{"id":37639,"date":"2022-06-07T11:27:19","date_gmt":"2022-06-07T14:27:19","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=37639"},"modified":"2022-06-07T11:27:20","modified_gmt":"2022-06-07T14:27:20","slug":"museus-do-rio-oferecem-visitas-mediadas-para-surdos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/06\/07\/museus-do-rio-oferecem-visitas-mediadas-para-surdos\/","title":{"rendered":"Museus do Rio oferecem visitas mediadas para surdos"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pessoas com defici\u00eancia visual tamb\u00e9m ser\u00e3o atendidas<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Mariana Tokarnia &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil\u00a0 &#8211; Rio de Janeiro<\/h4>\n\n\n\n<p>Um dos antebra\u00e7os \u00e9 colocado \u00e0 frente do corpo, na horizontal. O outro antebra\u00e7o, sobre ele, tra\u00e7a uma linha diagonal. Este \u00e9 o sinal, em&nbsp;l\u00edngua brasileira de sinais (Libras), do Museu do Amanh\u00e3, localizado no centro da cidade do Rio.&nbsp;\u00c9 com a apresenta\u00e7\u00e3o desse sinal que come\u00e7ou a visita mediada ao museu, destinada aos estudantes do Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o de Surdos (Ines), na \u00faltima&nbsp;sexta-feira (3). A visita faz parte do projeto Entre Museus Acess\u00edveis, que tem como objetivo promover o acesso \u00e0 cultura de forma inclusiva.&nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1464094&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1464094&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os visitantes n\u00e3o s\u00f3&nbsp;percorrem o museu e todo o acervo interativo, como debatem, em Libras, a import\u00e2ncia do que est\u00e3o conhecendo e de que forma esse conte\u00fado se relaciona com a pr\u00f3pria vida. \u201cEste \u00e9 o Museu do Amanh\u00e3. O que \u00e9 esse amanh\u00e3? Quando a gente fala amanh\u00e3, isso n\u00e3o significa apenas o dia, tem, outro conceito. \u00c9 fazer uma reflex\u00e3o sobre o futuro\u201d, diz&nbsp;o educador do Museu do Amanh\u00e3, Bruno Baptista, que conduz a visita. Ele foi tamb\u00e9m aluno do Ines. Os estudantes logo sinalizam em resposta ao que acreditam ser importante nesse amanh\u00e3: \u201cAmaz\u00f4nia\u201d, \u201cFlorestas\u201d, afirmam. \u201c\u00c9 um pouco disso tudo que vamos ver aqui&nbsp;hoje\u201d, diz Baptista.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto Entre Museus Acess\u00edveis come\u00e7ou no dia&nbsp;18 de maio, que \u00e9 o Dia Internacional dos Museus, e segue at\u00e9 novembro deste ano. O foco \u00e9 em visitantes com defici\u00eancia visual e em surdos. Por enquanto, fazem parte do projeto&nbsp;o Museu do Amanh\u00e3, com visitas mediadas \u00e0s sextas-feiras, e o Museu da Rep\u00fablica, localizado no Catete, zona sul do Rio, com visitas \u00e0s quartas-feiras.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;gerente de Educa\u00e7\u00e3o do Museu do Amanh\u00e3 e respons\u00e1vel pelo projeto, Camila Oliveira, explica que oferecer visitas mediadas n\u00e3o \u00e9 apenas proporcionar uma tradu\u00e7\u00e3o. \u201cEstamos&nbsp;oferecendo acessibilidade atitudinal, ou seja, acessibilidade relacional. A gente trabalha com objetos mediadores para que esses conceitos possam chegar n\u00e3o s\u00f3 pelo fato&nbsp;de eu dizer o que tem aqui, mas de experimentar o que tem aqui\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a visita, Bruno Baptista compartilha&nbsp;um pouco da pr\u00f3pria viv\u00eancia. Ele conta que j\u00e1 teve ouvintes que se assustaram quando ele disse&nbsp;que era surdo. \u201cComo voc\u00ea se sentiria? Eu sou surdo e estou aqui trabalhando, tenho orgulho. \u00c9 melhor quando h\u00e1 intera\u00e7\u00e3o. Vejam a Camila, ela \u00e9&nbsp;gerente e est\u00e1 aqui aprendendo Libras. Ela vai evoluindo todos os dias\u201d, afirma&nbsp;aos visitantes, que respondem com&nbsp;aplausos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acessibilidade nos museus<\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de Baptista, os visitantes s\u00e3o acompanhados pela educadora do Museu Eduarda Emerick. Duda, como prefere ser chamada, \u00e9 a primeira bi\u00f3loga cega formada no Brasil. \u201cTem sido uma experi\u00eancia maravilhosa. Eu gosto muito de estar em contato com pessoas diferentes e com diferentes quest\u00f5es\u201d, diz. Ela, inclusive, est\u00e1 aprendendo Libras e tamb\u00e9m sinaliza para os visitantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a educadora, que j\u00e1 trabalhou em mais dois museus na cidade, a acessibilidade \u00e9 ainda um problema. \u201cOs museus em si trazem essa dificuldade por terem muito acervo disposto em vitrines ou exposi\u00e7\u00f5es de arte que, geralmente, s\u00e3o quadros ou esculturas, algo em que n\u00e3o se pode tocar. \u00c9 importante que a gente entre em contato com o setor educativo dos museus, antes da visita, para ver se tem algu\u00e9m que pode nos receber. \u00c9 muito importante ter&nbsp;a figura do mediador\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), cerca de 24% da popula\u00e7\u00e3o t\u00eam alguma defici\u00eancia. A acessibilidade aos museus para&nbsp;todas as pessoas est\u00e1 prevista&nbsp;no&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2009\/lei\/l11904.htm#:~:text=Os%20museus%20dever%C3%A3o%20promover%20a%C3%A7%C3%B5es,Art.