{"id":57514,"date":"2023-04-17T11:00:00","date_gmt":"2023-04-17T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=57514"},"modified":"2023-04-16T15:07:09","modified_gmt":"2023-04-16T18:07:09","slug":"negros-sao-80-dos-abordados-pela-seguranca-presente-em-bairro-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/04\/17\/negros-sao-80-dos-abordados-pela-seguranca-presente-em-bairro-carioca\/","title":{"rendered":"Negros s\u00e3o 80% dos abordados pela Seguran\u00e7a Presente em bairro carioca"},"content":{"rendered":"\n<p>Levantamento teve como base 1,2 mil abordagens em bairro da zona oeste<\/p>\n\n\n\n<p>A maioria das pessoas abordadas pela Opera\u00e7\u00e3o Seguran\u00e7a Presente, no Rio de Janeiro, s\u00e3o homens negros, ou seja, pretos ou pardos. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de um trabalho feito pelo major da Pol\u00edcia Militar (PM) fluminense Leonardo Hirakawa, para a conclus\u00e3o de mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), com base em 1.217 abordagens realizadas pelos agentes de seguran\u00e7a, no bairro do Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da cidade do Rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O Seguran\u00e7a Presente \u00e9 um programa de policiamento de proximidade, mantido pelo governo fluminense, que usa policiais militares em patrulhamento de rua em v\u00e1rios bairros do Rio, para suplementar o trabalho dos batalh\u00f5es locais.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o estudo Desvendando a Cor Padr\u00e3o: O Vi\u00e9s Racial na Sele\u00e7\u00e3o do Suspeito na Opera\u00e7\u00e3o Seguran\u00e7a Presente, 45% dos abordados pelos policiais eram pretos;&nbsp;37,6%,&nbsp;pardos e apenas 16,3%,&nbsp;brancos. O resultado n\u00e3o soma 100% porque 1,1% n\u00e3o teve sua cor identificada na pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os pretos e pardos abordados, 68% estavam a p\u00e9, enquanto 24% estavam em motocicletas. J\u00e1 entre os brancos, 40% estavam a p\u00e9 e 50% em motos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisa, isso mostra que, os brancos s\u00e3o mais abordados por estarem sobre motos do que por sua apar\u00eancia, uma vez que a pol\u00edcia identifica esse meio de transporte como o favorito a ser usado pelos assaltantes em seus atos criminosos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO indiv\u00edduo preto ou pardo que est\u00e1 a p\u00e9 \u00e9 abordado pela cor da pele. E o branco, que costuma ser mais abordado quando est\u00e1 andando de moto, \u00e9 abordado por estar de moto e n\u00e3o pela cor de sua pele. \u00c9 mais um dado que corrobora o vi\u00e9s racial\u201d, afirma a orientadora da pesquisa, Ver\u00f4nica Toste.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00edtulo do estudo refere-se \u00e0 \u201ccor padr\u00e3o\u201d uma terminologia informal que j\u00e1 foi usada, e hoje est\u00e1 banida, na comunica\u00e7\u00e3o entre os policiais para se referir \u00e0 cor da pele do suspeito quando ele \u00e9 negro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Racismo<\/strong><br>Em sua pesquisa, o major Hirakawa percebeu que as atitudes racistas adotadas pelos policiais do Seguran\u00e7a Presente n\u00e3o s\u00e3o apenas fruto de uma cultura interna da pol\u00edcia, mas s\u00e3o tamb\u00e9m demandadas pelos pr\u00f3prios moradores e comerciantes da regi\u00e3o atendida pelo programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, a presen\u00e7a de pessoas pobres, de periferia e negras causa inc\u00f4modo a muitos moradores de \u00e1reas como o Recreio, \u00e1rea majoritariamente povoada por pessoas de classe m\u00e9dia e classe m\u00e9dia alta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNessas \u00e1reas, voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea um carro de luxo sendo parado, n\u00e3o \u00e9 o comerciante que vai sofrer a revista policial. S\u00e3o sempre essas pessoas [consideradas pelos moradores e comerciantes] como indesej\u00e1veis. E o indesej\u00e1vel quem determina n\u00e3o \u00e9 a pol\u00edcia. Quem determina \u00e9 o morador. O pr\u00f3prio policial, \u00e0s vezes, \u00e9 conterr\u00e2neo do indesej\u00e1vel. O que difere ali \u00e9 que ele est\u00e1 representando o Estado, fardado\u201d, destaca&nbsp;Hirakawa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu estudo, o major cita o exemplo de um grupo de jovens de periferia que se reuniu na praia do Recreio para soltar pipa e, por press\u00e3o dos moradores do bairro, a situa\u00e7\u00e3o acabou se tornando um caso de pol\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cIsso virou um grande inc\u00f4modo. N\u00e3o demorou muito e eles j\u00e1 estavam aliando o pessoal que estava no festival de pipa a pessoas que roubam e a furtos em casas. E n\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o l\u00f3gica nenhuma. O policial acabou sendo for\u00e7ado a atuar contra esses eventos\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pol\u00edcia<\/strong><br>Por meio de sua assessoria de imprensa, a Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro informou que, em todos seus cursos de forma\u00e7\u00e3o e aperfei\u00e7oamento de pra\u00e7as e oficiais, h\u00e1 disciplinas como direitos humanos, \u00e9tica, direito constitucional e leis especiais.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA quest\u00e3o racial perpassa, de forma muito incisiva, por todas essas doutrinas na forma\u00e7\u00e3o dos quadros da corpora\u00e7\u00e3o. Internamente, a Pol\u00edcia Militar do Rio de Janeiro tem feito a sua parte para enfrentar o desafio do racismo estrutural ao longo de mais de dois s\u00e9culos. Foi o primeiro \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico a oferecer a pretos uma carreira de Estado e hoje mais de 40% do seu efetivo \u00e9 composto por afrodescendentes.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A PM destacou inclusive ter tido comandantes negros nos \u00faltimos 40 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por Vitor Abdala\u00a0 &#8211;\u00a0 Ag\u00eancia Brasil <\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Foto: T\u00e2nia R\u00eago \/ Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento teve como base 1,2 mil abordagens em bairro da zona oeste A maioria das<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":57515,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-57514","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57514","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57514"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57514\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57516,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57514\/revisions\/57516"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57515"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57514"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57514"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57514"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}