{"id":57487,"date":"2023-04-16T17:00:00","date_gmt":"2023-04-16T20:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=57487"},"modified":"2023-04-16T13:10:59","modified_gmt":"2023-04-16T16:10:59","slug":"feira-no-museu-da-republica-abre-espaco-para-cultura-indigena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/04\/16\/feira-no-museu-da-republica-abre-espaco-para-cultura-indigena\/","title":{"rendered":"Feira no Museu da Rep\u00fablica abre espa\u00e7o para cultura ind\u00edgena"},"content":{"rendered":"\n<p>Cerca de 200 ind\u00edgenas participam do evento no Rio<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 200 ind\u00edgenas de dezenas de etnias do Brasil participam neste fim de semana da 13\u00aa edi\u00e7\u00e3o da feira de artesanato ind\u00edgena, de apresenta\u00e7\u00f5es de cantos e dan\u00e7as rituais, de pintura corporal, de oficinas de arte e de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias. A programa\u00e7\u00e3o inclui ainda a exibi\u00e7\u00e3o de filmes, um espa\u00e7o de ervas medicinais e a realiza\u00e7\u00e3o de palestras e debates para discutir quest\u00f5es ind\u00edgenas. Pela primeira vez o evento ocorre nos jardins do Museu da Rep\u00fablica, no Catete, zona sul do Rio. At\u00e9 o ano passado, o local era o Parque Lage, no bairro do Jardim Bot\u00e2nico, tamb\u00e9m na zona sul do Rio. O hor\u00e1rio de funcionamento \u00e9 das 9h \u00e0s 17h30 e a entrada \u00e9 franca para todas as idades.<\/p>\n\n\n\n<p>A feira com 90 barracas de expositores \u00e9 organizada pela Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3 (AIAM), com o apoio institucional do Museu da Rep\u00fablica e do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). O evento celebra tamb\u00e9m o Dia dos Povos ind\u00edgenas, nome aprovado no ano passado no Congresso Nacional por iniciativa da ent\u00e3o deputada federal Jo\u00eania Wapichana para o antigo Dia do \u00cdndio, comemorado em 19 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Participam os povos ind\u00edgenas Guarani, Patax\u00f3, Puri, Fulni-\u00f4, Tukano, Kaingang, Guajajara, Ashaninka, Tikuna, Tupinamb\u00e1, Baniwa, Waur\u00e1, Kamayur\u00e1, Kayap\u00f3, Mehinako, Pankararu, Kariri-Xoc\u00f3, Karaj\u00e1, Potiguara, Sater\u00e9 Maw\u00e9, Bororo, Kadiw\u00e9u, Kambeba, Ananb\u00e9, Kichua e Goitac\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3 (AIAM), Marize Guarani, destacou que esta \u00e9 a primeira edi\u00e7\u00e3o que ocorre com a exist\u00eancia do Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas (MPI), e a cria\u00e7\u00e3o da pasta chama aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira para a presen\u00e7a desses povos no Brasil. \u201cTodos esses s\u00e9culos n\u00f3s vivemos aqui invis\u00edveis, negados, silenciados. Neste censo, j\u00e1 sabemos que passamos de 865 mil para quase 1,7 milh\u00e3o, mas a gente ainda n\u00e3o sabe qual \u00e9 o percentual que temos no contexto urbano, agora. No Censo de 2010, n\u00f3s \u00e9ramos quase 40% da popula\u00e7\u00e3o. Completamente negados, onde mesmo sendo territ\u00f3rio ind\u00edgena, porque todo o Brasil \u00e9 territ\u00f3rio ind\u00edgena\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Marize Guarani lembrou ainda que no portugu\u00eas falado no Brasil h\u00e1 muitas palavras em tupi-guarani e muita gente nem se d\u00e1 conta. Como exemplo, citou os bairros da capital fluminense, de Niter\u00f3i e de distrito e cidade da regi\u00e3o metropolitana do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00ea sabe o que \u00e9 Ipanema? O que \u00e9 Jacarepagu\u00e1? Sabe o que quer dizer Tijuca, Graja\u00fa, Itaipua\u00e7u, Maric\u00e1? Tem uma s\u00e9rie de palavras no tronco tupi-guarani que as pessoas falam. Eu nasci onde hoje \u00e9 um bairro, mas era territ\u00f3rio ind\u00edgena. Nasci em Turia\u00e7u, hoje \u00e9 um bairro que fica entre Madureira e Rocha Miranda. Acha que algu\u00e9m pode dizer que aquele n\u00e3o foi um territ\u00f3rio ind\u00edgena com o nome de Turia\u00e7u? O nosso portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 igual a qualquer portugu\u00eas falado no mundo\u201d, afirmou, revelando que atualmente h\u00e1 305 povos ind\u00edgenas no Brasil, n\u00famero bem abaixo dos 1,4 mil que existiam anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO que aconteceu aqui foi um genoc\u00eddio sem tamanho e tamb\u00e9m n\u00e3o falamos sobre isso. Tamb\u00e9m n\u00e3o falamos que, quando voc\u00ea perde o seu territ\u00f3rio, acaba vindo para as cidades, que foram constru\u00eddas com m\u00e3o de obra ind\u00edgena. As cidades s\u00e3o verdadeiros cemit\u00e9rios onde voc\u00ea enterra territ\u00f3rios ind\u00edgenas, l\u00ednguas e povos ind\u00edgenas, a cidade do Rio de Janeiro se constr\u00f3i a partir do genoc\u00eddio do povo tupinamb\u00e1 que vivia aqui. E quem conta esta hist\u00f3ria?