{"id":57401,"date":"2023-04-14T13:48:51","date_gmt":"2023-04-14T16:48:51","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=57401"},"modified":"2023-04-14T13:48:53","modified_gmt":"2023-04-14T16:48:53","slug":"mare-estudo-ve-efeitos-mentais-e-fisicos-da-violencia-em-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/04\/14\/mare-estudo-ve-efeitos-mentais-e-fisicos-da-violencia-em-mulheres\/","title":{"rendered":"Mar\u00e9: estudo v\u00ea efeitos mentais e f\u00edsicos da viol\u00eancia em mulheres"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Ag\u00eancia Brasil teve acesso com exclusividade \u00e0 pesquisa<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"> Por L\u00e9o Rodrigues &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/201869.mp3\"><\/audio><\/h4>\n\n\n\n<p>&#8220;Semana retrasada, come\u00e7ou \u00e0s 5h30. Come\u00e7am os tiros,&nbsp;a\u00ed voc\u00ea j\u00e1 fica logo tensa&#8221;, conta Ana L\u00facia Alves dos Santos, de 61 anos. Ela foi uma das 30 mulheres entrevistadas em uma pesquisa que buscou compreender os impactos da viol\u00eancia armada na vida de mulheres do Complexo da Mar\u00e9. Nos&nbsp;relatos colhidos, foram observados&nbsp;efeitos mentais e f\u00edsicos e reveladas estrat\u00e9gias de cuidado e prote\u00e7\u00e3o que as mulheres adotam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana L\u00facia explica \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;como a opera\u00e7\u00e3o policial altera completamente sua rotina e seu estado de esp\u00edrito. &#8220;Eu fa\u00e7o aula l\u00e1 na Vila Ol\u00edmpica \u00e0s 7h. Acordo cedo e me preparo. A\u00ed come\u00e7o&nbsp;a escutar os tiros, pronto. Acabou o dia. Voc\u00ea fica tensa, preocupada. Minha filha tinha que sair para trabalhar. Meu marido tamb\u00e9m. Eu pe\u00e7o cuidado. Pe\u00e7o para me ligar quando chegar na Avenida Brasil&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/f0vetQe3-zoP_xSNFk9mBMM8yQ0=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_8797.jpeg?itok=5eP8jFXn\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/04\/2023 - A moradora da favela da Mar\u00e9 Ana L\u00facia Alves fala sobre os impactos da viol\u00eancia armada em sua vida em pesquisa da Redes da Mar\u00e9. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Rio de Janeiro, 12\/04\/2023 &#8211; A moradora da favela da Mar\u00e9 Ana L\u00facia Alves fala sobre os impactos da viol\u00eancia armada em sua vida &#8211;&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo qualitativo lan\u00e7ou um olhar cient\u00edfico sobre relatos como esse. Realizado como parte do projeto De Olho na Mar\u00e9, mantido pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Redes da Mar\u00e9, ele envolveu pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e de duas institui\u00e7\u00f5es brit\u00e2nicas,&nbsp;as&nbsp;universidades de Warwick e de Cardiff. Al\u00e9m das entrevistas, foram utilizadas&nbsp;outras ferramentas metodol\u00f3gicas, como rodas de conversas e oficinas semanais de dan\u00e7a e&nbsp;yoga dance.<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando todas as atividades&nbsp;desenvolvidas entre setembro de 2021 e novembro do ano passado, mais de 50 participantes de diferentes idades foram envolvidas. A&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;teve acesso com exclusividade ao estudo, que ser\u00e1 lan\u00e7ado e apresentado hoje (14), \u00e0s 15h,na Casa das Mulheres da Mar\u00e9, em evento aberto os moradores e demais interessados.<\/p>\n\n\n\n<p>O Complexo da Mar\u00e9 compreende 16 favelas onde vivem cerca de 140 mil pessoas. Somente em 2022, segundo monitoramento da Redes da Mar\u00e9, foram registradas&nbsp;27 opera\u00e7\u00f5es policiais nesse territ\u00f3rio: uma a cada 13 dias. Homens formam a maioria absoluta das mortos quando h\u00e1 confrontos. De acordo com o \u00faltimo Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, publicado no ano passado pela organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, a maioria das v\u00edtimas de mortes decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial no pa\u00eds \u00e9 do sexo masculino (99,2%), de negros (84,1%) e com menos de 29 anos (74%).