{"id":43756,"date":"2022-09-13T15:20:03","date_gmt":"2022-09-13T18:20:03","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=43756"},"modified":"2022-09-13T15:20:04","modified_gmt":"2022-09-13T18:20:04","slug":"areas-dominadas-por-grupos-armados-no-rj-cresceram-131-em-16-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2022\/09\/13\/areas-dominadas-por-grupos-armados-no-rj-cresceram-131-em-16-anos\/","title":{"rendered":"\u00c1reas dominadas por grupos armados no RJ cresceram 131% em 16 anos"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa \u00e9 do Instituto Fogo Cruzado e Geni-UFF<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Akemi Nitahara \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/183474.mp3\"><\/h4>\n\n\n\n<p>Em 16 anos, as \u00e1reas urbanas sob influ\u00eancia de grupos armados, traficantes e milicianos, na regi\u00e3o metropolitana do Rio&nbsp;de Janeiro,&nbsp;passaram de 8,7% para 20% do territ\u00f3rio, aumento de 131% entre os tri\u00eanios 2006-2008 e 2019-2021.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1482060&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1482060&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;dom\u00ednio da mil\u00edcia passou de 23,7% para 49,9% dessas \u00e1reas no mesmo per\u00edodo, o que corresponde atualmente a 38,8% da popula\u00e7\u00e3o sob influ\u00eancia de grupos armados, contra 22,5% em 2008. Considerando a \u00e1rea total sob influ\u00eancia da mil\u00edcia, o crescimento no per\u00edodo foi de 387,3%, passando de 52,6 quil\u00f4metros quadrados (km\u00b2) para 256,28 km\u00b2, o que corresponde a 10% de toda a \u00e1rea territorial do Grande Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que mostra o&nbsp;<a href=\"https:\/\/fogocruz.github.io\/mapafc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa dos Grupos Armados<\/a>, lan\u00e7ado&nbsp;hoje&nbsp;(13) pelo Instituto Fogo Cruzado e pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos, da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF). Na ferramenta, \u00e9 poss\u00edvel verificar quais \u00e1reas s\u00e3o dominadas por cada grupo criminoso, com a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica separada por tri\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o coordenador do Geni-UFF, Daniel Hirata, o levantamento, o primeiro do tipo, encontrou elementos importantes para a constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas na \u00e1rea de seguran\u00e7a. Ele explica que a principal quest\u00e3o \u00e9 a expans\u00e3o da mil\u00edcia, que ocorreu em \u00e1reas que n\u00e3o eram dominadas anteriormente por nenhuma fac\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mil\u00edcias foram o grupo que mais cresceu ao longo desse per\u00edodo, quase 400%. Ao longo desses anos as mil\u00edcias se tornaram grupos hegem\u00f4nicos, sobretudo nos sub-bairros, mais do que em favelas e conjuntos habitacionais, onde as fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico de droga ainda t\u00eam maior&nbsp;dom\u00ednio. Ou seja, isso chega a mais de 80% em cada um dos casos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Os grupos armados que controlam os territ\u00f3rios no Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;est\u00e3o envolvidos em atividades econ\u00f4micas il\u00edcitas como tr\u00e1fico de drogas, transporte coletivo irregular e tamb\u00e9m&nbsp;oferta clandestina de servi\u00e7os como venda de g\u00e1s, TV a cabo e seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Historicamente, o tr\u00e1fico ocupa favelas e outros espa\u00e7os pobres desde a d\u00e9cada de 1970, onde as vielas, becos e ruas estreitas dificultam o acesso dos carros de pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mil\u00edcias<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com diretora executiva do Instituto Fogo Cruzado, Maria Isabel Couto, 90,3% do crescimento das mil\u00edcias ocorreu sobre novas \u00e1reas, onde n\u00e3o havia controle de nenhuma fac\u00e7\u00e3o armada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm termos de cobertura territorial, as mil\u00edcias se expandiram em um ritmo exponencial, chegando a quase que duplicar a \u00e1rea que possu\u00eda em 2008. Esse ritmo foi mais acelerado que as fac\u00e7\u00f5es do tr\u00e1fico, de tal forma que em 2021, das \u00e1reas dominadas por algum grupo armado no Grande Rio, metade estava nas m\u00e3os das mil\u00edcias, 49,9%. Do ponto de vista populacional ainda n\u00e3o apresenta uma hegemonia clara, mas isso parece uma quest\u00e3o de tempo, e de pouco tempo, mantida a velocidade com que as mil\u00edcias incorporam grandes contingentes de pessoas sob o seu&nbsp;dom\u00ednio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela,&nbsp;hoje&nbsp;esses grupos s\u00e3o a principal amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a p\u00fablica no Grande Rio, com o grande crescimento apresentado nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAp\u00f3s a CPI das mil\u00edcias de 2008, vemos um momento de estabilidade e mesmo de decl\u00ednio das \u00e1reas dominadas pelas mil\u00edcias. Essa tend\u00eancia se encerra, no entanto, em 2017. E nos cinco anos finais da s\u00e9rie hist\u00f3rica, as mil\u00edcias apresentam seu maior per\u00edodo de crescimento, somando mais de 138 km\u00b2, onde habitam mais de 750 mil pessoas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os fatores que influenciaram na din\u00e2mica dos territ\u00f3rios dominados por grupos armados, a pesquisa aponta a Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) das mil\u00edcias em 2008, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;(Alerj); as Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora, programa que durou de 2008 a 2016; a crise socioecon\u00f4mica, pol\u00edtica e fiscal no estado de 2014 a 2017; e crise da gest\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica que levou ao fim da secretaria espec\u00edfica e \u00e0 autonomia das pol\u00edcias civil e militar em 2019.