{"id":41422,"date":"2022-08-06T18:20:00","date_gmt":"2022-08-06T21:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=41422"},"modified":"2022-08-06T17:59:21","modified_gmt":"2022-08-06T20:59:21","slug":"moradores-de-baixa-renda-tem-casas-historicas-restauradas-em-ouro-preto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/08\/06\/moradores-de-baixa-renda-tem-casas-historicas-restauradas-em-ouro-preto\/","title":{"rendered":"Moradores de baixa renda t\u00eam casas hist\u00f3ricas restauradas em Ouro Preto"},"content":{"rendered":"\n<p>Tatiana Cavalcanti &#8211; Folha Press<\/p>\n\n\n\n<p>A aposentada Ela\u00edne Maria Ara\u00fajo Sales, a dona Nininha, mora no n\u00famero 480 da rua Alvarenga, em Ouro Preto (MG), desde que nasceu, h\u00e1 70 anos. A casa do s\u00e9culo 18 est\u00e1 na fam\u00edlia h\u00e1 mais de 150 anos, calcula ela, e tem passado para herdeiros gera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s gera\u00e7\u00e3o.<br>Mas a resid\u00eancia hist\u00f3rica, de 91 m\u00b2, corre o risco de ruir. A fachada original, uma larga parede de taipa de pil\u00e3o, est\u00e1 inclinada. O im\u00f3vel de dona Nininha est\u00e1 dentro do Bom-Ser\u00e1 -conjunto arquitet\u00f4nico de constru\u00e7\u00f5es t\u00edpicas do s\u00e9culo 18 presentes nas cidades do Ciclo do Ouro, em Minas Gerais-, e vai ser restaurado junto com outros dois domic\u00edlios em condi\u00e7\u00f5es cr\u00edticas, na mesma rua.<br>&#8220;A fachada da minha casa j\u00e1 est\u00e1 t\u00e3o inclinada que chama a aten\u00e7\u00e3o de turistas curiosos que tiram foto, mas ficam receosos de serem atingidos pelo muro&#8221;, afirma a aposentada que mora com o filho, o taxista Donizete Jo\u00e3o da Silva J\u00fanior, 27, na resid\u00eancia de portas e janelas cinzas por fora e coloridas por dentro.<br>As tr\u00eas moradias dos s\u00e9culos 18 e 19 pertencem a fam\u00edlias de baixa renda. A reforma ser\u00e1 realizada por meio do projeto BomSer\u00e1 ao custo de R$ 1,4 milh\u00e3o, patrocinado pelo Instituto Cultural Vale, via Lei Rouanet. O prazo final das obras, que t\u00eam apoio do Iphan (Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional), \u00e9 dezembro.<br>O projeto n\u00e3o consiste apenas em restaurar os tr\u00eas im\u00f3veis de Ouro Preto, considerada Patrim\u00f4nio Cultural da Humanidade pela Unesco (ag\u00eancia da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas). Haver\u00e1 tamb\u00e9m oficinas de conserva\u00e7\u00e3o e restauro voltadas para a comunidade, professores e alunos do ensino m\u00e9dio da cidade e regi\u00e3o.<br>\u00c9 o que explica Bel Gurgel, diretora art\u00edstica do IA (Instituto de Arte Contempor\u00e2nea de Ouro Preto), que encabe\u00e7a o projeto. &#8220;O objetivo \u00e9 restaurar e capacitar os moradores, que receber\u00e3o as interven\u00e7\u00f5es para que possam eles mesmos realizar a manuten\u00e7\u00e3o preventiva de suas casas.&#8221;<br>H\u00e1 ainda, segundo Bel, a forma\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra qualificada para 20 bolsistas que futuramente poder\u00e3o atuar em obras de restauro. &#8220;Vamos transformar esses jovens em agentes do patrim\u00f4nio.&#8221;<br>Bel explica que a maioria dos interessados nessas aulas s\u00e3o mulheres. Uma delas \u00e9 a restauradora Yara Ferreira, 22. Nascida e criada em Ouro Preto, Yara diz que a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma carreira majoritariamente masculina.<br>&#8220;\u00c9 reconfortante ver as mulheres ali trabalhando, botando a m\u00e3o na massa. A gente mostra que consegue tanto quanto os homens&#8221;, afirma a bolsista.<br>Respons\u00e1vel t\u00e9cnico pela execu\u00e7\u00e3o das obras, o engenheiro e professor de restauro Ney Ribeiro Nolasco, afirma que este projeto \u00e9 um trabalho diferenciado.<br>&#8220;Usamos a restaura\u00e7\u00e3o para acessar a quest\u00e3o cultural e saber como as fam\u00edlias convivem com o patrim\u00f4nio&#8221;, afirma. Ele diz que o projeto faz um registro de como as pessoas se relacionam com a casa.