{"id":52447,"date":"2023-01-29T11:45:54","date_gmt":"2023-01-29T14:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=52447"},"modified":"2023-01-29T11:45:55","modified_gmt":"2023-01-29T14:45:55","slug":"saude-mental-requer-visibilidade-trans-alem-da-transfobia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/01\/29\/saude-mental-requer-visibilidade-trans-alem-da-transfobia\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade mental requer visibilidade trans al\u00e9m da transfobia"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Neste domingo \u00e9 o Dia da Visibilidade Trans<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Vin\u00edcius Lisboa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/197727.mp3\"><\/h4>\n\n\n\n<p>&#8220;De que tipo de visibilidade estamos falando?&#8221;, questiona a psic\u00f3loga Jaqueline Gomes de Jesus, uma mulher trans negra, assim que \u00e9 perguntada sobre o tema em entrevista \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. Neste domingo (29), Dia da Visibilidade Trans, a pesquisadora da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica S\u00e9rgio Arouca, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (ENSP\/Fiocruz), alerta que a transfobia e a viol\u00eancia s\u00e3o uma realidade que precisa ser exposta, mas que a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental requer que a vis\u00e3o da sociedade e da popula\u00e7\u00e3o trans sobre si mesma seja estimulada a ir al\u00e9m da den\u00fancia de que h\u00e1 um risco iminente de sofrer viol\u00eancia, da falta de acesso ao mercado de trabalho e da baixa expectativa de vida.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1506560&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1506560&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/9RdbEuhWUVGLg5vMN-_HKJ_J9vE=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/jaqueline_gomes_de_jesus_hdr.jpg?itok=TUVMFfHD\" alt=\"Psicol\u00f3ga Jaqueline Gomes de Jesus coordena estudo internacional sobre sa\u00fade mental LGBTQIA+\" title=\"Acervo pessoal\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Psicol\u00f3ga Jaqueline Gomes de Jesus coordena estudo internacional sobre sa\u00fade mental LGBTQIA+ &#8211;&nbsp;<strong>Acervo pessoal<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>&#8220;No Brasil, a visibilidade trans tem sido muito pautada a partir de dados de viol\u00eancia letal. As pessoas muitas vezes conhecem a realidade da popula\u00e7\u00e3o trans somente por essa lente do &#8216;somos do pa\u00eds que mais mata pessoas trans no mundo&#8217;, em termos absolutos. Essa \u00e9 a imagem que fica&#8221;, afirma a pesquisadora, que avalia que isso impacta a pol\u00edtica p\u00fablica e a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a popula\u00e7\u00e3o trans.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Geralmente, as pol\u00edticas p\u00fablicas e como se pensa a popula\u00e7\u00e3o trans se reduzem a dados como esses, ou dados sobre a precariedade laboral. Eles s\u00e3o fatos. Mas o que significa s\u00f3 reproduzir esses fatos?&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora coordena no Brasil o estudo global SMILE (Sa\u00fade Mental de Minorias Sexuais e de G\u00eanero), que investiga a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+ em pa\u00edses de renda baixa e m\u00e9dia e se debru\u00e7a sobre dados do Brasil, Qu\u00eania e Vietn\u00e3. Al\u00e9m disso, Jaqueline preside a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos da Trans-Homocultura e tamb\u00e9m \u00e9 professora de psicologia no Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ). Ela alerta que a vis\u00e3o \u00fanica sobre a popula\u00e7\u00e3o trans como v\u00edtima da viol\u00eancia e exclus\u00e3o tem um impacto severo sobre a sa\u00fade mental.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Essas not\u00edcias constantes de viol\u00eancia e de assassinato e da limita\u00e7\u00e3o da expectativa de vida das pessoas trans, principalmente entre os jovens, isso tem um impacto direto na suicidabilidade, na exposi\u00e7\u00e3o ao risco, e tamb\u00e9m em outros fatores como ansiedade&#8221;, explica. &#8220;\u00c9 importante que criemos condi\u00e7\u00f5es para que a popula\u00e7\u00e3o trans seja vista e tamb\u00e9m se veja de forma mais positiva, com expectativa de sair dessa condi\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o ao risco de viol\u00eancia e de transfobia. E n\u00e3o apenas que seja vis\u00edvel nessa condi\u00e7\u00e3o&#8221;, defende.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Jaqueline Gomes de Jesus refor\u00e7a que essa mudan\u00e7a de foco n\u00e3o significa esconder a grave realidade de viol\u00eancia da qual as pessoas trans s\u00e3o v\u00edtimas, mas sim reconhecer a popula\u00e7\u00e3o trans na sua pluralidade e na sua pot\u00eancia, criando condi\u00e7\u00f5es para que ela seja vis\u00edvel de outras maneiras.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 ter a realidade como um dado, mas criar condi\u00e7\u00f5es de visibilidade para que as pessoas trans possam se ver em lugares potentes, transformadores, e possam ocupar esses lugares e ser vistas na sociedade nesses lugares. \u00c9 isso que vai criar sa\u00fade mental para a popula\u00e7\u00e3o trans na nossa cultura.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa virada requer condi\u00e7\u00f5es efetivas de acesso da popula\u00e7\u00e3o trans aos espa\u00e7os de comunica\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a, sa\u00fade e outros n\u00e3o apenas como usu\u00e1rias, mas como profissionais e produtoras desses saberes, diz a psic\u00f3loga. Ela defende que haja a\u00e7\u00f5es afirmativas para a contrata\u00e7\u00e3o de pessoas trans no setor p\u00fablico e privado, e tamb\u00e9m para acesso aos espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Quantas pessoas trans temos na imprensa e nos meios de comunica\u00e7\u00e3o de forma geral produzindo conte\u00fado enquanto jornalista? Enquanto comunicadores? Estamos criando a\u00e7\u00f5es afirmativas para termos mais pesquisadores e pesquisadoras trans? Nossos ju\u00edzes, advogados e m\u00e9dicos s\u00e3o pessoas trans tamb\u00e9m? \u00c9 preciso um salto al\u00e9m.