{"id":60872,"date":"2023-06-05T13:18:16","date_gmt":"2023-06-05T16:18:16","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=60872"},"modified":"2023-06-05T13:18:16","modified_gmt":"2023-06-05T16:18:16","slug":"saiba-quem-sao-e-como-vivem-os-povos-isolados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/06\/05\/saiba-quem-sao-e-como-vivem-os-povos-isolados\/","title":{"rendered":"Saiba quem s\u00e3o e como vivem os povos isolados"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Vale do Javari abriga maior n\u00famero desses povos no mundo<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Letycia Bond &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; S\u00e3o Paulo<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/204500.mp3\"><\/audio><\/h4>\n\n\n\n<p>Conhecer e proteger&nbsp;algu\u00e9m usando apenas os rastros que deixa pelo caminho &#8211;&nbsp;arcos, flechas, artefatos, vest\u00edgios de alimentos e itens de acampamentos provis\u00f3rios.&nbsp;\u00c9 dessa forma que trabalham indigenistas que se ocupam da defesa de povos em isolamento volunt\u00e1rio, como Bruno Pereira, que esteve \u00e0 frente da Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de \u00cdndios Isolados e de Recente Contato, da Funda\u00e7\u00e3o Nacional dos Povos Ind\u00edgenas (Funai),&nbsp;e foi morto em junho de 2022, em uma emboscada que tamb\u00e9m custou a vida do jornalista brit\u00e2nico Dom Phillips, correspondente do&nbsp;<em>The Guardian<\/em>. Ambos pagaram o&nbsp;pre\u00e7o por denunciar crimes socioambientais praticados no Amazonas.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1536844&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1536844&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Um ano depois de&nbsp;os dois serem assassinados, restam, para muitas pessoas, d\u00favidas sobre as comunidades que buscavam proteger. Os povos isolados est\u00e3o em maior n\u00famero no Brasil do que em qualquer outro&nbsp;local&nbsp;no mundo, na Terra Ind\u00edgena (TI) Vale do Javari,&nbsp;onde tamb\u00e9m vivem outros agrupamentos ind\u00edgenas, inclusive alguns de recente contato.<\/p>\n\n\n\n<p>O isolamento \u00e9, em geral, uma escolha dessas&nbsp;comunidades. Elas preferem manter dist\u00e2ncia de n\u00e3o ind\u00edgenas, e at\u00e9 mesmo&nbsp;de outras etnias, por diversas raz\u00f5es. Um dos principais motivos \u00e9 a recusa em manter uma ponte com o Estado e a existir em conformidade com a l\u00f3gica do lucro, uma vez que, na maioria das vezes, j\u00e1 foram v\u00edtimas dessa situa\u00e7\u00e3o, tendo experimentado&nbsp;matan\u00e7as de seus pares. H\u00e1 possibilidade de ter havido um trauma oriundo de outras viv\u00eancias, como a de choque com outros povos. Como destaca um livro do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio (Cimi) e da Editora da Universidade Federal do Amazonas sobre o assunto, &#8220;a exist\u00eancia de grupos ind\u00edgenas isolados, muitos enxotados de &nbsp;suas &nbsp;terras &nbsp;e &nbsp;em &nbsp;busca &nbsp;de &nbsp;ref\u00fagio &nbsp;em &nbsp;lugares &nbsp;de &nbsp;acesso &nbsp;muito dif\u00edcil, alerta para o &#8216;terrorismo do desenvolvimento&#8217;, pensado em fun\u00e7\u00e3o de interesses externos, fora da Amaz\u00f4nia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra do Cimi, de 2011, ressalta que o isolamento \u00e9 mais comum na regi\u00e3o amaz\u00f4nica por causa de suas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas e ambientais. Contudo, outros locais, como o Cerrado brasileiro, o Gran Chaco, localizado entre o Paraguai e o Sul da Bol\u00edvia, e ilhas da Nova Guin\u00e9 e do Sul da \u00cdndia tamb\u00e9m s\u00e3o lar de povos em isolamento volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme esclarece o antrop\u00f3logo Tiago Moreira, do Instituto Socioambiental (ISA), muitos povos deixam o isolamento para sinalizar que est\u00e3o em apuros&nbsp;diante das amea\u00e7as \u00e0 sua exist\u00eancia e ao seu modo de viver. O pedido de ajuda pode ocorrer&nbsp;mesmo que n\u00e3o seja de maneira expl\u00edcita, e sim sutil. &#8220;Muitas vezes, esses povos t\u00eam contato intermitente, espor\u00e1dico, com outros povos ind\u00edgenas, por meio&nbsp;dos quais conseguem at\u00e9 ter