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Regi\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo abrangeu toda a regi\u00e3o metropolitana do Rio&nbsp;de Janeiro, incluindo a capital, onde moram quase 7 milh\u00f5es de pessoas; o leste metropolitano com Niter\u00f3i, S\u00e3o Gon\u00e7alo, Itabora\u00ed, Tangu\u00e1 e Maric\u00e1, com cerca de 2 milh\u00f5es de habitantes; e a Baixada Fluminense, regi\u00e3o que engloba os munic\u00edpios de Guapimirim, Mag\u00e9, Duque de Caxias, Nova Igua\u00e7u, S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, Nil\u00f3polis, Belford Roxo, Mesquita, Queimados, Japeri, Paracambi, Serop\u00e9dica e Itagua\u00ed, com cerca de 4 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O Mapa dos Grupos Armados aponta que o Comando Vermelho expandiu seu territ\u00f3rio de influ\u00eancia na Baixada Fluminense e manteve a hegemonia no leste metropolitano, que engloba munic\u00edpios como Niter\u00f3i e S\u00e3o Gon\u00e7alo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o levantamento, em 2021 a \u00e1rea da Baixada Fluminense dominada por esses grupos estava dividida em 39,7% do Comando Vermelho, 48,6% das mil\u00edcias e 10,9% do Terceiro Comando Puro. No leste metropolitano, 88,2% das \u00e1reas s\u00e3o dominadas pelo Comando Vermelho, 9,1%, pelas mil\u00edcias e 2,6% pelo Terceiro Comando Puro.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Capital, as mil\u00edcias assumiram a primeira posi\u00e7\u00e3o e controlam 74,2% das \u00e1reas ocupadas por grupos armados, que correspondem a 29,8% da \u00e1rea da cidade. A hegemonia se concentra na zona oeste e avan\u00e7a na zona norte, com pouca influ\u00eancia na zona sul e no centro.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo analisou 690 mil registros do portal do Disque Den\u00fancia que mencionavam mil\u00edcias ou tr\u00e1fico de drogas, entre 2006 e 2021. Com isso, foi levantar o hist\u00f3rico do&nbsp;dom\u00ednio das fac\u00e7\u00f5es e mil\u00edcias em 13.308 sub-bairros, favelas e conjuntos habitacionais da regi\u00e3o metropolitana do Rio&nbsp;de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O Fogo Cruzado \u00e9 um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre viol\u00eancia armada nas regi\u00f5es metropolitanas do Rio, Recife e Salvador, com informa\u00e7\u00f5es sobre tiroteios checadas em tempo real.<\/p>\n\n\n\n<p>O Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni-UFF) \u00e9 especializado em diferentes formas de viol\u00eancias e conflitos sociais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pol\u00edcias<\/h2>\n\n\n\n<p>Questionada pela reportagem sobre o levantamento, a Pol\u00edcia Militar informou que a corpora\u00e7\u00e3o age no combate ao crime organizado a partir de informa\u00e7\u00f5es do setor de intelig\u00eancia e de \u00f3rg\u00e3os oficiais, como o Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), \u201csendo executadas com base em protocolos t\u00e9cnicos e definidos pelas legisla\u00e7\u00f5es e determina\u00e7\u00f5es judiciais vigentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Pol\u00edcia Militar acrescenta que, somente neste ano de 2022, a corpora\u00e7\u00e3o j\u00e1 prendeu mais de 23,9 mil criminosos, apreendeu mais de 2,5 mil adolescentes infratores e retirou das ruas mais de 4,35 mil armas de fogo, sendo 247 fuzis\u201d, informou a corpora\u00e7\u00e3o em nota.<\/p>\n\n\n\n<p>A Pol\u00edcia Civil informou que n\u00e3o vai comentar a pesquisa por n\u00e3o&nbsp;ter&nbsp;conhecimento sobre a metodologia utilizada e que possui departamento pr\u00f3prio de intelig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVale refor\u00e7ar que a Secretaria de Estado de Pol\u00edcia Civil (Sepol) possui a maior Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia do ramo da seguran\u00e7a p\u00fablica estadual do pa\u00eds, onde est\u00e3o concentrados todos os setores que buscam e produzem conhecimentos para assessorar na tomada de decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e operacionais de combate ao crime\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Kelly Oliveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa \u00e9 do Instituto Fogo Cruzado e Geni-UFF Por Akemi Nitahara \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":43757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-43756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43756"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43756\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":43758,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43756\/revisions\/43758"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43757"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}