{"id":56956,"date":"2023-04-07T12:36:00","date_gmt":"2023-04-07T15:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=56956"},"modified":"2023-04-07T12:36:02","modified_gmt":"2023-04-07T15:36:02","slug":"crescem-casos-de-ataques-em-escolas-especialistas-dizem-o-que-fazer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/04\/07\/crescem-casos-de-ataques-em-escolas-especialistas-dizem-o-que-fazer\/","title":{"rendered":"Crescem casos de ataques em escolas: especialistas dizem o que fazer"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Antes incomuns no pa\u00eds, crimes t\u00eam aumentado<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por L\u00e9o Rodrigues \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/201541.mp3\"><\/audio><\/h4>\n\n\n\n<p>H\u00e1 doze anos, um jovem de 23 anos invadiu a escola onde havia estudado no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, e produziu um massacre que chocou o pa\u00eds: armado com dois rev\u00f3lveres, ele disparou contra os alunos, matando doze deles e cometendo suic\u00eddio em seguida. Na \u00e9poca, o epis\u00f3dio assustador foi tratado pela imprensa como de fato era at\u00e9 ent\u00e3o: algo fora do comum no Brasil. H\u00e1 alguns anos, no entanto, a ocorr\u00eancia de diversos casos similares tem exigido aten\u00e7\u00e3o das autoridades e gerado preocupa\u00e7\u00e3o em pesquisadores, que apontam&nbsp;caminhos para enfrentar esse cen\u00e1rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Anteontem (5) uma creche em Blumenau (SC) se tornou alvo de um homem de 25 anos que tirou a vida de quatro crian\u00e7as. Nesse caso, investiga\u00e7\u00f5es preliminares n\u00e3o apontaram nenhum v\u00ednculo do agressor com a institui\u00e7\u00e3o. H\u00e1 menos de dez dias, outro ataque causou uma morte e deixou cinco pessoas feridas na Escola Estadual Thomazia Montoro, no bairro Vila S\u00f4nia, em S\u00e3o Paulo. O crime foi cometido por um de seus alunos, de 13 anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos anos, outros epis\u00f3dios similares que tiveram grande repercuss\u00e3o no pa\u00eds tamb\u00e9m foram promovidos por estudantes ou ex-estudantes, como os registrados em Aracruz (ES) no ano passado e em Suzano (SP) em 2019.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ataques pelo pa\u00eds<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com mapeamento da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) sobre casos de ataques em escolas por alunos ou ex-alunos, o primeiro epis\u00f3dio foi registrado em 2002. \u00c0 \u00e9poca, um adolescente de 17 anos disparou contra duas colegas dentro da sala de aula de uma escola particular de Salvador. O levantamento da Unicamp deixa de fora epis\u00f3dios de viol\u00eancia n\u00e3o planejados, que podem ocorrer, por exemplo, em decorr\u00eancia de uma briga.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Foram listadas 22 ocorr\u00eancias desde 2002, sendo que em uma ocasi\u00e3o o ataque envolveu duas escolas. Em tr\u00eas epis\u00f3dios, o crime foi cometido em dupla. Em cinco, os atiradores se suicidaram na sequ\u00eancia. Ao todo, 30 pessoas morreram, sendo 23 estudantes, cinco professores e dois funcion\u00e1rios das escolas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do total de casos, 13 (mais da metade) est\u00e3o concentrados apenas nos \u00faltimos dois anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Extremismo de direita<\/h2>\n\n\n\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com a situa\u00e7\u00e3o levou o professor da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Daniel Cara, a coordenar a cria\u00e7\u00e3o de um grupo formado por 11 pesquisadores de universidades de diversos estados do pa\u00eds. No final do ano passado, eles elaboraram um documento analisando o cen\u00e1rio e propondo estrat\u00e9gias concretas para a a\u00e7\u00e3o governamental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os pesquisadores, esses casos devem ser classificados como extremismo de direita, pois envolvem coopta\u00e7\u00e3o de adolescentes por grupos neonazistas que se apoiam na ideia de supremacia branca e masculina e os estimulam a realizar os ataques. Esses grupos disseminam um discurso que valoriza o preconceito, a discrimina\u00e7\u00e3o, o uso de for\u00e7a e que encoraja direta e indiretamente atos agressivos e violentos. Para os pesquisadores, medidas de preven\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e3o eficazes se atuarem sobre esse cen\u00e1rio.