acesso a instrumentos de metal, como fac\u00e3o, machado&#8221;, afirma, em complemento \u00e0 defini\u00e7\u00e3o&nbsp;do que s\u00e3o os povos em isolamento volunt\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O fundador do Centro de Trabalho Indigenista (CTI), o antrop\u00f3logo Gilberto Azanha, enfatiza que o n\u00famero reduzido de rastros e ind\u00edcios que os povos em isolamento volunt\u00e1rio deixam \u00e9 proposital e calculado. &#8220;O que significa viver escondido? Viver escondido significa deixar pouca pista&#8221;, diz ele, que&nbsp;atualmente&nbsp;\u00e9 conselheiro consultivo do CTI. &#8220;S\u00e3o v\u00e1rias situa\u00e7\u00f5es. Cada povo tem uma pequena hist\u00f3ria, profunda, sobre suas experi\u00eancias de contato com outros, sejam os outros terr\u00edveis, como os agentes da nossa sociedade ocidental, sejam mission\u00e1rios, agentes da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, madeireiros, e com outros povos ind\u00edgenas da regi\u00e3o, seu entorno. Todos constru\u00edram a sua, seja l\u00e1 por que motivo. A gente s\u00f3 vai especular quando eles decidirem se apresentar e expor a sua hist\u00f3ria, por que se isolaram, por que passaram a viver escondidos. Isso a gente s\u00f3 pode especular.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Rt5TVs913xM-NOwHiFjTUsXqews=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/porto-atalaia-do-norte_mcamgo_abr_280220231818-10.jpg?itok=B5ikBHoc\" alt=\"Atalaia do Norte (AM), 28\/02\/2023 - Movimenta\u00e7\u00e3o no porto de Atalaia do Norte, que recebe ind\u00edgenas de comunidades do Vale do Javari. Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Atalaia do Norte (AM), 28\/02\/2023 &#8211; Movimenta\u00e7\u00e3o no porto de Atalaia do Norte, que recebe ind\u00edgenas de comunidades do Vale do Javari. Foto: Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil &#8211;&nbsp;<strong>Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O povo isolado que vive na TI Massaco, em Rond\u00f4nia, diz&nbsp;Azanha, \u00e9 um dos que t\u00eam demonstrado curiosidade de ver o que se passa em suas fronteiras. &#8220;Eles t\u00eam umas sa\u00eddas, os especialistas costumam falar&nbsp;dos jovens, para observar o que se passa e nisso deixam algumas pistas que o pessoal da Funai acompanha&nbsp;e ativa um sistema de prote\u00e7\u00e3o mais eficaz nessas \u00e1reas onde t\u00eam aparecido, meio de repente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1, geralmente, uma comunica\u00e7\u00e3o verbal com os povos em isolamento, que poderia permitir maior entendimento sobre a cultura de cada, eles podem ser identificados a partir de seu ponto geogr\u00e1fico. H\u00e1 nomes como &#8220;isolados do Alto Xeru\u00e3&#8221;, &#8220;isolados do Rio Copaca\/Uarini&#8221; e &#8220;isolados do Igarap\u00e9 Lamban\u00e7a&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns desses povos, explica Azanha, desenvolvem sofistica\u00e7\u00e3o em suas andan\u00e7as e movimentos, tenho habilidades excepcionais, por exemplo, de caminhar na floresta \u00e0 noite. Como o intuito \u00e9 perambular despercebido, um deles at\u00e9 parou de fazer ro\u00e7ados, de abrir clareiras na mata e de construir casas mais permanentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tiago Moreira comenta&nbsp;ainda&nbsp;que, nos anos 80, houve, em Rond\u00f4nia&nbsp;ocorr\u00eancias de povos isolados e de recentes contatos, que acabaram se deparando com pessoas que n\u00e3o pertenciam \u00e0 sua comunidade e o resultado disso foi um elevado n\u00famero de mortes. &#8220;A&nbsp;partir dos anos 80, tamb\u00e9m foi constru\u00edda uma pol\u00edtica de n\u00e3o contato, principalmente baseada no fato de que as experi\u00eancias de aproxima\u00e7\u00e3o eram desastrosas, as pessoas morriam, os grupos passavam por um processo de perda populacional muito grande. Ent\u00e3o, a Funai, junto com os antrop\u00f3logos, indigenistas, se reuniram para decidir o que fazer. A\u00ed, foi indicada&nbsp;essa pol\u00edtica de n\u00e3o contato e adotada uma s\u00e9rie de protocolos, porque, eventualmente, esse contato teria que ser feito&nbsp;em caso de risco desse grupo [isolado].