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estatuto de Museus, Lei 11.904\/2009<\/a>. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Colocar isso em pr\u00e1tica \u00e9 ainda um desafio. Segundo Camila, a acessibilidade plena a museus passa pela necessidade de superar v\u00e1rias barreiras, entre elas a arquitet\u00f4nica, uma vez que muitos edif\u00edcios s\u00e3o antigos e t\u00eam limita\u00e7\u00f5es para reformas.&nbsp; \u201cA gente pensa muito em acessibilidade arquitet\u00f4nica, com elevador, rampa. Mas, e para essa pessoa chegar at\u00e9 aqui? Ela vai&nbsp;ter&nbsp;acesso ao conte\u00fado que est\u00e1 sendo colocado, que tipos de acesso essa pessoa vai&nbsp;ter?\u201d, questiona a gerente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos pr\u00e9dios, h\u00e1 ainda a necessidade de forma\u00e7\u00e3o de equipe para receber pessoas com defici\u00eancias. \u201cEu preciso&nbsp;ter, pensar em uma forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e entender por que \u00e9 t\u00e3o importante essas pessoas visitarem os museus. A import\u00e2ncia n\u00e3o est\u00e1 necessariamente em conhecer o museu. A gente tem percebido muito nesses encontros que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre os conte\u00fados dos museus, mas a&nbsp;capacidade&nbsp;de rela\u00e7\u00e3o que essas pessoas muitas vezes s\u00e3o limitadas a&nbsp;ter\u201d, diz Camila.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto \u00e9 um passo na dire\u00e7\u00e3o de maior acessibilidade. De acordo com Camila, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ampliar a media\u00e7\u00e3o nos museus para incluir&nbsp;outras defici\u00eancias e outros museus no circuito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do museu para a sala de aula<\/h2>\n\n\n\n<p>Na \u00faltima&nbsp;sexta-feira, os estudantes do Instituto Nacional de Educa\u00e7\u00e3o de Surdos (Ines) deixaram o Museu do Amanh\u00e3 empolgados. \u201cEu aprendi muito, estou pensando em como ajudar, como ensinar, como desenvolver para o futuro\u201d, afirmou&nbsp;a estudante do 7\u00ba ano Vit\u00f3ria Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>O que os estudantes aprenderam no Museu do Amanh\u00e3 ser\u00e1 levado para debate em&nbsp;sala de aula. \u201cA gente recolhe um pouco desse material antes da visita\u00e7\u00e3o para que os alunos, quando vierem, tenham conhecimento do que v\u00e3o encontrar.&nbsp;E&nbsp;n\u00e3o paramos por aqui. Pegamos todo esse trabalho e levamos para dentro da sala de aula a fim de&nbsp;trabalhar, de modo interdisciplinar, de modo que assegure&nbsp;melhor conhecimento\u201d, diz o coordenador do Ines, Sidnei Reis, que acompanhou a visita.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do conte\u00fado que aprenderam, ficou tamb\u00e9m o exemplo de Baptista, conhecido como Tubar\u00e3o. \u201cEstou vendo o Tubar\u00e3o como mediador e como ele consegue fazer esse trabalho. Estou olhando para ele e me vendo tamb\u00e9m como futura mediadora. Estou estudando, quero me desenvolver, conseguir me formar para, no futuro, trabalhar igual ao tubar\u00e3o\u201d, afirma&nbsp;a estudante do 8\u00ba ano Isadora Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O projeto de mobiliza\u00e7\u00e3o social e cultural Entre Museus Acess\u00edveis \u00e9 um desdobramento do programa Entre Museus, promovido pelo Museu do Amanh\u00e3 desde 2017, em conjunto com mais de 20 museus do Rio&nbsp;de Janeiro. O programa \u00e9 voltado para capacitar e incluir a popula\u00e7\u00e3o local na frui\u00e7\u00e3o cultural, incentivando-a a entrar no&nbsp;mundo&nbsp;da ci\u00eancia, das artes e da cultura e, assim, construir e expandir caminhos para a cidadania plena.<\/p>\n\n\n\n<p>O Entre Museus Acess\u00edveis conta com patroc\u00ednio da Fondation Engie e convida pessoas com defici\u00eancia visual e a comunidade surda a ocuparem a cidade e os museus. As pessoas e institui\u00e7\u00f5es interessadas em fazer&nbsp;agendamentos para grupos de 15 a 20 pessoas podem solicitar&nbsp;pelo&nbsp;e-mail&nbsp;visitas@museudoamanha.org.br.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m das visitas semanais no Museu do Amanh\u00e3 e no Museu da Rep\u00fablica, h\u00e1, no&nbsp;\u00faltimo&nbsp;s\u00e1bado&nbsp;do m\u00eas, um trajeto de bicicleta pela orla, com educadores e int\u00e9rpretes de Libras e bicicletas adaptadas, al\u00e9m de instrutores, para o p\u00fablico com defici\u00eancia visual. O passeio \u00e9&nbsp;oferecido, preferencialmente, para os participantes das visitas mediadas daquele&nbsp;m\u00eas,&nbsp;mas, em caso de disponibilidade, poder\u00e1 ser realizada&nbsp;com outros grupos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Adjuto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas com defici\u00eancia visual tamb\u00e9m ser\u00e3o atendidas Por Mariana Tokarnia &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil\u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":37640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-37639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37641,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37639\/revisions\/37641"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}