\u201d, indagou.<\/p>\n\n\n\n<p>o Dia dos Povos Ind\u00edgenas com evento neste fim de semana &#8211; Tomaz Silva\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3 re\u00fane integrantes de v\u00e1rias etnias que vivem em contexto urbano no Grande Rio e tamb\u00e9m das oito aldeias Guarani e Patax\u00f3 que existem nos munic\u00edpios de Paraty, Angra dos Reis e Maric\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Indigenista da AIAM, Toni Lotar, que \u00e9 tamb\u00e9m um dos organizadores do evento, disse que este ano \u00e9 muito especial para os povos ind\u00edgenas, porque al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio, terminou o mandato do governo anterior que, segundo ele, n\u00e3o desenvolvia pol\u00edticas espec\u00edficas para esses povos. \u201cNesse encontro aqui vai rolar muita energia positiva. Eles est\u00e3o muito satisfeitos com o novo cen\u00e1rio que se estabeleceu no Brasil em rela\u00e7\u00e3o a eles e ao meio ambiente. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma oportunidade do Rio de Janeiro de conhecer a cultura ind\u00edgena\u201d, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>O indigenista disse que a expectativa \u00e9 receber 10 mil pessoas nos dois dias e isso \u00e9 uma oportunidade de gera\u00e7\u00e3o de renda para os expositores ind\u00edgenas. \u201cTodos os povos ind\u00edgenas t\u00eam na produ\u00e7\u00e3o e venda de artesanato o seu principal fator de renda. Ent\u00e3o em um evento como esse com 90 barracas eles conseguem vender os seus artesanatos e levar dinheiro para as suas comunidades\u201d, observou.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a programa\u00e7\u00e3o, o filme deste s\u00e1bado (15) \u00e9 o curta-metragem Abya Yala, na sequ\u00eancia haver\u00e1 debate sobre a quest\u00e3o dos ind\u00edgenas em contexto urbano. Amanh\u00e3 haver\u00e1 a exibi\u00e7\u00e3o do curta-metragem A Saga da Aldeia Maracan\u00e3, seguida de uma mesa de debate sobre as origens, conquistas e luta atual do movimento ind\u00edgena, que em 2006 fez a ocupa\u00e7\u00e3o cultural do pr\u00e9dio do antigo Museu do \u00cdndio, ao lado do est\u00e1dio do Maracan\u00e3. O evento est\u00e1 lan\u00e7ando a campanha Restauro J\u00e1, para cobrar do governo do estado a promessa de restaurar o pr\u00e9dio do antigo espa\u00e7o que foi tombado em 2013 pelo Instituto Estadual do Patrim\u00f4nio Cultural (Inepac) e pelo Instituto Rio Patrim\u00f4nio da Humanidade (IRPH), para inaugurar no local o Centro de Refer\u00eancia da Cultura Viva dos Povos Ind\u00edgenas, aberto aos 305 povos ind\u00edgenas que existem no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Cristina Indio do Brasil &#8211; Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Foto Tomaz Silva<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cerca de 200 ind\u00edgenas participam do evento no Rio Cerca de 200 ind\u00edgenas de dezenas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57488,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-57487","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57487","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57487"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57487\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57489,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57487\/revisions\/57489"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57488"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57487"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57487"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57487"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}