{"id":55905,"date":"2023-03-23T05:00:00","date_gmt":"2023-03-23T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=55905"},"modified":"2023-03-22T14:00:12","modified_gmt":"2023-03-22T17:00:12","slug":"durante-40-anos-homicidios-de-mulheres-foram-subnotificados-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/03\/23\/durante-40-anos-homicidios-de-mulheres-foram-subnotificados-no-pais\/","title":{"rendered":"Durante 40 anos, homic\u00eddios de mulheres foram subnotificados no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Problema \u00e9 mais grave no Norte e Nordeste, diz pesquisa<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Carolina Pessoa \u2013 Rep\u00f3rter da R\u00e1dio Nacional &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/200733.mp3\"><\/h4>\n\n\n\n<p>As taxas de homic\u00eddio de mulheres foram subnotificadas no Brasil por um per\u00edodo de 40 anos, de 1980 a 2019. O aumento foi de 28,62%, passando de 4,58 homic\u00eddios por 100 mil mulheres para 5,89, na mesma raz\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1517983&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1517983&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o de um estudo realizado por pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), do Instituto Nacional do C\u00e2ncer (Inca), e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), \u00f3bitos acima de 3 para 100 mil mulheres j\u00e1 caracterizam a regi\u00e3o como de extrema viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar a este resultado, a pesquisa empregou um m\u00e9todo de corre\u00e7\u00e3o ao analisar as mortes violentas de mulheres para tentar identificar a viol\u00eancia de g\u00eanero, a partir de dados do registro de \u00f3bito do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Mortalidade do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SIM\/Datasus).<\/p>\n\n\n\n<p>Karina Meira, pesquisadora da UFRN e coordenadora do estudo, explica o m\u00e9todo utilizado:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cExistem t\u00e9cnicas demogr\u00e1ficas que permitem identificar fatores de corre\u00e7\u00e3o para esse problema de subnotifica\u00e7\u00e3o. Primeiro n\u00f3s fizemos a corre\u00e7\u00e3o para as causas indeterminadas e depois n\u00f3s fizemos as corre\u00e7\u00f5es para a subnotifica\u00e7\u00e3o, e a\u00ed a gente teve um n\u00famero de \u00f3bitos, de homic\u00eddios, corrigido\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>O estudo apresenta alta na frequ\u00eancia de \u00f3bitos de mulheres causados por viol\u00eancia em todas as regi\u00f5es brasileiras. Na Regi\u00e3o Norte, por exemplo, esse tipo de ocorr\u00eancia foi 49,88% maior do que o apontado pelo governo. O menor \u00edndice foi observado na Regi\u00e3o Sul, embora tamb\u00e9m tenha sido registrado aumento de 9,13%.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Guimar\u00e3es, pesquisador do Departamento de Ci\u00eancias Sociais da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica S\u00e9rgio Arouca, da Fiocruz, e coautor do estudo, explica essas disparidades entre regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente tem a\u00ed uma redu\u00e7\u00e3o do risco de \u00f3bito para o Sudeste e para o Sul e um aumento no Norte e Nordeste, o que significa dizer que ao longo destes \u00faltimos 40 anos, gradativamente, esse problema de sa\u00fade p\u00fablica foi se tornando particularmente mais penalizante para mulheres do Norte e do Nordeste do que pro Sul do Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recorte racial<\/h2>\n\n\n\n<p>Outro dado alarmante \u00e9 quanto aos assassinatos de mulheres negras. Entre 2009 e 2019, o Brasil registrou uma redu\u00e7\u00e3o dos homic\u00eddios de mulheres brancas, e um aumento entre mulheres pretas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, uma mulher negra sofria um risco, em m\u00e9dia, 1,7 vez maior de ser assassinada, sendo a situa\u00e7\u00e3o mais grave em alguns estados. No Rio Grande do Norte, por exemplo, uma mulher preta corria risco 5,1 vezes maior de ser morta.<\/p>\n\n\n\n<p>Karina Meira refor\u00e7a que esse resultado reflete a persist\u00eancia do racismo no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA gente \u00e9 um pa\u00eds que tem um racismo, que a gente vivenciou a escravid\u00e3o por mais de 300 anos, e n\u00f3s temos um pa\u00eds em que os corpos negros, tanto de mulheres quanto de homens, t\u00eam menos valor\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Recorte et\u00e1rio e regional<\/h2>\n\n\n\n<p>A faixa et\u00e1ria tamb\u00e9m foi analisada pelo estudo, que aponta que mulheres entre 20 e 39 anos enfrentam risco maior de sofrerem viol\u00eancia do que mulheres de outros grupos et\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>O local tamb\u00e9m influencia. Uma mulher em cidades em que a cultura patriarcal \u00e9 mais conservadora enfrenta maior risco de sofrer viol\u00eancia dom\u00e9stica do que mulheres em localidades em que h\u00e1 mais discuss\u00e3o sobre viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael Guimar\u00e3es ressalta a import\u00e2ncia da pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente considera importante discutir o assassinato de mulheres neste m\u00eas em particular de mar\u00e7o porque \u00e9 o m\u00eas em que a gente celebra o Dia Internacional da Mulher e a gente pretende que este nosso diagn\u00f3stico seja uma pequena contribui\u00e7\u00e3o para os estudos de iniquidades do g\u00eanero neste pa\u00eds\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise tamb\u00e9m apontou os principais m\u00e9todos usados nos assassinatos, entre eles armas de fogo, objetos contundentes ou perfurantes e estrangulamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: T\u00e2mara Freire \/ Alessandra Esteves<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Problema \u00e9 mais grave no Norte e Nordeste, diz pesquisa Por Carolina Pessoa \u2013 Rep\u00f3rter<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":55906,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-55905","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55905","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55905"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55905\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55907,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55905\/revisions\/55907"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55906"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55905"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55905"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55905"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}