{"id":41429,"date":"2022-08-07T14:20:00","date_gmt":"2022-08-07T17:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=41429"},"modified":"2022-08-06T18:27:03","modified_gmt":"2022-08-06T21:27:03","slug":"brechos-aproveitam-consumidor-em-busca-de-pechincha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/08\/07\/brechos-aproveitam-consumidor-em-busca-de-pechincha\/","title":{"rendered":"Brech\u00f3s aproveitam consumidor em busca de pechincha"},"content":{"rendered":"\n<p>Ana Paula Branco &#8211; Folhapress<\/p>\n\n\n\n<p>O aumento expressivo dos pre\u00e7os de roupas, cal\u00e7ados e acess\u00f3rios impulsiona o mercado de segunda m\u00e3o no Brasil. S\u00f3 no primeiro semestre deste ano, a demanda nos brech\u00f3s cresceu em m\u00e9dia 30%, e especialistas dizem que o segmento est\u00e1 longe do limite do seu potencial.<br>Segundo pesquisadores americanos, esse mercado deve crescer de 15% a 20% por ano nos pr\u00f3ximos cinco anos, ultrapassando o valor do setor de fast fashion at\u00e9 2030.<br>&#8220;Eu s\u00f3 comprava em fast fashion, e minha m\u00e3e dizia que eu gastava muito dinheiro. Agora, gasto entre R$ 150 e R$ 300 em pe\u00e7as que n\u00e3o vou desapegar f\u00e1cil&#8221;, afirma a assistente administrativa Amanda da Silva, 28.<br>Ela come\u00e7ou a comprar de brech\u00f3s na pandemia, atra\u00edda pelo custo menor. &#8220;Ficou muito caro comprar roupa&#8221;, diz.<br>Entre as roupas usadas que ela se orgulha de ter adquirido, est\u00e1 uma jaqueta da marca de carros esportivos Porsche, comprada por R$ 110. No site oficial, diz ela, custaria pelo menos quatro vezes mais.<br>O setor de vestu\u00e1rio registra a maior infla\u00e7\u00e3o desde 1995. A alta reflete o aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria t\u00eaxtil durante a pandemia, que desorganizou as cadeias de produ\u00e7\u00e3o.<br>Em 12 meses at\u00e9 maio, os pre\u00e7os de vestu\u00e1rio acumularam alta de 16,08%, conforme o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<br>Foi por causa da pandemia tamb\u00e9m que a ex-professora Priscilla Borges, 44, entrou no mercado de moda seminova \u2013s\u00f3 que para vender as pr\u00f3prias roupas.<br>Priscilla Borges, dona do Brech\u00f3 Vai com as Outras em Pirituba na zona oeste da cidade Zanone Fraissat\/Folhapress\u00a0<strong>**<\/strong>\u00a0Ap\u00f3s deixar as salas de aula para se dedicar ao teatro, ela viu os trabalhos sumirem com as restri\u00e7\u00f5es impostas para conter o avan\u00e7o da Covid-19.<br>&#8220;Comecei vendendo minhas roupas em uma mala. Hoje, estou na garagem da casa da minha m\u00e3e e conquistei minha independ\u00eancia financeira com o brech\u00f3&#8221;, diz.<br>Garimpando pe\u00e7as em bazares de institui\u00e7\u00f5es de caridade e igrejas, Borges tem pe\u00e7as com selo CGC, o CNPJ dos anos 1980 e 1990, que garante que o \u00edtem foi fabricado h\u00e1 mais de 20 anos.<br>&#8220;Comprar pe\u00e7a usada j\u00e1 \u00e9 uma realidade, n\u00e3o uma tend\u00eancia. Eu mesma n\u00e3o tenho mais coragem de fazer compra em shopping&#8221;, afirma a empres\u00e1ria.<br>O Instituto de Economia Gast\u00e3o Vidigal da ACSP (Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo) projeta crescimento de 29,6% do volume de vendas dos brech\u00f3s em 2022 e j\u00e1 estima que o mercado de roupas usadas pode ultrapassar o varejo de moda em 2024.