<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Rede de prote\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>O \u00f3rg\u00e3o que oficialmente faz o acompanhamento e registro dos povos em isolamento volunt\u00e1rio \u00e9 a Funai. Contudo, outras organiza\u00e7\u00f5es, como o Instituto Socioambiental (ISA), colaboram com essa fun\u00e7\u00e3o. A autarquia, afirma&nbsp;Tiago Moreira, busca vest\u00edgios e tenta manter dist\u00e2ncia segura desses povos&#8221;. &#8220;\u00c9 um trabalho muito minucioso e cuidadoso, porque encontrar os vest\u00edgios dessas popula\u00e7\u00f5es na floresta \u00e9 uma coisa realmente bastante dif\u00edcil. E, ao mesmo tempo, n\u00e3o se pode ficar ali dando bobeira, porque&nbsp;pode-se encontrar com esses isolados. J\u00e1 aconteceu, a gente perdeu um colega da Funai, o Rieli [Franciscato, coordenador da Frente de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau]. Ele estava fazendo uma a\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o na Terra Ind\u00edgena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rond\u00f4nia, porque os isolados estavam sendo vistos fora da terra ind\u00edgena.&nbsp;Tinham aparecido em uma fazenda, uma ch\u00e1cara, algo assim, que fica no limite da terra ind\u00edgena, e foi para l\u00e1, a fim de&nbsp;tentar entender a situa\u00e7\u00e3o e ver esses vest\u00edgios, para saber por onde estavam andando.&nbsp;Acabou sendo flechado por esses isolados. \u00c9 um trabalho que \u00e9 feito a dist\u00e2ncia&#8221;, diz o antrop\u00f3logo, completando que&nbsp;quando a \u00e1rea ainda n\u00e3o \u00e9 demarcada, h\u00e1 um empenho para, pelo menos, interditar o territ\u00f3rio, com o objetivo de preserv\u00e1-la contra invasores e amea\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Moreira, no caso do ISA, o monitoramento \u00e9 feito com a ajuda de sat\u00e9lites. &#8220;Nesse caso, tentando mais monitorar as press\u00f5es ao territ\u00f3rio do que propriamente se os isolados est\u00e3o ali, porque, pelo sat\u00e9lite, \u00e9 quase imposs\u00edvel acompanhar&nbsp;a presen\u00e7a deles. Ent\u00e3o, a gente faz um monitoramento das amea\u00e7as, principalmente do desmatamento&#8221;, esclarece.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o antrop\u00f3logo do ISA, os maiores inimigos, atualmente, dos povos em isolamento volunt\u00e1rio s\u00e3o o garimpo e o desmatamento. Al\u00e9m disso, enfrentam o narcotr\u00e1fico, fazendeiros, ca\u00e7adores, posseiros, madeireiros e a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/tx7a9RHNgwwQgGvytRmzDWnoviE=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/whatsapp_image_2023-03-23_at_19.39.03_1.jpg?itok=8_TC49tX\" alt=\"Manaus (AM) - Policia Federal inutiliza balsas de garimpo ilegal com apoio do IBAMA e ocorreu no Vale do Javari\/AM\nFoto: Policia Federal\/Divulga\u00e7\u00e3o\" title=\"Policia Federal\/divulga\u00e7\u00e3o\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Manaus (AM) &#8211; Policia Federal inutiliza balsas de garimpo ilegal com apoio do IBAMA e ocorreu no Vale do Javari\/AM Foto: Policia Federal\/Divulga\u00e7\u00e3o &#8211;&nbsp;<strong>Policia Federal\/divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Moreira lembra que, no interior da TI Yanomami, h\u00e1 povos com esse perfil. &#8220;O que a gente viu nos \u00faltimos quatro, cinco anos foi que houve um crescimento do desmatamento em terras ind\u00edgenas sem precedentes e que boa parte dele foi em terras ind\u00edgenas com a presen\u00e7a de povos isolados&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">PL 490\/2007<\/h2>\n\n\n\n<p>Outra entidade que forma a rede prote\u00e7\u00e3o \u00e9 o Observat\u00f3rio dos Direitos Humanos dos Povos Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato (OPI), criado, conforme conta uma de suas integrantes, Luisa Suriani, durante o governo Bolsonaro, como rea\u00e7\u00e3o ao aumento da vulnerabilidade dos ind\u00edgenas. Muitas pessoas que fazem parte do observat\u00f3rio, relata ela, deixaram outras atividades com que estavam envolvidas para se dedicar exclusivamente a ele, ap\u00f3s a morte de Bruno Pereira e Dom Phillips.