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 necess\u00e1rio compreender que o processo de coopta\u00e7\u00e3o pela extrema-direita se d\u00e1 por meio de intera\u00e7\u00f5es virtuais, em que o adolescente ou jovem \u00e9 exposto com frequ\u00eancia ao conte\u00fado extremista difundido em aplicativos de mensagens, jogos, f\u00f3runs de discuss\u00e3o e redes sociais&#8221;, registra o documento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A presen\u00e7a de s\u00edmbolos associados a ideologias de extrema-direita tem sido recorrente nestes atos violentos. O autor de um ataque realizado em fevereiro deste ano com bombas caseiras em uma escola em Monte Mor (SP), que n\u00e3o resultou em mortos ou feridos, vestia uma bra\u00e7adeira com a su\u00e1stica nazista. Artigo similar foi usado no massacre que deixou quatro mortos e diversos feridos em duas escolas de Aracruz em novembro do ano passado. O jovem respons\u00e1vel pelo epis\u00f3dio de viol\u00eancia usava sobre a manga de sua roupa camuflada uma bra\u00e7adeira com um emblema que era usado por nazistas alem\u00e3es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em>Siege mask<\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>No recente ataque registrado na Vila S\u00f4nia, em S\u00e3o Paulo, assim como no de Aracruz no ano passado, o autor vestia ainda uma m\u00e1scara de esqueleto. Usada pelo personagem Ghost da franquia de jogos&nbsp;<em>Call Of Duty<\/em>, ela \u00e9 conhecida como&nbsp;<em>siege mask<\/em>&nbsp;e se popularizou em f\u00f3runs de&nbsp;<em>gamers<\/em>&nbsp;extremistas para depois se tornar um aparato de identifica\u00e7\u00e3o de simpatizantes neonazistas em todo o mundo. \u00c9 hoje uma marca em atos da extrema-direita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aparece, por exemplo, em janeiro de 2021 na invas\u00e3o do Capit\u00f3lio, edif\u00edcio que abriga o Congresso dos Estados Unidos, por uma multid\u00e3o descontente com a derrota do ex-presidente Donald Trump nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais do pa\u00eds. Esteve presente tamb\u00e9m nos atos antidemocr\u00e1ticos ocorridos em Bras\u00edlia no dia 8 de janeiro desse ano. Imagens de c\u00e2meras de seguran\u00e7a captaram a imagem de um homem utilizando a m\u00e1scara em meio ao grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que depredaram o Pal\u00e1cio do Planalto e defendiam uma interven\u00e7\u00e3o militar para depor o rec\u00e9m-iniciado governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo sustentam alguns pesquisadores, a&nbsp;<em>siege mask<\/em>&nbsp;foi adotada por grupos de extrema-direita por suas semelhan\u00e7as com a caveira que era usada como emblema pela&nbsp;<em>Totenkopf<\/em>, uma divis\u00e3o da SS, organiza\u00e7\u00e3o paramilitar ligada ao Partido Nazista que atuou diretamente no Holocausto. Essa m\u00e1scara tamb\u00e9m est\u00e1 associada com o massacre realizado por uma dupla que deixou oito mortos em 2019 na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano. Um dos respons\u00e1veis pelo crime a utilizava em fotos compartilhadas nas redes sociais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&#8220;Sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento&#8221;<\/h2>\n\n\n\n<p>A educadora Telma Vinha, coordenadora da pesquisa realizada pela Unicamp, observa que h\u00e1 um perfil mais frequente entre os autores dos ataques: homens jovens brancos geralmente com baixa autoestima e sem popularidade na escola. &#8220;N\u00e3o s\u00e3o populares na turma. Eles t\u00eam muitas rela\u00e7\u00f5es virtuais, mas n\u00e3o tanto presenciais. E nutrem uma falta de perspectiva, de prop\u00f3sito em termos de futuro&#8221;, pontuou em entrevista levada ao ar no dia 30 de mar\u00e7o pela TV Unicamp.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m afirma ser comum a exist\u00eancia de transtornos mentais n\u00e3o diagnosticados ou sem o devido acompanhamento. Esses quadros podem se desenvolver ou se agravar pela dificuldade de relacionamento nas escolas, o que pode ocorrer, por exemplo, com os que s\u00e3o alvos de&nbsp;<em>bullying<\/em>. Alguns tamb\u00e9m vivem situa\u00e7\u00f5es prolongadas de exposi\u00e7\u00e3o a processos violentos em casa, incluindo neglig\u00eancias familiares e autoritarismo parental, o que contribuem para desenvolver um perfil de agressividade no \u00e2mbito dom\u00e9stico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Telma observa que a coopta\u00e7\u00e3o tem ocorrido por meio de jogos&nbsp;<em>online<\/em>, onde h\u00e1&nbsp;<em>chats<\/em>&nbsp;paralelos. Dali, se deslocam para f\u00f3runs e redes sociais onde h\u00e1 incentivo de viol\u00eancia e discursos mis\u00f3ginos e racistas. No ambiente virtual, esses jovens podem experimentar uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento a um grupo que n\u00e3o possuem na escola. O crescimento dos ataques tamb\u00e9m tem sido relacionado como um poss\u00edvel desdobramentos da pandemia de covid-19. Isso porque o consumo de jogos eletr\u00f4nicos cresceu durante os per\u00edodos de isolamento social, o que deixaria os jovens mais expostos \u00e0 coopta\u00e7\u00e3o por grupos que propagam discursos de \u00f3dio.