<br>&#8220;Desde o in\u00edcio da pandemia, vimos uma acelera\u00e7\u00e3o de compras, vendas e postagens no Enjoei, indicando uma evolu\u00e7\u00e3o da maneira como as pessoas consomem itens de moda no Brasil e no mundo, traduzido neste movimento crescente de vendas nos \u00faltimos anos&#8221;, diz Andreia Cha, diretora de marketing do brech\u00f3 online Enjoei.<br>Para a assistente de marketing Gabriela Mendon\u00e7a, 28, comprar roupas usadas \u00e9 h\u00e1bito que carrega desde a inf\u00e2ncia, quando sua m\u00e3e ia a bazares de igrejas garimpar roupas mais baratas no interior de S\u00e3o Paulo.<br>Acostumada a gastar entre R$ 200 e R$ 300 por m\u00eas em brech\u00f3s, ela busca a &#8220;exclusividade das pe\u00e7as&#8221;, agora garimpadas por profissionais de moda e oferecidas a pre\u00e7os abaixo do varejo.<br>&#8220;N\u00e3o compro roupa em loja de jeito nenhum, porque \u00e9 tudo igual e cara. Eu amo pe\u00e7a vintage, at\u00e9 a qualidade \u00e9 superior&#8221;, diz Gabriela, que tamb\u00e9m vende roupas para os brech\u00f3s com frequ\u00eancia.<br>&#8220;Estou morando na Holanda e, antes de deixar o Brasil, vendi praticamente todo o meu guarda-roupa para arrecadar dinheiro. Consegui cerca de R$ 3.000&#8221;, conta.<br>Pesquisa do BCG (Boston Consulting Group) com quase 3.000 clientes do Enjoei aponta um potencial de R$ 24 bilh\u00f5es para o mercado de moda seminova, na esteira de pa\u00edses com o setor mais consolidado, como os EUA, onde o mercado de roupas usadas representou US$ 36 bilh\u00f5es em 2020.<br>&#8220;Na pr\u00e9-pandemia, a compra e venda de pe\u00e7as usadas j\u00e1 vinha em vertente de crescimento por uma mudan\u00e7a na forma de os consumidores se relacionarem com as roupas no guarda-roupa. H\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o global com a sustentabilidade que come\u00e7ou a se materializar em comportamento de consumo&#8221;, afirma Fl\u00e1via Gemignani, respons\u00e1vel pelo relat\u00f3rio da BCG.<br>A sustentabilidade, por\u00e9m, \u00e9 uma quest\u00e3o secund\u00e1ria no Brasil, segundo a executiva da consultoria global. O brasileiro procura brech\u00f3s pelo custo-benef\u00edcio: quase 40% dos entrevistados no estudo do BCG s\u00e3o menos antenados na moda e adoram barganhas.<br>&#8220;Este perfil n\u00e3o tem or\u00e7amento sobrando, n\u00e3o se apega a causas ambientais e tem o pre\u00e7o como maior motivador de compra&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<br>Para Gemignani, o aquecimento recente no Brasil desse setor \u00e9 reflexo da prolifera\u00e7\u00e3o dos marketplaces, que atra\u00edram os que se incomodavam com a experi\u00eancia f\u00edsica de um brech\u00f3.<br>Newsletter Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para n\u00e3o assinantes.\u00a0<strong>*<\/strong>\u00a0&#8220;\u00c9 vintage, est\u00e1 na moda. \u00c9 visto como algo \u00fanico e muito se deve \u00e0s plataformas digitais e \u00e0s redes sociais.&#8221;<br>Consolidada no segmento de aluguel de vestidos de festa, a Dress &amp; Go lan\u00e7ou um ecommerce de venda de pe\u00e7as de segunda m\u00e3o, para superar as perdas da pandemia. Sem festas e eventos, a startup teve que se reinventar.<br>&#8220;Fechamos parcerias com marcas, estilistas e clientes, formando um acervo de 20 mil pe\u00e7as para vender. Desde produtos da Zara, Animale at\u00e9 Dolce &amp; Gabbana. O potencial de mercado \u00e9 gigante. Estudos indicam que vai crescer sete vezes entre 2019 e 2029&#8221;, afirma Mariana Penazzo, cofundadora da Dress &amp; Go.