{"id":39949,"date":"2022-07-15T12:13:49","date_gmt":"2022-07-15T15:13:49","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=39949"},"modified":"2022-07-15T13:05:35","modified_gmt":"2022-07-15T16:05:35","slug":"cinco-meses-da-tragedia-de-15-de-fevereiro-em-petropolis-e-muito-ainda-tem-que-ser-feito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/07\/15\/cinco-meses-da-tragedia-de-15-de-fevereiro-em-petropolis-e-muito-ainda-tem-que-ser-feito\/","title":{"rendered":"Cinco meses da trag\u00e9dia de 15 de fevereiro em Petr\u00f3polis e muito ainda tem que ser feito"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cA pior guerra que existe \u00e9 a do homem contra a natureza\u201d. Esta \u00e9 uma das frases que estampa a frente do Col\u00e9gio Estadual Rui Barbosa (CERB), no Alto da Serra em Petr\u00f3polis. O local era um dos principais pontos de apoio do maior desastre socioambiental que o munic\u00edpio j\u00e1 presenciou. Hoje, trag\u00e9dia do dia 15 de fevereiro, que destruiu diferentes localidades de Petr\u00f3polis, completa cinco meses. E, os 152 dias n\u00e3o foram suficientes para resolver os problemas das v\u00edtimas, que perderam familiares e ficaram desabrigados ou desalojadas. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante o desastre, a costureira Josiele Carvalho foi uma das mais de 1.200 pessoas que precisaram recorrer a um abrigo. \u201cEu sai dos abrigos porque eles precisavam ser fechados, e mesmo assim, no per\u00edodo que eu estive neles, a todo momento eles me faziam mudar de local, por conta das aulas que iriam voltar. Tivemos que nos virar para encontrar um lugar para ficar e depois de dois meses e meio, com muito sacrif\u00edcio, eu consegui uma casa, mas ainda est\u00e1 tudo muito dif\u00edcil\u201d, desabafou a costureira.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 15 de fevereiro, Josiele estava na casa em que morava na Rua dos Ferrovi\u00e1rios. Quando a chuva come\u00e7ou, ela saiu do im\u00f3vel com os filhos e foi procurar um local seguro. Mesmo assim os tr\u00eas filhos ficaram soterrados, mas felizmente ela conseguiu resgat\u00e1-los. Josiele perdeu amigos, vizinhos e dois irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Cinco meses ap\u00f3s o desastre, ela ainda precisa lidar com os traumas que n\u00e3o s\u00f3 ela, mas os filhos, tamb\u00e9m sofreram. \u201cMeu filho de cinco anos foi diagnosticado com depress\u00e3o, ele n\u00e3o consegue ter um conv\u00edvio bom em creche, porque as perdas que tivemos traumatizaram muito ele\u201d, disse Josiele Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A Escola Municipal Jos\u00e9 Fernandes da Silva (EMAS), tamb\u00e9m ficou marcada pela trag\u00e9dia. Evelyn Luiza, de 11 anos, perdeu a vida em um deslizamento de pedras que atingiu a escola. O marceneiro, Elizier Manoel da Silveira, pai de Evelyn, al\u00e9m dos traumas f\u00edsicos, conta que em nenhum momento recebeu apoio. \u201cN\u00e3o tivemos assist\u00eancia alguma, nada foi feito. A minha dor \u00e9 de pai para filha\u201d, esclareceu o marceneiro.<\/p>\n\n\n\n<p>A costureira V\u00e2nia de Souza morava em uma casa na Servid\u00e3o Mario Barbatt, que fica atr\u00e1s do EMAS. H\u00e1 apenas dois meses, V\u00e2nia conseguiu uma nova casa que ela teve que custear, pois n\u00e3o teve acesso ao Aluguel Social. \u201cPerdi muitas coisas por causa da \u00e1gua, mas mesmo assim eu tenho muito medo de algu\u00e9m entrar na minha casa e pegar o pouco que sobrou. Eu s\u00f3 quero voltar para a minha casa, n\u00e3o quero continuar no Aluguel Social. Quero ficar onde morei por 53 anos\u201d, disse a costureira.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Servid\u00e3o Frei Le\u00e3o o cen\u00e1rio ainda \u00e9 assustador. No local foram registradas 93 mortes e pelo menos 54 casas ficaram devastadas. Cinco meses depois da trag\u00e9dia o sentimento \u00e9 de tristeza e de medo em perder o pouco que sobrou. Para a funcion\u00e1ria p\u00fablica Marisa Pereira Bernardes, olhar para o local em que vivia e ainda n\u00e3o ver mudan\u00e7as traz uma dor profunda. \u201cA gente quer obras, um planejamento e posicionamento do governo. Queremos saber o que vai ser feito, tendo em vista que a regi\u00e3o ainda apresenta riscos\u201d, finalizou a funcion\u00e1ria p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A balconista Cristiane Gross da Silva, perdeu oito familiares, entre eles o neto de cinco anos e a filha de 19. Os corpos foram resgatados pelo marido, amigos e volunt\u00e1rios da balconista. As dificuldades ainda continuam e nada foi feito. \u201cN\u00f3s n\u00e3o somos interessantes para a prefeitura, pois n\u00e3o temos pontos tur\u00edsticos na regi\u00e3o. At\u00e9 hoje n\u00e3o consegui viver meu luto\u201d, esclareceu. <\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGente pelo amor de Deus, 93 pessoas morreram aqui! O que mais precisa para eles darem a aten\u00e7\u00e3o que merecemos? \u00c9 um descaso total. A casa para mim \u00e9 o de menos. Eu construiria outra ou ficaria at\u00e9 em baixo da ponte, se pudesse ter todo mundo que perdi aqui comigo\u201d, desabafou a balconista.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo com im\u00f3veis destru\u00eddos contas continuam chegando <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Moradores como o aposentado Antenor Alves de Alc\u00e2ntara, mesmo com os im\u00f3veis interditados, ainda recebem a cobran\u00e7a da conta de luz. \u201cMesmo sem luz eles me cobraram taxa m\u00ednima, e me mandaram uma cartinha falando que meu nome iria para o Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC)\u201d, disse o aposentado.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o barbeiro Rafael de Mattos dos Santos, a Companhia Municipal de Desenvolvimento de Petr\u00f3polis (COMDEP), quase n\u00e3o foi ao local ap\u00f3s o desastre. \u201cHoje (14), \u00e9 a primeira vez que vejo as equipes da COMDEP aqui, parece que sabiam que ia ter reportagem e vieram limpar a rua e pintar cinco postes\u201d, desabafou o barbeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Cento e cinquenta e dois dias ap\u00f3s o dia 15 de fevereiro, que trouxe muita dor, perdas e luta por direitos b\u00e1sicos, as v\u00edtimas do maior desastre socioambiental de Petr\u00f3polis querem apenas uma coisa: justi\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Gabriel Faxola<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA pior guerra que existe \u00e9 a do homem contra a natureza\u201d. 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