{"id":38758,"date":"2022-06-26T08:00:00","date_gmt":"2022-06-26T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=38758"},"modified":"2022-06-24T23:45:31","modified_gmt":"2022-06-25T02:45:31","slug":"386-familias-vivem-hoje-nas-ruas-de-petropolis-numero-cresceu-20-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/06\/26\/386-familias-vivem-hoje-nas-ruas-de-petropolis-numero-cresceu-20-na-pandemia\/","title":{"rendered":"386 fam\u00edlias vivem hoje nas ruas de Petr\u00f3polis: n\u00famero cresceu 20% na pandemia"},"content":{"rendered":"\n<p>Raphaela Cordeiro<\/p>\n\n\n\n<p>Petr\u00f3polis \u00e9 considerada a quarta cidade do Estado com o maior n\u00famero de pessoas vivendo em situa\u00e7\u00e3o de rua. Principalmente para quem anda nas ruas do Centro Hist\u00f3rico, \u00e9 comum ver pessoas acampando nas esquinas. Mas o que muita gente n\u00e3o sabe \u00e9 que, mesmo com as interven\u00e7\u00f5es da Guarda Municipal, estas pessoas n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a aceitarem ajuda e serem levadas para os abrigos.<br>Existem, hoje, 386 fam\u00edlias em situa\u00e7\u00e3o de rua inscritas no Cadastro \u00danico de Petr\u00f3polis. Desde 2020, esse n\u00famero aumentou em vinte por cento. Mas qual \u00e9 o principal motivo para que essas pessoas passem a viver nas ruas? A psic\u00f3loga Leandra Iglesias, que j\u00e1 trabalhou diretamente com esta popula\u00e7\u00e3o, explica os principais motivos. \u201cUm dos principais motivos \u00e9 a quebra do v\u00ednculo familiar. Em geral, o fator \u00e1lcool e drogas tamb\u00e9m est\u00e1 presente. As fam\u00edlias v\u00e3o ficando co-dependentes e v\u00e3o se exaurindo. Na popula\u00e7\u00e3o de rua a gente tem perfis de toda a esp\u00e9cie. A gente tem artista, empres\u00e1rio, ex-administrador, de tudo um pouco\u2026\u201d, explicou a psic\u00f3loga.<br>A psic\u00f3loga conta ainda que, com o sofrimento destas pessoas e o uso das drogas, h\u00e1 tamb\u00e9m o transtorno mental, que \u00e9 um outro motivo. Leandra conta que o medo e o preconceito do resto da popula\u00e7\u00e3o precisam acabar porque, em cada uma daquelas pessoas nas ruas e nas cal\u00e7adas h\u00e1 uma hist\u00f3ria e um passado. \u201cFalta um olhar diferenciado da sociedade, desrotulando essa popula\u00e7\u00e3o. Tem de tudo, claro que tem, mas s\u00e3o pessoas e s\u00e3o seres humanos em sofrimento, em necessidade urgente de ajuda\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Aux\u00edlio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua<\/p>\n\n\n\n<p>Petr\u00f3polis sendo a quarta cidade das 92 cidades do estado com o maior n\u00famero de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua, tem tamb\u00e9m muitas iniciativas tanto independentes quanto da pr\u00f3pria prefeitura, para auxiliar esta popula\u00e7\u00e3o. A terapeuta Fernanda Catete, que tamb\u00e9m j\u00e1 trabalhou com este p\u00fablico, tem hoje uma iniciativa pr\u00f3pria de aux\u00edlio. Durante a pandemia, a terapeuta sentiu que precisava fazer mais por estas pessoas e come\u00e7ou uma iniciativa que segue realizando at\u00e9 hoje, com pouca ajuda e com recursos pr\u00f3prios. \u201cA gente separa dois tr\u00eas dias da semana, de acordo com a agenda, e a gente desenvolve um di\u00e1logo com essas pessoas e entrega sopas e caldos. A gente procura ter um olhar mais carinho e n\u00e3o um ato s\u00f3 de dar a comida. Atos bem sutis como perguntar o nome e saber um pouquinho da hist\u00f3ria\u201d, disse a terapeuta.<br>Assim como a iniciativa da Fernanda, em Petr\u00f3polis existem outras formas independentes de auxiliar a popula\u00e7\u00e3o de rua, que \u00e9 o caso do Banho do Samaritano, que acontece semanalmente no Centro e em Itaipava. Das iniciativas oferecidas pelo munic\u00edpio, a cidade conta hoje com atendimentos psicossociais, pedag\u00f3gicos e de sa\u00fade, assist\u00eancia no transporte para pessoas de outros munic\u00edpios, alimenta\u00e7\u00e3o e banho.<br>\u201cSe a gente quer tirar essa pessoa da rua, a gente tem que pensar como a gente vai estruturar essa pessoa para a vida. A primeira coisa \u00e9 pensar nos aspectos b\u00e1sicos. A quest\u00e3o profissionalizante tamb\u00e9m, para que ela tenha condi\u00e7\u00f5es de se sustentar e se manter\u201d, disse Fernanda.<br>A terapeuta acredita que o melhor aux\u00edlio que esta popula\u00e7\u00e3o pode receber \u00e9 o olhar carinhoso. S\u00f3 com a mudan\u00e7a de pensamento social e a quebra do preconceito \u00e9 que as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua v\u00e3o conseguir encontrar o seu espa\u00e7o na sociedade e tamb\u00e9m a recoloca\u00e7\u00e3o no meio laboral e no mercado de trabalho. \u201cA maioria de n\u00f3s somos muito preconceituosos. Muitos s\u00e3o adictos e tem tudo a ver com um processo de dor muito grande. Muitos deles tem que estar anestesiado para dar conta de estar frio\u2026 \u00c9 enfrentar a fome e o frio. O excesso de \u00e1lcool ameniza isso, mesmo n\u00e3o sendo nenhuma justificativa\u201d, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Abrigamento<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de existirem esses abrigos municipais, al\u00e9m de outras iniciativas independentes, as pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua n\u00e3o s\u00e3o obrigadas a aceitarem o acolhimento. Muitos deles escolhem continuar na rua. Com as fortes chuvas que atingiram a cidade em fevereiro, o NIS, mais conhecido como Abrig\u00e3o, no Alto da Serra, foi atingido por um deslizamento e est\u00e1 at\u00e9 hoje interditado. A prefeitura informou que mais de 30 caminh\u00f5es de terra j\u00e1 foram retirados do local. Hoje, a prefeitura conta com o Centro Pop, no Centro da cidade e a Unidade de Abrigamento Tempor\u00e1rio (Unat), no Retiro, para o acolhimento das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raphaela Cordeiro Petr\u00f3polis \u00e9 considerada a quarta cidade do Estado com o maior n\u00famero de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":38759,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-38758","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38758","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38758"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38758\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38760,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38758\/revisions\/38760"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38758"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38758"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38758"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}