<\/p>\n\n\n\n<p>A mestranda em antropologia pela Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) diz&nbsp;que o Projeto de Lei (PL) 490\/2007, aprovado na \u00faltima ter\u00e7a-feira (30)&nbsp;na C\u00e2mara dos Deputados&nbsp;por 283 votos contra 155, cont\u00e9m&nbsp;trecho relacionado aos povos em isolamento que preocupa especialistas. O Artigo 29 da proposta, que trata do marco temporal na demarca\u00e7\u00e3o de terras ind\u00edgenas, permite que haja contato com esses&nbsp;povos, &#8220;para intermediar a\u00e7\u00e3o estatal de utilidade p\u00fablica&#8221;. No \u00faltimo dia 26, o OPI e o Cimi j\u00e1 alertaram para esse aspecto, questionando o contato for\u00e7ado e denunciando que, em nome de &#8220;suposto interesse p\u00fablico&#8221;, grandes empreendimentos promoveram verdadeiros massacres, genoc\u00eddios, como a constru\u00e7\u00e3o de rodovias, hidrel\u00e9tricas, projetos de minera\u00e7\u00e3o, coloniza\u00e7\u00e3o e agropecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso abala completamente a pol\u00edtica do n\u00e3o contato, que \u00e9 a da Funai. Ou seja, a gente respeita a autonomia dos povos isolados e entende que essa forma de viver \u00e9 uma forma de recusar o contato direto. O Artigo 29 prop\u00f5e uma coisa que vai contra a pol\u00edtica do n\u00e3o contato, consolidada no Brasil, e imp\u00f5e um problema muito grave&#8221;, afirma Luisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora acredite que esteja em curso, pelo governo Lula, o que chama de &#8220;desintrus\u00e3o da Funai&#8221;, isto \u00e9, a troca de figuras com posi\u00e7\u00e3o anti-ind\u00edgena por ind\u00edgenas e indigenistas com anos de carreira na autarquia, Luisa diz que a recupera\u00e7\u00e3o do desmonte, que se estende a limita\u00e7\u00f5es de or\u00e7amento, ainda provoca inquietude. &#8220;As frentes de Prote\u00e7\u00e3o Etnoambiental, que s\u00e3o bases da Funai por regi\u00e3o e cuidam de registros de povos isolados, sofrem com falta de comida. Daqui a pouco, n\u00e3o vai ter comida para abastecer essas bases. \u00c9 uma coisa muito elementar&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>A no\u00e7\u00e3o de que poucas pessoas dominam conhecimentos sobre os povos em isolamento volunt\u00e1rio \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o err\u00f4nea, para a antrop\u00f3loga. &#8220;No fim das contas, os verdadeiros especialistas s\u00e3o os pr\u00f3prios ind\u00edgenas que compartilham os territ\u00f3rios com eles. S\u00f3 que, durante muito tempo, a quest\u00e3o dos isolados ficou muito marcada como uma pol\u00edtica da Funai. S\u00e3o dados muito sigilosos, at\u00e9 por essa quest\u00e3o de invas\u00e3o. Ent\u00e3o, h\u00e1 dificuldade de se acessar as informa\u00e7\u00f5es justamente por causa da prote\u00e7\u00e3o desses dados. Muitas vezes, cria-se essa nebulosidade de que \u00e9 algo que poucos sabem. N\u00e3o, na verdade, quem est\u00e1 no campo, na base, que s\u00e3o os pr\u00f3prios ind\u00edgenas, sabe disso muito bem. E acho que, dentro da antropologia, agora pensando em algo mais acad\u00eamico, tamb\u00e9m para uma discuss\u00e3o pol\u00edtica, \u00e9 uma pauta que tem crescido, t\u00eam sido&nbsp;ampliado esses estudos mais antropol\u00f3gicos, sociol\u00f3gicos. Mas a expertise de fato \u00e9 de quem est\u00e1 em campo, que s\u00e3o os pr\u00f3prios ind\u00edgenas&#8221;, defende a pesquisadora, para quem a devida remunera\u00e7\u00e3o e contrata\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas que t\u00eam proximidade com os isolados deve ser uma prioridade da Funai.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>&nbsp;procurou a Funai e o Minist\u00e9rio dos Povos Ind\u00edgenas, mas n\u00e3o teve retorno at\u00e9 o fechamento desta mat\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Adjuto<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vale do Javari abriga maior n\u00famero desses povos no mundo Por Letycia Bond &#8211; Rep\u00f3rter<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":60873,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-60872","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60872"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60872\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60874,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60872\/revisions\/60874"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}