{"id":41895,"date":"2022-08-15T13:22:32","date_gmt":"2022-08-15T16:22:32","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=41895"},"modified":"2022-08-15T16:01:27","modified_gmt":"2022-08-15T19:01:27","slug":"apos-seis-meses-da-tragedia-localidades-de-petropolis-permanecem-com-cenario-de-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/08\/15\/apos-seis-meses-da-tragedia-localidades-de-petropolis-permanecem-com-cenario-de-destruicao\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s seis meses da trag\u00e9dia localidades de Petr\u00f3polis permanecem com cen\u00e1rio de destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p>No Morro da Oficina nada mudou desde os deslizamentos h\u00e1 seis meses. Na verdade, parece que a regi\u00e3o parou no tempo ap\u00f3s a trag\u00e9dia. Os escombros refletem a demora do poder p\u00fablico em auxiliar parte da popula\u00e7\u00e3o petropolitana, que teve perdas materiais inestim\u00e1veis, mas que principalmente, viu familiares, amigos, vizinhos e desconhecidos perderem a vida em uma fra\u00e7\u00e3o de segundos. O cen\u00e1rio ainda visto nas regi\u00f5es mais afetadas do 1\u00ba distrito de Petr\u00f3polis \u00e9 impressionante e ao mesmo tempo desolador. No Morro da Oficina, que fica no Alto da Serra e onde morreram 93 pessoas, parte das casas se mant\u00e9m em p\u00e9, como se representassem a for\u00e7a e o desejo de recome\u00e7o de quem permanece sem respostas e apoio at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sala de estar de uma das resid\u00eancias, as cadeiras e o sof\u00e1 permanecem no mesmo lugar. Na geladeira os nomes dos integrantes de uma das fam\u00edlias que viviam na regi\u00e3o, ainda est\u00e3o gravados na porta do eletrodom\u00e9stico, e se tornaram um contraste com o que j\u00e1 existiu na localidade, at\u00e9 mesmo algumas roupas continuam penduradas no varal. A devasta\u00e7\u00e3o est\u00e1 em toda parte, assim como as lembran\u00e7as de quem vivia no local. com cerca de 1.140 metros de altitude, o nome morro da oficina foi dado a localidade por conta das oficinas ferrovi\u00e1rias instaladas na regi\u00e3o. muitos dos moradores que viviam ali, eram de uma mesma fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como aqui no Morro da Oficina, em outras localidades atingidas, o cen\u00e1rio da trag\u00e9dia tamb\u00e9m se camufla em meio \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o e o que marca essas regi\u00f5es, \u00e9 o sil\u00eancio, que presenta a tristeza dos moradores que perderam suas fam\u00edlias e resid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>No Ch\u00e1cara Flora, onde mais de 25 pessoas morreram, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 similar. A barreira exposta na localidade representa a falta de apoio aos moradores. Al\u00e9m do sentimento de perda, os petropolitanos j\u00e1 come\u00e7aram a ficar angustiados com a proximidade do per\u00edodo chuvoso. J\u00e1 na parte baixa do alto da serra, pr\u00f3ximo \u00e0 Rua Teresa, o cen\u00e1rio \u00e9 diferente e apresenta ind\u00edcios de normalidade, mas basta olhar para as montanhas, que a lembran\u00e7a da devasta\u00e7\u00e3o se torna novamente presente, assim como a imin\u00eancia de uma nova tragedia anunciada. <\/p>\n\n\n\n<p>Simone Mayworm \u00e9 comerciante e teve \u00e0 casa inundada pela \u00e1gua e retrata o medo de passar por dias chuvosos. \u201cS\u00f3 de medo, medo, ang\u00fastia, preocupa\u00e7\u00e3o. Porque a prefeitura n\u00e3o fez nada. N\u00e3o demoliram as casas que devem demolir, n\u00e3o fizeram dragagem de \u00e1gua, capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. A minha casa por sinal, tiramos 30 caminh\u00f5es de terra. A \u00e1gua que veio de cima, veio toda pra minha casa, porque a rua n\u00e3o tem nem bueiro. S\u00f3 temos bueiro na entrada na minha casa e ningu\u00e9m fez nada pela gente. \u00c9 muito triste, porque \u00e9 o suor de uma vida n\u00e9. Como a gente vai deitar na cama com a cabe\u00e7a tranquila com esse cen\u00e1rio.\u201d, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigo Azevedo \u00e9 ge\u00f3logo e ressalta que n\u00e3o s\u00f3 as regi\u00f5es atingidas est\u00e3o vulner\u00e1veis a outros deslizamentos. Caso n\u00e3o sejam feitos trabalhos de preven\u00e7\u00e3o, como o treinamento e orienta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, obras de conten\u00e7\u00e3o nas encostas e o mapeamento das \u00e1reas consideradas de risco, novas trag\u00e9dias podem ocorrer. \u201cA geologia de Petr\u00f3polis \u00e9 complexa pois s\u00e3o vales com grandes inclina\u00e7\u00f5es. Esses vales s\u00e3o feitos basicamente de fragmentos rochosos e que est\u00e3o presos a terra. Quando esse terreno cede, a regi\u00e3o fica fragilizada e como chuvas como a de fevereiro, se tornam cada vez mais frequentes, locais como Independ\u00eancia, Quitandinha, tamb\u00e9m podem registrar deslizamentos. \u00c9 preciso uma uni\u00e3o entre os agentes p\u00fablicos, defesa civil e \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, para que por meio de treinamentos, orienta\u00e7\u00f5es, ocorr\u00eancias como essas n\u00e3o aconte\u00e7am novamente\u201d, esclareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelo Alc\u00e2ntara, vigilante, perdeu oito familiares no dia 15 de fevereiro e volta diariamente \u00e0 localidade, para olhar a casa do pai, Antenor de 65 anos. \u201cA gente tem que vir aqui sempre, para ficar de olho nas coisas. Meu pai colocou um cachorro ali na casa dele, tem que vir tratar, a gente veio tratar. E olhar tamb\u00e9m, olhar pelos vizinhos tamb\u00e9m. Tem saque acontecendo. Semana passada teve um saque, estavam privando uma caixa d\u2019\u00e1gua, fizeram devolver. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa, nada foi feito aqui. Voc\u00ea v\u00ea a cidade toda. Voc\u00ea vai no centro de Petr\u00f3polis e n\u00e3o diz que enchente aconteceu. Agora vai come\u00e7ar a Bauernfest, os turistas nem saber\u00e3o o que aconteceu. Mas se vier para o lado de c\u00e1, nada foi feito at\u00e9 agora\u201d, informou.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de j\u00e1 terem passado seis meses da trag\u00e9dia e dos in\u00fameros traumas, o desejo de Antenor, que viveu 65 anos no morro da oficina permanece o mesmo: voltar para casa. \u201cPara o futuro, espero voltar para casa. Moro aqui h\u00e1 63 anos e quero voltar pra minha casa. N\u00e3o ser\u00e1 a mesma coisa, mas pe\u00e7o apoio dos agentes p\u00fablicos para voltar pra casa\u201d, concluiu Antenor.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ter\u00e7a-feira (16), a TV Correio da Manh\u00e3 trar\u00e1 uma nova reportagem sobre os impactos da chuva em Petr\u00f3polis, e o cen\u00e1rio atual na Rua do T\u00fanel e do Caxambu, regi\u00f5es que tamb\u00e9m foram muito afetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foto e texto: Richard Stoltzenburg<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Morro da Oficina nada mudou desde os deslizamentos h\u00e1 seis meses. 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