{"id":55859,"date":"2023-03-21T15:47:15","date_gmt":"2023-03-21T18:47:15","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=55859"},"modified":"2023-03-21T15:47:17","modified_gmt":"2023-03-21T18:47:17","slug":"pesquisa-86-de-trabalhadoras-negras-relatam-casos-de-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/03\/21\/pesquisa-86-de-trabalhadoras-negras-relatam-casos-de-racismo\/","title":{"rendered":"Pesquisa: 86% de trabalhadoras negras relatam casos de racismo"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Todas as entrevistadas t\u00eam n\u00edvel superior e est\u00e3o empregadas<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio\u00a0de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/200659.mp3\"><\/h4>\n\n\n\n<p>Nesta&nbsp;ter\u00e7a-feira (21), quando se comemora o Dia Internacional de Luta pela Elimina\u00e7\u00e3o da Discrimina\u00e7\u00e3o Racial, pesquisa feita pela consultoria Trilhas de Impacto aponta que 86% das mulheres negras j\u00e1 sofreram casos de racismo nas empresas em que trabalham.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1517689&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1517689&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa in\u00e9dita<em>&nbsp;<\/em>Mulheres negras no mercado de trabalho, realizada por meio da rede social Linkedin, contou com a participa\u00e7\u00e3o de 155 mulheres na faixa et\u00e1ria de 19 e 55 anos, sendo a m\u00e9dia prevalente entre 30 e 45 anos. Do total das participantes, 50,3% possuem n\u00edvel superior e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o ou especializa\u00e7\u00e3o; 13,5% mestrado e doutorado; e 24,5%, ensino superior completo. Suas \u00e1reas de trabalho s\u00e3o educa\u00e7\u00e3o, recursos humanos, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o (TI) e an\u00e1lise de sistemas,&nbsp;<em>telemarketing<\/em>, rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas, administra\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio. A coleta de dados foi efetuada em 2021 e 2022.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, a diretora-presidente da consultoria, Juliana Kaizer, destaca que todas entrevistadas t\u00eam forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. \u201cIsso, para mim, \u00e9 um dado muito relevante, porque todas as mulheres entrevistadas t\u00eam curso superior completo e est\u00e3o formalmente empregadas. Chamou muito minha aten\u00e7\u00e3o que o fato de as pessoas terem n\u00edvel superior ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o n\u00e3o impede que elas sofram racismo. \u00c9 assustador\u201d, manifestou Juliana.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m \u00e9 uma mulher negra, professora do MBA em responsabilidade social e sustentabilidade do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;(UFRJ) e do curso de diversidade da Escola de Neg\u00f3cios (IAG) da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;(PUC-Rio). \u00c9 ainda aluna de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas e conselheira da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Recursos Humanos se\u00e7\u00e3o Rio&nbsp;de Janeiro&nbsp;(ABRH-RJ).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mito<\/h2>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Juliana, a pesquisa faz cair o mito da democracia racial que indica que, se a pessoa tiver um bom n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vai sofrer racismo. O objetivo foi conhecer a realidade das mulheres pretas e pardas no mercado de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a an\u00e1lise dos dados, Juliana percebeu que alguns aspectos se repetiam nos relatos e decidiu dividi-los em categorias para melhor compreens\u00e3o dos resultados qualitativos. Cabelo, por exemplo, foi um desses aspectos. Mais de 70% das mulheres relataram que, durante a jornada profissional, precisavam explicar porque o cabelo estava alisado, era&nbsp;<em>black,<\/em>&nbsp;ou a raz\u00e3o de terem colocado&nbsp;<em>lace<\/em>&nbsp;nos cabelos (pr\u00f3tese feita fio a fio em uma tela de microtule). \u201cAcho que esse \u00e9 um dado importante para a gente considerar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado que chamou a aten\u00e7\u00e3o foi que 68% das profissionais disseram&nbsp;ter&nbsp;sido confundidas, em algum momento, com a faxineira ou mo\u00e7a da limpeza da empresa. \u201cEu estou falando de mulheres com ensino superior completo e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou. Uma coordenadora de \u00e1rea mencionou que, todo dia, o l\u00edder do setor pedia para ela deixar arrumado o espa\u00e7o pessoal e dos demais colegas. \u201cEla n\u00e3o conseguia entender por que lhe era pedido aquilo. Os colegas iam embora e ela ficava limpando a sala. At\u00e9 que se deu conta de que estava sendo v\u00edtima de racismo. Mas demorou, porque ficou mais de um ano nessa situa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/LBsBctyuTmgJQ0shHZBlxgvc9gY=\/463x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/foto_ju_kaiser_-2023_divulgacao.jpg?itok=zoCnUeJY\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ) - A pesquisadora Juliana Kaiser fala sobre sua pesquisa a inclus\u00e3o racial nas empresas.