{"id":21894,"date":"2021-10-01T15:33:39","date_gmt":"2021-10-01T18:33:39","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=21894"},"modified":"2021-10-01T15:33:42","modified_gmt":"2021-10-01T18:33:42","slug":"savanizacao-da-amazonia-e-calor-podem-ser-fatais-para-saude-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2021\/10\/01\/savanizacao-da-amazonia-e-calor-podem-ser-fatais-para-saude-humana\/","title":{"rendered":"Savaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e calor podem ser fatais para sa\u00fade humana"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Estudo foi realizado por pesquisadores da Fiocruz, do Inpe e da USP<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<\/h4>\n\n\n\n<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia, com a substitui\u00e7\u00e3o das florestas por uma vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica de savanas, combinado com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pode trazer consequ\u00eancias fatais para o ser humano, principalmente em regi\u00f5es onde residem popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, que poder\u00e3o ficar expostas ao risco de exposi\u00e7\u00e3o a estresse por calor, situa\u00e7\u00e3o em que as condi\u00e7\u00f5es ambientais n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis para que o homem possa manter sua temperatura corporal.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1423259&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1423259&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es do primeiro estudo dos impactos combinados do desmatamento e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade humana, realizado pelos pesquisadores Beatriz Alves de Oliveira, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz do Piau\u00ed (Fiocruz PI); Marcus Bottino e Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Carlos Nobre, do Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo (IEA\/USP).<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando n\u00f3s temos um ambiente com alta temperatura e tamb\u00e9m com alta umidade do ar, nosso corpo tem mais dificuldade de troca de calor com o meio externo e isso, em algumas situa\u00e7\u00f5es, pode ser fatal. No nosso estudo, mostramos que, com a savaniza\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica, que \u00e9 traduzida aqui pela substitui\u00e7\u00e3o da floresta por uma vegeta\u00e7\u00e3o do tipo savana, potencializa esse risco de exposi\u00e7\u00e3o a estresse por calor. E isso pode impactar, principalmente, grupos priorit\u00e1rios como, por exemplo, idosos, crian\u00e7as, popula\u00e7\u00f5es com condi\u00e7\u00f5es pregressas e, al\u00e9m disso, algumas atividades, como atividades ocupacionais e esportivas\u201d, exp\u00f4s Beatriz Alves de Oliveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo afirmou, os efeitos v\u00e3o ser sentidos a n\u00edvel local e regional, afetando munic\u00edpios da Amaz\u00f4nia e da Regi\u00e3o Norte, que t\u00eam baixa capacidade de resili\u00eancia e alta vulnerabilidade social. O estudo aponta para uma necessidade de gerar e de impulsionar a\u00e7\u00f5es coordenadas de alguns setores, entre os quais sa\u00fade, energia, infraestrutura e prote\u00e7\u00e3o social, para evitar esses efeitos negativos, especialmente nessas regi\u00f5es que podem ser vulner\u00e1veis a esses riscos extremos, salientou a pesquisadora de Sa\u00fade P\u00fablica da Fiocruz Piau\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Beatriz, os efeitos locais das mudan\u00e7as no uso da terra est\u00e3o diretamente ligados \u00e0s pol\u00edticas e estrat\u00e9gias de sustentabilidade das florestas. \u201cE as mudan\u00e7as nessas \u00e1reas est\u00e3o ao alcance da sociedade. Nessas \u00e1reas, o setor de sa\u00fade poderia ser um importante motivador na formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas integrativas para mitigar o risco de estresse t\u00e9rmico e a redu\u00e7\u00e3o da vulnerabilidade social\u201d, apontou.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo&nbsp;<em>Desmatamento e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas projetam aumento do risco de estresse t\u00e9rmico na Amaz\u00f4nia Brasileira<\/em>&nbsp;sinaliza que existe um limite de desmatamento da Amaz\u00f4nia que impactar\u00e1 a sobreviv\u00eancia da esp\u00e9cie humana. Esse limite \u00e9 acompanhado por um \u201cefeito extremo na sa\u00fade\u201d que deixar\u00e1 cerca de 12 milh\u00f5es de pessoas da regi\u00e3o Norte do Brasil expostas ao risco extremo de estresse t\u00e9rmico, at\u00e9 2100, quando ser\u00e3o atingidos os limites de adapta\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica do corpo humano devido ao desmatamento. Em resumo, o que a pesquisa quer dizer \u00e9 que o ser humano n\u00e3o ser\u00e1 capaz de manter sua temperatura corporal sem adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resfriamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores analisam que sob condi\u00e7\u00f5es ambientais desfavor\u00e1veis, que incluem alta exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura e umidade, as capacidades de resfriamento do corpo enfraquecem, ocasionando aumento da temperatura corporal. Em consequ\u00eancia, isso pode provocar desidrata\u00e7\u00e3o e exaust\u00e3o e, em casos mais graves, tens\u00e3o e colapso das fun\u00e7\u00f5es vitais, levando \u00e0 morte. Al\u00e9m disso, o estresse causado pelo calor pode afetar o humor, causar dist\u00farbios mentais e reduzir o desempenho f\u00edsico e psicol\u00f3gico das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Paulo Nobre, pesquisador do Inpe, \u201cas condi\u00e7\u00f5es extremas de calor induzidas pelo desmatamento podem ter efeitos negativos e significativamente duradouros na sa\u00fade humana\u201d. Destacou a necessidade de se entender globalmente que \u201cse o desmatamento continuar nas propor\u00e7\u00f5es atuais, os efeitos ser\u00e3o dram\u00e1ticos para a civiliza\u00e7\u00e3o. Essas descobertas t\u00eam s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que v\u00e3o al\u00e9m dos danos \u00e0s lavouras de soja\u201d, afirmou Nobre.