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>A data escolhida para celebrar o Dia da Visibilidade Trans, 29 de janeiro, faz refer\u00eancia \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o ocorrida em 2004 na C\u00e2mara dos Deputados, para a campanha \u201cTravesti e Respeito\u201d, que levou a um in\u00e9dito ato de pessoas trans no Congresso Nacional. A pauta central, na \u00e9poca, era justamente a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Depress\u00e3o e ansiedade<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa com popula\u00e7\u00f5es LGBTQIA+ de diferentes pa\u00edses permite a&nbsp;Jaqueline Gomes de Jesus enxergar a transfobia como um fator que contribui de forma constante para casos de estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico, depress\u00e3o, ansiedade e suic\u00eddio. Mas cada pa\u00eds apresenta uma realidade diferente, em que transtornos mentais que j\u00e1 s\u00e3o mais prevalentes na popula\u00e7\u00e3o em geral ou em grupos espec\u00edficos s\u00e3o refor\u00e7ados no caso dos transexuais.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na popula\u00e7\u00e3o&nbsp;trans, a gente v\u00ea altas taxas de suicidabilidade, com idealiza\u00e7\u00e3o, planejamento e at\u00e9 execu\u00e7\u00e3o de casos de suic\u00eddio principalmente entre homens trans, e, particularmente, negros. E isso converge que no Brasil tamb\u00e9m s\u00e3o os homens negros os que mais tentam se matar. H\u00e1 converg\u00eancias em termos de g\u00eanero e de contextos culturais.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo conduzido h\u00e1 cinco anos pelo grupo do qual a psic\u00f3loga brasileira faz parte busca produzir evid\u00eancias para tratamentos focados na popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+. O trabalho \u00e9 reconhecer quadros de sa\u00fade mental espec\u00edficos dessa popula\u00e7\u00e3o e propor novas abordagens.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Falta muito tratamento em sa\u00fade mental baseado nos dados de cada cultura para quest\u00f5es como depress\u00e3o, tristeza, ansiedade, alcoolismo e v\u00e1rias quest\u00f5es que afetam a popula\u00e7\u00e3o LGBT. E a\u00ed a gente tira os dados para poder pensar em cada grupo pormenorizado.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fortalecimento<\/h2>\n\n\n\n<p>A pandemia de covid-19 foi um per\u00edodo de agravamento de quest\u00f5es de sa\u00fade mental em muitos grupos populacionais, e a psic\u00f3loga Marcelle Esteves, conselheira e coordenadora de sa\u00fade do Grupo Arco-\u00cdris, viu de perto que a popula\u00e7\u00e3o trans passou por dores espec\u00edficas. A organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental prestou assist\u00eancia psicol\u00f3gica a 2.530 pessoas durante a pandemia, e, entre elas, 884 pessoas trans.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;Foram momentos em que s\u00f3 quem estava olhando de frente e p\u00f4de ouvir sabe a dor de muitas pessoas trans que inclusive precisaram voltar para os espa\u00e7os de onde j\u00e1 tinham sa\u00eddo, voltar \u00e0s&nbsp;suas fam\u00edlias. E muitas pessoas precisaram se descontruir enquanto trans para poder permanecer nesses espa\u00e7os e ter comida e onde morar. Foi um per\u00edodo violento.&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>A psic\u00f3loga, uma mulher negra e cisg\u00eanero, descreve o &#8220;novo normal&#8221; a que a sociedade voltou depois dos per\u00edodos mais agudos da pandemia como um &#8220;velho anormal&#8221;. &#8220;N\u00e3o sei para quem \u00e9 novo. Para a popula\u00e7\u00e3o LGBT, pra popula\u00e7\u00e3o preta, n\u00e3o tem nada de novo. Nada do que essas popula\u00e7\u00f5es passaram na pandemia foi novo para eles. Eles j\u00e1 passavam isso, mas vivenciaram num grau<em>&nbsp;hard<\/em>&#8220;, diz ela. &#8220;A gente ainda v\u00ea e vai ver durante um tempo as sequelas desse per\u00edodo em que muitas pessoas vivenciaram a solid\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Marcelle Esteves v\u00ea uma total converg\u00eancia entre a visibilidade trans e a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental, especialmente ap\u00f3s a pandemia. A psic\u00f3loga afirma que a a visibilidade \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de fortalecimento mental para uma popula\u00e7\u00e3o que muitas vezes n\u00e3o tem acolhimento familiar e sofre discrimina\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os como o educacional. &#8220;Dar visibilidade interseccional \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans \u00e9 tamb\u00e9m dar garantia de um processo de sa\u00fade como um todo e de cidadania plena para essa popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;Se eu n\u00e3o me vejo, eu n\u00e3o me reconhe\u00e7o. Seu processo de identifica\u00e7\u00e3o e reconhecimento \u00e9 parte de como voc\u00ea se olha no mundo, de como voc\u00ea se percebe e percebe que tem outras pessoas iguais a voc\u00ea. Se eu n\u00e3o me vejo e n\u00e3o me reconhe\u00e7o, eu n\u00e3o existo, eu n\u00e3o estou. Ainda falta visibilidade no sentido do pertencimento.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Juliana Andrade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste domingo \u00e9 o Dia da Visibilidade Trans Por Vin\u00edcius Lisboa &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":52448,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-52447","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52447","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52447"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52447\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52449,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52447\/revisions\/52449"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52448"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52447"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52447"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52447"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}