\nFoto: Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Pesquisadora Juliana Kaiser &#8211;&nbsp;<strong>Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n\n\n\n<p>Para Juliana, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito cr\u00edtica. \u201c\u00c9 um neg\u00f3cio assustador\u201d. A pesquisa revela que mais de 50% das consultadas disseram que a cor da pele e o lugar onde moravam foi perguntado durante as entrevistas&nbsp;<em>online<\/em>&nbsp;no recrutamento. \u201cElas perceberam que, durante as entrevistas, no processo seletivo, tudo ia muito bem no formato&nbsp;<em>online<\/em>, com an\u00e1lise do curr\u00edculo, mas que, no momento da entrevista ao vivo, com a c\u00e2mera aberta, os recrutadores, em geral mulheres brancas, voltavam atr\u00e1s. \u201cEsse foi tamb\u00e9m um aspecto que as profissionais negras falaram muito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamou a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o fato de apesar de mais de 70% das respondentes terem p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, isso n\u00e3o faz com que elas subam na empresa. \u201cMuitas est\u00e3o h\u00e1 dez anos no cargo, n\u00e3o veem nenhuma pessoa parecida com elas em cargo de lideran\u00e7a, enfim, n\u00e3o se sentem estimuladas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Distanciamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Como pesquisadora negra, Juliana disse&nbsp;ter&nbsp;sido dif\u00edcil sair um pouco dela mesma para focar na pesquisa de forma distanciada. \u201cPorque estou falando de mim tamb\u00e9m. S\u00e3o barreiras pelas quais eu tamb\u00e9m passo. Se eu falo tr\u00eas idiomas, se moro fora do Brasil, n\u00e3o adianta. A cor da minha pele chega antes. E foi isso que a pesquisa mostrou. Muitas mulheres falam ingl\u00eas, algumas t\u00eam mestrado e doutorado e s\u00e3o tratadas de uma forma aviltante. E, se tem racismo, \u00e9 porque tem racistas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres que est\u00e3o em cargos de coordena\u00e7\u00e3o e ger\u00eancia afirmaram que quando descobriam que um colega branco desempenhava a mesma fun\u00e7\u00e3o mas tinha sal\u00e1rio maior, e elas pleiteavam aumento, as empresas criavam um cargo para justificar que a outra pessoa, na mesma posi\u00e7\u00e3o, ganhava mais. Todas, sem exce\u00e7\u00e3o, falaram de exaust\u00e3o no trabalho, tendo que dar provas de compet\u00eancia o tempo todo e, ao mesmo tempo, n\u00e3o ganhar o suficiente para sobreviver.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro dado importante \u00e9 que as mulheres negras n\u00e3o crescem na carreira profissional no Brasil. \u201cElas podem at\u00e9 crescer em cargos, mas n\u00e3o crescem em dinheiro\u201d. Juliana destacou que 52% dos estudantes de universidades federais s\u00e3o negros e questionou por que essa pr\u00e1tica n\u00e3o se repete nas empresas, com pessoas pretas em cargos de lideran\u00e7a, ganhando um bom dinheiro. De acordo com estudo do Instituto Ethos de 2020, mulheres negras representam 9,3% dos quadros das 500 maiores companhias do Brasil, mas est\u00e3o presentes apenas em 0,4% dos altos cargos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela espera que as empresas fiquem constrangidas diante do resultado da pesquisa e que isso possa levar a uma mudan\u00e7a de comportamento. \u201cA gente tem um problema para resolver enquanto na\u00e7\u00e3o\u201d. Na pesquisa, das 155 entrevistadas, pelo menos 40 mulheres falaram das mesmas empresas e o nome de 16 dessas companhias se repetiu nas cita\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Mat\u00e9ria atualizada no dia 21 de mar\u00e7o, \u00e0s 11h48, para esclarecimento de informa\u00e7\u00f5es no t\u00edtulo e no primeiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Maria Claudia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as entrevistadas t\u00eam n\u00edvel superior e est\u00e3o empregadas Por Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":55860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-55859","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55859"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55859\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55861,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55859\/revisions\/55861"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}