente na nata\u00e7\u00e3o brasileira, que teve seu melhor desempenho na hist\u00f3ria dos Jogos, com 23 medalhas, sendo oito de ouro. O interessante \u00e9 que ap\u00f3s tr\u00eas Paralimp\u00edadas com apenas dois nadadores do pa\u00eds (Andr\u00e9 Brasil e Daniel Dias) no topo do p\u00f3dio, em T\u00f3quio foram cinco atletas diferentes ostentando a l\u00e1urea dourada: Talisson Glock, Gabriel Bandeira, Gabriel Ara\u00fajo (o Gabrielzinho), Wendell Belarmino e Carol Santiago. Deles, apenas Talisson havia competido nos Jogos de 2016 (Rio de Janeiro).<\/p>\n\n\n\n<p>Dos novatos, apenas Carol, introduzida tardiamente ao movimento paral\u00edmpico, supera os 23 anos. A nadadora de 36 anos, ali\u00e1s, foi a protagonista do Brasil em T\u00f3quio, com cinco medalhas: tr\u00eas ouros, uma prata e um bronze. Gabrielzinho (19 anos) e Wendell (23), por sua vez, despontaram primeiro em edi\u00e7\u00f5es da Paralimp\u00edada Escolar, considerado o maior evento de esporte adaptado no mundo para jovens desta faixa et\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>A variedade de medalhistas na piscina do Centro Aqu\u00e1tico de T\u00f3quio tamb\u00e9m vai al\u00e9m do Rio. No Jap\u00e3o, dez atletas subiram ao p\u00f3dio ao menos uma vez em provas individuais (metade deles no topo). No Brasil, foram oito nadadores a terem o gostinho da medalha, sendo que s\u00f3 Daniel Dias levou ouro. Ali\u00e1s, \u00e9 simb\u00f3lico que, na edi\u00e7\u00e3o em que o multicampe\u00e3o encerra a carreira profissional (com impressionantes 27 l\u00e1ureas), uma nova safra surja com esse vigor para dar sequ\u00eancia ao legado dele, Andr\u00e9, Clodoaldo Silva e outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A nata\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi a \u00fanica modalidade em que o Brasil celebrou novos campe\u00f5es. No jud\u00f4, Alana Maldonado coroou um ciclo marcado pelo t\u00edtulo mundial em 2018 (ap\u00f3s se recuperar de uma cirurgia no joelho) e a lideran\u00e7a do ranking da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Esportes para Cegos (IBSA, sigla em ingl\u00eas) com o ouro in\u00e9dito de uma mulher brasileira na modalidade. Pioneirismo tamb\u00e9m atingido no halterofilismo por Mariana D&#8217;Andrea. O hino nacional ainda tocou de forma in\u00e9dita na paracanoagem, com o primeiro ouro obtido pelo pa\u00eds no esporte, com Fernando Rufino, o Cowboy de A\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Faltou falar do goalball, mas este merece um par\u00e1grafo a parte. \u00c9 poss\u00edvel fazer uma analogia com o futebol brasileiro at\u00e9 a Olimp\u00edada do Rio de Janeiro: campe\u00e3o mundial, considerado o melhor do mundo, mas que sempre batia na trave nos Jogos. Em T\u00f3quio, Leomon, Rom\u00e1rio, Z\u00e9 Roberto, Parazinho e Alex, todos remanescentes do bronze em 2016 (os tr\u00eas primeiros ainda foram prata em Londres 2012), enfim celebraram o ouro. S\u00f3 Emerson, no elenco masculino, disputou a primeira Paralimp\u00edada da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A derrota por 8 a 6 para os Estados Unidos na primeira fase, a \u00fanica da campanha, n\u00e3o muda a autoridade com a qual os brasileiros chegaram ao t\u00edtulo, com direito a duas goleadas (11 a 2 e 9 a 5) sobre a Litu\u00e2nia, campe\u00e3 no Rio. Na final, a vit\u00f3ria por 7 a 2 sobre a China, com o jogo sob controle desde o in\u00edcio, n\u00e3o deixou d\u00favidas sobre a justi\u00e7a do t\u00edtulo naquela que \u00e9 a \u00fanica modalidade paral\u00edmpica a n\u00e3o ser uma adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma campanha de recupera\u00e7\u00e3o, o time feminino esteve pr\u00f3ximo de uma decis\u00e3o in\u00e9dita. Na semifinal, as brasileiras venciam as norte-americanas por 2 a 1 at\u00e9 17 segundos do fim, quando sofreram o empate, caindo nos p\u00eanaltis. Diferente da sele\u00e7\u00e3o masculina, a das mulheres foi a T\u00f3quio reformulada no goalball. Somente duas jogadoras (Ana Carolina e Vict\u00f3ria Amorim), entre as seis convocadas, tinham hist\u00f3rico de Paralimp\u00edada. Se n\u00e3o veio medalha com o quarto lugar, fica a sensa\u00e7\u00e3o de uma equipe amadurecida para buscar o p\u00f3dio em 2024.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali\u00e1s, o que esperar na Paralimp\u00edada de Paris (Fran\u00e7a)? Por um lado, trata-se de um ciclo bem mais curto que o normal, de apenas tr\u00eas anos, com uma margem de erro menor que no intervalo entre Rio e T\u00f3quio. Por outro, como a renova\u00e7\u00e3o entre uma edi\u00e7\u00e3o e outra j\u00e1 come\u00e7ou no Jap\u00e3o, com caras novas despontando nas principais modalidades, d\u00e1 para inferir que o Brasil, de alguma forma, ganhou tempo no processo.<\/p>\n\n\n\n<p>No j\u00e1 citado planejamento estrat\u00e9gico 2017\/2024, a previs\u00e3o na capital francesa era que o Brasil n\u00e3o apenas siga no top-10 do quadro, como v\u00e1 ao p\u00f3dio entre 70 e 90 vezes. Ap\u00f3s duas edi\u00e7\u00f5es seguidas batendo na casa das 70 medalhas, sendo a \u00faltima ap\u00f3s um fim de ciclo tumultuado, o que l\u00e1 atr\u00e1s poderia soar ousado demais, hoje n\u00e3o parece t\u00e3o distante assim. O caminho at\u00e9 Paris est\u00e1 oficialmente aberto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recorde de ouros e renova\u00e7\u00e3o de talentos marcam trajet\u00f3ria em T\u00f3quio Por Lincoln Chaves &#8211;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20522,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-20521","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20521"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20521\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20523,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20521\/revisions\/20523"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20522"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}