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, com base em dados observacionais, os efeitos combinados do desmatamento e das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 est\u00e3o sendo relatados, com os valores de aquecimento mais extremos comprovados em grandes \u00e1reas desmatadas no per\u00edodo de 2003 a 2018, indica o estudo. As modelagens clim\u00e1ticas feitas pelos pesquisadores evidenciam que a combina\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a no uso da terra e aquecimento global pode ampliar ainda mais os riscos ocupacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os fatores induzidos pelo homem e respons\u00e1veis pela savaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, como aumento do n\u00famero de inc\u00eandios florestais, expans\u00e3o de \u00e1reas agr\u00edcolas e atividades de minera\u00e7\u00e3o, tendem a impulsionar o crescimento desordenado e um processo de urbaniza\u00e7\u00e3o sem planejamento, com falta de infraestrutura sanit\u00e1ria b\u00e1sica e trabalho informal mais frequente. \u201cEsses fatores est\u00e3o associados ao processo de desmatamento e ao aumento da desigualdade e da vulnerabilidade, que atuam em sinergia com os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, aumentando ainda mais a demanda por servi\u00e7os de sa\u00fade e prote\u00e7\u00e3o social na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira\u201d, explicam os pesquisadores.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impactos<\/h2>\n\n\n\n<p>Os maiores impactos diretos ser\u00e3o sentidos na Regi\u00e3o Norte do pa\u00eds. Do total de 5.565 munic\u00edpios brasileiros, 16% deles, ou o correspondente a uma popula\u00e7\u00e3o de 30 milh\u00f5es de pessoas, sofrer\u00e3o impactos por estresse t\u00e9rmico com a savaniza\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica. Da popula\u00e7\u00e3o impactada, 42% residem em munic\u00edpios do Norte brasileiro, que apresenta baixa capacidade de resili\u00eancia e alta vulnerabilidade social. Com a savaniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e as limita\u00e7\u00f5es na capacidade de adapta\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Norte do Brasil, a popula\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea poder\u00e1 viver em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias de sobreviv\u00eancia, impulsionando efeitos como a migra\u00e7\u00e3o em massa, analisa o estudo.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rias \u00e1reas da economia poder\u00e3o ser impactadas pelo aumento da exposi\u00e7\u00e3o ao estresse t\u00e9rmico, ocasionando redu\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalho, porque os trabalhadores estar\u00e3o expostos a condi\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas fatais. No Brasil, os trabalhadores ao ar livre j\u00e1 est\u00e3o expostos ao estresse t\u00e9rmico, e as proje\u00e7\u00f5es apontam para um aumento da exposi\u00e7\u00e3o a alto risco nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. O aumento de 1,5\u00b0C na temperatura m\u00e9dia global, com base nas proje\u00e7\u00f5es dos modelos clim\u00e1ticos dos pesquisadores, poder\u00e1 representar 0,84% das perdas de jornada de trabalho at\u00e9 2030, o que corresponde a 850 mil empregos de tempo integral, principalmente nos setores agr\u00edcola e de constru\u00e7\u00e3o civil. O estudo mostra que, na \u00e1rea agr\u00edcola, o alto risco associado ao trabalho intenso e \u00e0 sobrecarga t\u00e9rmica j\u00e1 foi observado entre cortadores de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores n\u00e3o consideraram no estudo o crescimento populacional ou mudan\u00e7as na estrutura demogr\u00e1fica, nem tampouco expectativa de vida. Por isso, os resultados do trabalho refletem os efeitos isolados da mudan\u00e7a clim\u00e1tica e da savaniza\u00e7\u00e3o e podem ser interpretados para representar os efeitos que seriam observados se a popula\u00e7\u00e3o atual fosse exposta \u00e0s distribui\u00e7\u00f5es projetadas de estresse t\u00e9rmico. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vulnerabilidade da popula\u00e7\u00e3o exposta, essa vari\u00e1vel foi avaliada por meio do \u00cdndice de Vulnerabilidade Social (IVS) dos munic\u00edpios brasileiros, que \u00e9 baseado em 16 indicadores que refletem fragilidades no sistema de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o (capital humano), infraestrutura urbana e renda e trabalho, informou a Fiocruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Val\u00e9ria Aguiar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo foi realizado por pesquisadores da Fiocruz, do Inpe e da USP Por Alana Gandra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21895,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-21894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21894"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21894\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21896,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21894\/revisions\/21896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}