{"id":41457,"date":"2022-08-07T16:30:00","date_gmt":"2022-08-07T19:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=41457"},"modified":"2022-08-07T10:10:56","modified_gmt":"2022-08-07T13:10:56","slug":"migracao-que-originou-povos-e-idiomas-da-africa-comecou-ha-5-000-anos-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/08\/07\/migracao-que-originou-povos-e-idiomas-da-africa-comecou-ha-5-000-anos-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00e3o que originou povos e idiomas da \u00c1frica come\u00e7ou h\u00e1 5.000 anos, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Reinaldo Jos\u00e9 Lopes &#8211; Folhapress<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A migra\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hist\u00f3rica que deu origem a boa parte dos povos da \u00c1frica, incluindo a maioria dos ancestrais dos brasileiros negros, come\u00e7ou h\u00e1 cerca de 5.000 anos e seguiu uma rota por dentro das florestas tropicais do centro do continente, afirma um novo estudo.<br>O resultado vem de uma an\u00e1lise dos padr\u00f5es de parentesco entre mais de 400 idiomas do ramo lingu\u00edstico banto, hoje presente numa \u00e1rea enorme que vai de Camar\u00f5es, na costa do Atl\u00e2ntico, ao Qu\u00eania e \u00e0 Tanz\u00e2nia, no litoral do oceano \u00cdndico. A \u00e1rea abrange ainda a \u00c1frica do Sul e a Nam\u00edbia, no extremo sul, e Congo e Angola, na regi\u00e3o central do continente.<br>Em todas essas regi\u00f5es, as l\u00ednguas predominantes possuem muitas semelhan\u00e7as entre si, tanto no vocabul\u00e1rio quanto na estrutura gramatical, mais ou menos da mesma maneira que \u00e9 poss\u00edvel detectar muitos pontos em comum entre o portugu\u00eas, o espanhol, o italiano, o franc\u00eas e outras l\u00ednguas descendentes do latim.<br>Levando isso em considera\u00e7\u00e3o, \u00e9 natural supor que os idiomas bantos descendem de um ancestral comum que foi se espalhando pelo continente africano mil\u00eanios atr\u00e1s. Os dados arqueol\u00f3gicos e de DNA sugerem que essa expans\u00e3o provavelmente est\u00e1 associada \u00e0s grandes capacidades agr\u00edcolas e tecnol\u00f3gicas dos falantes desse grupo de l\u00ednguas no passado.<br>Os bantos parecem ter dominado a metalurgia do ferro por conta pr\u00f3pria, por exemplo. Al\u00e9m disso, desenvolveram m\u00e9todos eficientes de agricultura tropical, cultivando tub\u00e9rculos, como o inhame, e gr\u00e3os, como o milhete e o pain\u00e7o. A ideia \u00e9 que esse pacote agr\u00edcola-tecnol\u00f3gico tenha ajudado esses grupos a colonizar novas regi\u00f5es com mais efici\u00eancia, desalojando outros povos ou ent\u00e3o se misturando com eles.<br>A quest\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 como e quando a jornada teria acontecido, e esse \u00e9 o tema do novo estudo, coordenado por Ezequiel Koile, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista, na Alemanha.<br>Junto com colegas da R\u00fassia, dos EUA e da Nova Zel\u00e2ndia, Koile desenvolveu uma s\u00e9rie de m\u00e9todos estat\u00edsticos para tentar estimar como as l\u00ednguas do grupo banto foram se diversificando com o passar do tempo, levando em conta as transforma\u00e7\u00f5es na forma das palavras que elas compartilham entre si.<br>Uma das d\u00favidas, levando em conta tanto os dados lingu\u00edsticos quanto os arqueol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos, \u00e9 se os bantos teriam precisado &#8220;esperar&#8221; um momento relativamente mais seco do sistema clim\u00e1tico africano, por volta de 2.500 anos atr\u00e1s, para se expandir muito al\u00e9m de seu lar original, que provavelmente ficava em Camar\u00f5es.<br>Essa proposta surgiu porque os principais cultivos desses povos na \u00e9poca eram mais apropriados para regi\u00f5es de savana, mais secas e com vegeta\u00e7\u00e3o mais aberta. No entanto, antes de 2.500 anos atr\u00e1s, estima-se que a faixa central do continente africano, ainda hoje a que abriga as florestas tropicais e equatoriais mais \u00famidas e densas, era bem mais extensa e cont\u00ednua.<br>Para alguns especialistas, isso teria barrado a expans\u00e3o dos bantos at\u00e9 o momento em que a diminui\u00e7\u00e3o das chuvas levou \u00e0 abertura de um &#8220;corredor&#8221; de vegeta\u00e7\u00e3o aberta do vale do rio Sangha (afluente do rio Congo). Outra possibilidade \u00e9 que, em vez de seguir por esse corredor, os bantos teriam adotado uma rota costeira, passando por locais do litoral do Atl\u00e2ntico em que tamb\u00e9m havia vegeta\u00e7\u00e3o menos densa.<br>A grande an\u00e1lise lingu\u00edstica coordenada por Koile, por\u00e9m, indica que a separa\u00e7\u00e3o entre os principais ramos da fam\u00edlia de idiomas bantos aconteceu muito antes da abertura do corredor de savana, al\u00e9m de tamb\u00e9m n\u00e3o bater com a rota pelo litoral. A estimativa deles \u00e9 que a expans\u00e3o desses povos j\u00e1 teria alcan\u00e7ado as florestas tropicais da \u00c1frica Central por volta de 4.500 anos atr\u00e1s, bem antes da transforma\u00e7\u00e3o dessas matas trazida pela seca.<br>A ideia, portanto, \u00e9 que os bantos teriam conseguido usar estrat\u00e9gias diversificadas para ocupar as florestas, seja escolhendo \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o um pouco menos densa para plantar, aproveitando as margens dos rios ou complementando sua subsist\u00eancia agr\u00edcola com a ca\u00e7a e a coleta. Seriam m\u00e9todos n\u00e3o muito diferentes das popula\u00e7\u00f5es de agricultores ind\u00edgenas que ocupavam a Amaz\u00f4nia mais ou menos na mesma \u00e9poca.<br>Os resultados desse processo tamb\u00e9m deixaram marcas importantes no DNA, na cultura e na l\u00edngua dos brasileiros. Acontece que sete em cada dez dos africanos escravizados mandados para c\u00e1 ao longo de tr\u00eas s\u00e9culos vieram de Angola e do Congo, regi\u00f5es com popula\u00e7\u00e3o de bantos. Palavras muito comuns do portugu\u00eas falado no Brasil, como &#8220;moleque&#8221; e &#8220;camundongo&#8221;, derivam dos idiomas dessa fam\u00edlia.<br>O estudo saiu na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista especializada PNAS, da Academia Nacional de Ci\u00eancias dos EUA.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reinaldo Jos\u00e9 Lopes &#8211; Folhapress A migra\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hist\u00f3rica que deu origem a boa parte dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":41458,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,19,22,17],"tags":[],"class_list":["post-41457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-educacao","category-internacional","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41457"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41459,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41457\/revisions\/41459"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41458"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}