<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores, no entanto, lembram que a presen\u00e7a e circula\u00e7\u00e3o de armas em um territ\u00f3rio provocam, al\u00e9m das mortes, diversas viola\u00e7\u00f5es individuais e coletivas: invas\u00f5es de domic\u00edlios, agress\u00f5es f\u00edsicas e verbais, restri\u00e7\u00f5es de mobilidade e circula\u00e7\u00e3o e fechamento de escolas e unidades de sa\u00fade. Essa realidade \u00e9 documentada pelo projeto De Olho na Mar\u00e9. Entre 2017 e 2022, foram contabilizadas 169 opera\u00e7\u00f5es policiais e 122 confrontos entre os grupos armados, que resultaram em 195 mortos, 186 feridos por arma de fogo, 572 viola\u00e7\u00f5es de direitos individuais, 93 dias sem aulas e 122 dias com servi\u00e7os de sa\u00fade suspensos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/F0iPXGXKlwU8o3TjyTLkrCOWgvY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_8705.jpeg?itok=MS6ZCHxb\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/04\/2023 - A pesquisadora  da Redes da Mar\u00e9 Isabel Barbosa,  mestre em  Pol\u00edticas P\u00fablicas em Direitos Humanos pela UFRJ, aborda impactos da viol\u00eancia armada na vida das mulheres da Mar\u00e9. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Rio de Janeiro, 12\/04\/2023 &#8211; A pesquisadora Isabel Barbosa, mestre em Pol\u00edticas P\u00fablicas em Direitos Humanos pela UFRJ, aborda impactos da viol\u00eancia armada na vida das mulheres da Mar\u00e9. Foto&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Isabel Barbosa, pesquisadora envolvida no estudo, afirma&nbsp;que as mulheres s\u00e3o v\u00edtimas majorit\u00e1rias em algumas dessas situa\u00e7\u00f5es, como invas\u00e3o a domic\u00edlios, viol\u00eancia verbal e ass\u00e9dio sexual. &#8220;S\u00e3o, muitas vezes, cometidas por agentes do pr\u00f3prio Estado encarregados de garantir a seguran\u00e7a. E quando essa viol\u00eancia \u00e9 causada por membros dos grupos armados que atuam no territ\u00f3rio, h\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de silenciamento. Como essas mulheres podem se proteger ou at\u00e9 mesmo buscar ajuda?&#8221;, observa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela lembra&nbsp;que as mulheres tamb\u00e9m sofrem impacto&nbsp;pela letalidade, pois as v\u00edtimas podem ser seus filhos, companheiros e outros familiares. &#8220;Al\u00e9m da dor da perda, elas t\u00eam que lidar com a exposi\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, com o julgamento das pessoas, com a culpa diante do que aconteceu como se pudessem fazer alguma coisa para impedir. E \u00e9 algo que n\u00e3o tem como prever. Voc\u00ea n\u00e3o sabe quando vai ter um tiro atravessando a sua casa&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A Redes da Mar\u00e9 foi formalizada em 2007 como um desdobramento de mobiliza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias iniciadas na d\u00e9cada de 1980 e tem como um de seus prop\u00f3sitos a efetiva\u00e7\u00e3o dos direitos dos moradores em diversas esferas: na seguran\u00e7a p\u00fablica, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, cultura, urbaniza\u00e7\u00e3o&nbsp;etc. De acordo com Liliane Santos, coordenadora do eixo Direito \u00e0 Seguran\u00e7a P\u00fablica e Acesso \u00e0 Justi\u00e7a da organiza\u00e7\u00e3o, a elabora\u00e7\u00e3o de pesquisas sempre foi uma preocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/CeToCntNv9FxZInGwHBsa44qw98=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_8742.jpeg?itok=3M6HdEXy\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/04\/2023 - A assistente social  da Redes da Mar\u00e9 Liliane Santos aborda impactos da viol\u00eancia armada na vida das mulheres da Mar\u00e9. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Rio de Janeiro, 12\/04\/2023 &#8211; A assistente social&nbsp;Liliane Santos aborda impactos da viol\u00eancia armada na vida das mulheres da Mar\u00e9. Foto:&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00f3s entendemos que&nbsp;s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel olhar para as grandes demandas, grandes quest\u00f5es do territ\u00f3rio, a partir da produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. A partir das demandas identificadas nas pesquisas, buscamos fazer propostas&nbsp;para contribuir com a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. N\u00e3o s\u00f3 para a Mar\u00e9, mas para a cidade e o pa\u00eds como um todo&#8221;, disse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sa\u00fade Mental<\/h2>\n\n\n\n<p>Liliane explica que os novos estudos buscam dialogar com outras pesquisas e levantamentos sobre a viol\u00eancia armada realizados anteriormente. Em 2021, a pesquisa Construindo Pontes apontou, por meio de abordagem amostral, que 55,6% dos moradores da Mar\u00e9 sentem