<br>Para a empres\u00e1ria, todo varejista ter\u00e1 que repensar a sua forma de produzir devido aos custos e \u00e0 responsabilidade socioambiental. &#8220;As parcerias s\u00e3o ben\u00e9ficas para as marcas, porque \u00e9 uma forma de se fortalecer no ESG.&#8221;<br>Esse recente movimento de varejistas tradicionais no segmento de usados responde \u00e0 demanda dos consumidores, segundo a BCG. Entre os entrevistados, 62% indicam maior chance de comprar uma marca se ela tiver parceria com o mercado de seminovos.<br>O mercado de roupas usadas, por\u00e9m, n\u00e3o escapou da infla\u00e7\u00e3o. Para garantir pe\u00e7as de qualidade e a competitividade, brech\u00f3s reajustaram o pre\u00e7o em suas etiquetas.<br>&#8220;Nos bazares compramos as pe\u00e7as pelo valor que vend\u00edamos em 2019. N\u00e3o tem como n\u00e3o repassar&#8221;, diz Stheffany Wendy, propriet\u00e1ria do I Need Brech\u00f3, em Pinheiros, zona oeste da capital paulista.<br>Mesmo com crescimento de 40% nas vendas neste ano em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, Elisa Fernandes de Melo, 30, reajustou os valores do seu clube de assinatura e o valor do frete.<br>&#8220;As roupas ficar\u00e3o cada vez mais caras porque h\u00e1 falta de tecido no mercado. Para sobreviver na pandemia, antecipamos o plano de uma marca pr\u00f3pria e fizemos consignados com as clientes em vez de comprar pe\u00e7as no atacado&#8221;, afirma a propriet\u00e1ria da Ustyle.<br>A previs\u00e3o da Abit (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria T\u00eaxtil e de Confec\u00e7\u00e3o) \u00e9 que o crescimento da produ\u00e7\u00e3o e das vendas desacelere neste ano, continuando abaixo dos n\u00edveis pr\u00e9-pandemia.<br>Os amigos Ana Caroline Andrade, Adilson Souza e Odair Jos\u00e9 Barbosa aumentaram os pre\u00e7os das roupas que vendem aos domingos na avenida Paulista, em S\u00e3o Paulo. Eles apostam na preocupa\u00e7\u00e3o do consumidor com o ambiente e a economia circular para o crescimento do mercado.<br>&#8220;Eu tive uma experi\u00eancia com brech\u00f3 em 2018. Quando voltei a garimpar, os pre\u00e7os j\u00e1 estavam mais altos. A dificuldade de repassar \u00e9 achar a pessoa que valoriza a pe\u00e7a&#8221;, diz Souza. Para garantir um bom neg\u00f3cio, os vendedores esperam receber ao menos quatro vezes o valor que pagaram na roupa.<br>H\u00e1 17 anos trabalhando com brech\u00f3s, Cristiane Mendes Seixas, 39, acompanha a chegada de novos clientes e brech\u00f3s nos \u00faltimos dois anos. &#8220;\u00c9 a quest\u00e3o da grana&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ana Paula Branco &#8211; Folhapress O aumento expressivo dos pre\u00e7os de roupas, cal\u00e7ados e acess\u00f3rios<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41430,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,264,18,17,14],"tags":[],"class_list":["post-41429","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-destaque","category-economia","category-outras-noticias","category-pais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41429"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41429\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41431,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41429\/revisions\/41431"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41430"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}