<br>A pensionista Efig\u00eania Rosa Camilo, 94, j\u00e1 deixou a casa onde vive &#8220;desde sempre&#8221; para que seja restaurada. O im\u00f3vel, de 41m\u00b2, onde ela mora com um neto, chegou a ser alugado algumas vezes, mas \u00e9 onde ela pretende voltar a morar quando a reforma terminar.<br>&#8220;\u00c9 uma casa pequena, mas ajeitadinha. \u00c9 bacana como o pessoal tem tratado o im\u00f3vel com o valor que ele merece&#8221;, afirma Efig\u00eania, ao lado da neta, a assistente de processamento de dados Luzia C\u00e2mara, 59.<br>A neta afirma que a reforma, j\u00e1 em curso, vai trazer seguran\u00e7a para dona Efig\u00eania, pois o telhado apresentava instabilidade. &#8220;Est\u00e1 com a madeira podre, com cupim, e vai caindo os farelinhos. \u00c9 um perigo, principalmente quando chove. [O restauro] vai ser um conforto para ela e meu irm\u00e3o&#8221;, diz Luzia.<br>O local possui um banheiro pequeno, por\u00e9m, que vai ganhar acessibilidade para dona Efig\u00eania utilizar com sua cadeira de rodas. Tamb\u00e9m ser\u00e3o instaladas nas paredes de alvenaria barras de apoio.<br>Alguns parentes dos propriet\u00e1rios das casas tamb\u00e9m trabalham na obra. \u00c9 o caso de Alex Garcia, 48, ajudante de alvenaria. Ele \u00e9 genro de dona Aparecida, que morreu recentemente, e atua diretamente na casa dela, uma das mais degradadas.<br>J\u00e1 dona Nininha deixou a resid\u00eancia apenas no in\u00edcio de agosto. Ela diz que \u00e9 a primeira vez que sai do im\u00f3vel hist\u00f3rico. &#8220;Eu nasci e fui criada aqui nessa casa t\u00e3o aconchegante. D\u00e1 um aperto no cora\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<br>&#8220;Aqui \u00e9 tudo muito antigo, da \u00e9poca de Tiradentes [1746-1792] e da Inconfid\u00eancia Mineira. A porta da igreja em frente \u00e0 minha casa \u00e9 atribu\u00edda a Aleijadinho. Precisa conservar tudo. Estamos ansiosos com a reforma. Quero ver nossa casinha bem linda porque ainda vai passar muita gente aqui&#8221;, afirma a aposentada.<br>Segundo Paola Dias Villas Boas, professora do curso superior de Tecnologia em Conserva\u00e7\u00e3o e Restauro do Instituto Federal de Minas Gerais, n\u00e3o h\u00e1 como saber com exatid\u00e3o o per\u00edodo de constru\u00e7\u00e3o das edifica\u00e7\u00f5es.<br>Mas as moradias podem ter come\u00e7ado a surgir na \u00e9poca do escultor Aleijadinho (1738-1814), ou um pouco posterior a seu tempo.<br>&#8220;\u00c9 mais dif\u00edcil precisar pela escassez de documenta\u00e7\u00e3o. Mas essas edifica\u00e7\u00f5es provavelmente foram constru\u00eddas nos s\u00e9culos 18 e 19, no per\u00edodo colonial. Elas est\u00e3o inseridas no caminho tronco, tra\u00e7ado urbano original da cidade quando se chamava Vila Rica&#8221;, afirma Paola.<br>O engenheiro Nolasco conta que \u00e9 muito rom\u00e2ntico falar que as pessoas moram em um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, mas que isso \u00e9 oneroso.<br>&#8220;O restauro \u00e9 car\u00edssimo e poucos t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de fazer as obras da forma exigida. Muitas casas acabam em condi\u00e7\u00f5es insalubres. Uma parede n\u00e3o pode ser pintada sem autoriza\u00e7\u00e3o do Iphan, que inclusive estabelece a cor.&#8221;<br>Para ele, esse projeto muda esse conceito. &#8220;Ele quebra essa t\u00e1tica de n\u00e3o ajudar a comunidade. Existe uma cobran\u00e7a grande a manuten\u00e7\u00e3o das casas, mas o Poder P\u00fablico n\u00e3o ajuda em nada.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tatiana Cavalcanti &#8211; Folha Press A aposentada Ela\u00edne Maria Ara\u00fajo Sales, a dona Nininha, mora<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41424,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,18,19,17,14],"tags":[],"class_list":["post-41422","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-economia","category-educacao","category-outras-noticias","category-pais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41422","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41422"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41425,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41422\/revisions\/41425"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41424"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}