medo de que algu\u00e9m pr\u00f3ximo seja atingido por bala perdida. Entre aqueles que declararam que j\u00e1 estiveram expostos a tiroteios, 44% relatam danos em sua sa\u00fade mental, 12% tiveram pensamentos relacionados a suic\u00eddio e 30% \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros dados chamam a aten\u00e7\u00e3o: 26% dos moradores mencionaram epis\u00f3dios depressivos e 25,5% contaram ter tido ansiedade nos tr\u00eas meses anteriores devido \u00e0 viol\u00eancia armada. Segundo os pesquisadores, os relatos colhidos no estudo com as mulheres permitiram obter informa\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas da popula\u00e7\u00e3o feminina e aprofundar o conhecimento acerca desses impactos j\u00e1 revelados nos levantamentos quantitativos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 um constante estado de alerta. Qualquer helic\u00f3ptero que a gente escuta, j\u00e1 vem \u00e0&nbsp;cabe\u00e7a uma opera\u00e7\u00e3o policial. Ent\u00e3o, h\u00e1 sempre uma preocupa\u00e7\u00e3o com seus familiares que sa\u00edram para trabalhar ou para estudar. E a\u00ed, ser\u00e1 que eles v\u00e3o voltar bem? H\u00e1&nbsp;essa tens\u00e3o,&nbsp;que pode agravar ou causar quadro de ansiedade e depress\u00e3o&#8221;, afirma Isabel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a pesquisadora, a&nbsp;imin\u00eancia do confronto a qualquer hora causa sensa\u00e7\u00e3o frequente de medo e tens\u00e3o. Nos relatos colhidos, h\u00e1 men\u00e7\u00e3o ao temor pela vida de filhos e netos, \u00e0 afli\u00e7\u00e3o envolvendo o barulho de helic\u00f3ptero, \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia e de silenciamento diante de uma perda, al\u00e9m de outros impactos psicol\u00f3gicos e emocionais. Algumas mulheres comentaram sobre danos f\u00edsicos e mentais envolvendo marcas de tiros em suas resid\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Joselita Pereira da Silva, de 63 anos, que tamb\u00e9m foi ouvida no estudo conta \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;que, em dia de opera\u00e7\u00e3o policial, n\u00e3o consegue relaxar. &#8220;J\u00e1 acordo com o meu cora\u00e7\u00e3o muito agitado. \u00c9 muito dif\u00edcil. Eles entram nas nossas casas, reviram tudo. Tratam como se todos fossem bandidos. E n\u00e3o \u00e9 assim n\u00e3o. Eu sou nascida e criada aqui. Tenho tr\u00eas filhos biol\u00f3gicos e tr\u00eas de cria\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m \u00e9 bandido, todo mundo \u00e9 formado, gra\u00e7as a Deus. Cada um tem a sua profiss\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/ZqMgKP2rRw4ptc-UDm40pxX4LxQ=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/_mg_8762.jpeg?itok=a_E2trlZ\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 12\/04\/2023 - A moradora da favela da Mar\u00e9 Jorgelita Pereira fala sobre os impactos da viol\u00eancia armada em sua vida em pesquisa da Redes da Mar\u00e9. Foto: Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Rio de Janeiro, 12\/04\/2023 &#8211; A moradora da favela da Mar\u00e9 Jorgelita Pereira fala sobre os impactos da viol\u00eancia armada em sua vida &#8211; Foto&nbsp;<strong>Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A moradora relata seu temores. &#8220;Fico com medo de o meu esposo sair do trabalho. Fico com medo de meus filhos sa\u00edrem do trabalho. As crian\u00e7as n\u00e3o podem ir para a escola. O posto de sa\u00fade n\u00e3o funciona. \u00c9 uma agressividade t\u00e3o grande. Quando d\u00e1 5h da tarde, a gente pergunta para os vizinhos: &#8216;J\u00e1 acabou? J\u00e1 foram embora?&#8217;. \u00c9 muito triste&#8221;, acrescenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meio dos depoimentos das mulheres, os pesquisadores buscaram identificar tamb\u00e9m comportamentos diante da morte de um filho ou de um ente querido. Eles indicam que a exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia, muitas vezes de forma depreciativa, pode gerar raiva e indigna\u00e7\u00e3o. Com o tempo, as mulheres buscam lidar com a perda de outras formas: algumas, por exemplo, se engajam em organiza\u00e7\u00f5es de base comunit\u00e1ria ou de luta pol\u00edtica e outras tentam ocupar seu tempo com o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m associa a viol\u00eancia armada a quadros de s\u00edndrome do p\u00e2nico e de transtornos alimentares. Aponta ainda que a piora da sa\u00fade mental pode estar vinculada ao desenvolvimento ou agravamento de doen\u00e7as como hipertens\u00e3o