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a educadora, na maioria das vezes, n\u00e3o se tratam de crimes passionais, motivados unicamente por vingan\u00e7a ou raiva desencadeada por um tratamento recebido. Os autores planejam&nbsp;fazer o maior n\u00famero de v\u00edtimas, pois t\u00eam como objetivo a busca por notoriedade p\u00fablica e reconhecimento da comunidade virtual.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Mesmo agindo de forma isolada, acreditam que fazem parte de um movimento, se sentem parte de algo maior&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tamb\u00e9m ressalta que o Brasil n\u00e3o est\u00e1 vivendo um fen\u00f4meno isolado, mas que casos com caracter\u00edsticas muito similares tamb\u00e9m est\u00e3o sendo registrados em outros pa\u00edses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, onde massacres produzidos por jovens em escolas ocorrem h\u00e1 mais tempo e com mais frequ\u00eancia, um&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/education\/interactive\/school-shootings-database\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">levantamento realizado pelo jornal Washington Post<\/a>&nbsp;mapeou 377 incidentes desde 1999. Considerando somente 2021 e 2022, foram 88, quase um quarto do total.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, de acordo com o mapeamento da Unicamp, os ataques registrados desde 2002 aconteceram em 19 escolas p\u00fablicas, entre estaduais e municipais, e em quatro particulares. Segundo Telma, os perfis das institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o distintos. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para responsabiliz\u00e1-las. Ela conta que j\u00e1 conheceu professores que se perguntavam se fizeram algo de errado.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nada que explique porque aconteceu em determinada escola e n\u00e3o em outra. Pode acontecer em qualquer lugar. Tem escolas localizadas em regi\u00f5es mais violentas dos que as que foram atacadas. Ataques ocorrem em escolas com diferentes n\u00edveis de estrutura&#8221;, pondera.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Caminhos&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s os \u00faltimos ataques, o governo paulista se apressou em anunciar algumas medidas, entre elas a aloca\u00e7\u00e3o de policiais dentro das escolas e a amplia\u00e7\u00e3o de investimento em um programa de media\u00e7\u00e3o de conflitos nas unidades de ensino. Em Santa Catarina, o prefeito de Blumenau prometeu a cria\u00e7\u00e3o de um protocolo de preven\u00e7\u00e3o para evitar novos casos.<\/p>\n\n\n\n<p>A repercuss\u00e3o dos casos recentes tamb\u00e9m levou a ado\u00e7\u00e3o de medidas em outros estados. O governo do Rio de Janeiro anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um Comit\u00ea Permanente de Seguran\u00e7a Escolar com representantes da Seguran\u00e7a P\u00fablica e da Educa\u00e7\u00e3o para atuar na preven\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia nas escolas p\u00fablicas e privadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o governo federal criou um grupo interministerial para analisar propostas de pol\u00edticas p\u00fablicas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Heloisa Cristaldo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes incomuns no pa\u00eds, crimes t\u00eam aumentado Por L\u00e9o Rodrigues \u2013 Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":56957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-56956","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=56956"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":56958,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/56956\/revisions\/56958"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/56957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=56956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=56956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=56956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}