e diabetes. Al\u00e9m disso, os confrontos geram impactos negativos para o enfrentamento de casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica: alguns servi\u00e7os respons\u00e1veis por proteger as mulheres v\u00edtimas desses crimes se recusam a entrar no territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo buscou entender tamb\u00e9m as estrat\u00e9gias adotadas pelas mulheres diante da viol\u00eancia armada. Foram identificadas medidas variadas. O uso de roupas brancas ou claras foi citado e justificado pela percep\u00e7\u00e3o de que a pol\u00edcia interpreta&nbsp;o uso do preto como ades\u00e3o aos grupos armados. Outra estrat\u00e9gia \u00e9 o acompanhamento de redes sociais e servi\u00e7os de mensagem, por onde se informam sobre a din\u00e2mica do territ\u00f3rio, incluindo a ocorr\u00eancia de confrontos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mulheres disseram ainda que&nbsp;trancam&nbsp;a porta e se escondem&nbsp;em locais mais afastados e protegidos da casa quando as opera\u00e7\u00f5es policiais est\u00e3o em curso. Uma entrevistada negra relatou ter o h\u00e1bito de guardar os comprovantes de compra dos bens que tem em casa, para provar que seu patrim\u00f4nio \u00e9 legal.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre aquelas que moram sozinha, tamb\u00e9m foi mencionada&nbsp;a prefer\u00eancia de ir para as ruas, onde se sentem menos expostas ao risco de ass\u00e9dio sexual pelos agentes de seguran\u00e7a p\u00fablica, caso eles&nbsp;invadam suas resid\u00eancias. Em algumas das 16 favelas do Complexo da Mar\u00e9, a reuni\u00e3o de mulheres em espa\u00e7o p\u00fablico para se protegerem coletivamente \u00e9 comum. Os pesquisadores tamb\u00e9m observaram a exist\u00eancia de esfor\u00e7os voltados para a cria\u00e7\u00e3o coletiva de redes de cuidado, que proporcionam melhor qualidade de vida e oferecem ambiente de amparo e reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isabel Barbosa afirmou que&nbsp;o estudo re\u00fane informa\u00e7\u00f5es \u00fateis para a elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. Os pr\u00f3prios pesquisadores fazem recomenda\u00e7\u00f5es que envolvem, por exemplo, mudan\u00e7as no modelo de seguran\u00e7a p\u00fablica, implanta\u00e7\u00e3o de equipamentos de sa\u00fade e de acesso \u00e0 Justi\u00e7a voltado para mulheres, capacita\u00e7\u00e3o de profissionais que atuam no territ\u00f3rios e elabora\u00e7\u00e3o de programas de repara\u00e7\u00e3o para m\u00e3es e familiares de v\u00edtimas de viol\u00eancia armada.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m s\u00e3o sugeridas pol\u00edticas de implementa\u00e7\u00e3o de atividades art\u00edsticas e corporais como estrat\u00e9gia de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade f\u00edsica e mental, como a realizada no \u00e2mbito da pesquisa.&nbsp;&#8220;A falta de alternativas ou a exist\u00eancia de alternativas prec\u00e1rias de cuidado faz com que a mulher se veja muitas vezes isolada. Um acolhimento \u00e9 muito importante diante de todo esse sofrimento que elas passam. E nessas atividades art\u00edsticas,&nbsp;conseguem olhar para si, se cuidar. E, muitas vezes, isso abre espa\u00e7o para outros tipos de express\u00e3o. Quando voc\u00ea sofre uma viol\u00eancia, a tend\u00eancia \u00e9 se isolar e se silenciar. Ent\u00e3o, esses espa\u00e7os de express\u00e3o s\u00e3o importantes&#8221;, acrescenta&nbsp;Isabel.<\/p>\n\n\n\n<p>Amanda Jer\u00f4nimo da Silva, 29 anos, aprova. &#8220;As mulheres d\u00e3o um bom apoio. Cada uma conta seus problemas. \u00c0s vezes, \u00e9 uma chorando daqui, outra de l\u00e1. Melhorou a minha sabedoria, meu jeito de agir com todo mundo. A gente ri, brinca, a gente entende o sentimento da outra. \u00c0s vezes, uma n\u00e3o quer ir porque est\u00e1 angustiada com alguma coisa. A gente vai \u00e0&nbsp;casa dela e busca, conversa. Acaba criando aquele afeto de mulher para mulher&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Adjuto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ag\u00eancia Brasil teve acesso com exclusividade \u00e0 pesquisa Por L\u00e9o Rodrigues &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57402,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-57401","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57401"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57403,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57401\/revisions\/57403"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}