{"id":66653,"date":"2023-08-24T12:31:56","date_gmt":"2023-08-24T15:31:56","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=66653"},"modified":"2023-08-24T12:31:57","modified_gmt":"2023-08-24T15:31:57","slug":"ufrrj-pesquisadores-acham-novos-locais-de-peixes-das-nuvens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/08\/24\/ufrrj-pesquisadores-acham-novos-locais-de-peixes-das-nuvens\/","title":{"rendered":"UFRRJ: pesquisadores acham novos locais de peixes das nuvens"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Grupo \u00e9 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Por Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio de Janeiro<audio src=\"https:\/\/tts-app.ebc.com.br\/media\/tts\/208634.mp3\"><\/audio><\/h4>\n\n\n\n<p>Pesquisadores do Laborat\u00f3rio de Ecologia de Peixes (LEP) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) fizeram um achado in\u00e9dito, identificando tr\u00eas novos locais de ocorr\u00eancia dos chamados peixes das nuvens, rivul\u00eddeos que comp\u00f5em um grupo diversificado com mais de 300 esp\u00e9cies espalhadas pelo Brasil. Desse total, 130 esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, de acordo com a Lista Oficial das Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Extin\u00e7\u00e3o, divulgada no ano passado pelo Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA). Com isso, ocupam o primeiro lugar em n\u00famero de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de toda a fauna brasileira.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1550760&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1550760&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Dos tr\u00eas novos s\u00edtios de ocorr\u00eancia da esp\u00e9cie&nbsp;<em>Notholebias minimus&nbsp;<\/em>, um foi localizado na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) das Brisas, na Ba\u00eda de Sepetiba, no Rio de Janeiro; e dois no munic\u00edpio de Serop\u00e9dica, sendo um no<em>&nbsp;campus<\/em>&nbsp;da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O registro \u00e9 um dos resultados da pesquisa de doutorado de Gustavo Henrique Soares Guedes, desenvolvida no Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Biologia Animal da UFRRJ, sob orienta\u00e7\u00e3o do professor do Departamento de Biologia Animal da institui\u00e7\u00e3o, Francisco Gerson Ara\u00fajo, coordenador do LEP. O achado foi comemorado, uma vez que a esp\u00e9cie enfrenta risco elevado de extin\u00e7\u00e3o na natureza. Foi a primeira vez tamb\u00e9m que o peixe foi descoberto dentro do \u2018campus\u2019 da universidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Esp\u00e9cie end\u00eamica<\/h2>\n\n\n\n<p>Falando \u00e0&nbsp;<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Gustavo Guedes explicou que a esp\u00e9cie&nbsp;<em>Notholebias minimus<\/em>&nbsp;\u00e9 end\u00eamica do Rio de Janeiro. \u201cN\u00e3o tem em nenhum outro lugar do mundo\u201d, assegurou. Os peixes s\u00e3o pequenos, coloridos e cada vez mais raros. Eles atingem, no m\u00e1ximo, quatro cent\u00edmetros de comprimento. A esp\u00e9cie \u00e9 end\u00eamica da Mata Atl\u00e2ntica, com distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m conhecida na Floresta Nacional (Flona) M\u00e1rio Xavier, unidade de conserva\u00e7\u00e3o localizada em Serop\u00e9dica, no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>O animal j\u00e1 foi encontrado tamb\u00e9m no Bosque da Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense; e na Reserva Biol\u00f3gica de Guaratiba. Durante o trabalho, os pesquisadores voltaram a esses locais, mas n\u00e3o encontraram o peixe das nuvens dessa vez. \u201cMas isso n\u00e3o quer dizer que eles n\u00e3o existam\u201d. O bi\u00f3logo explicou que h\u00e1 uma \u00e9poca do ano certa para serem encontrados. Ainda existe pouco conhecimento sobre essas esp\u00e9cies que constituem o grupo mais amea\u00e7ado da fauna no Brasil. Isso envolve muitas quest\u00f5es, como a perda e degrada\u00e7\u00e3o de seu habitat, especialmente na Mata Atl\u00e2ntica, onde o homem tem destru\u00eddo muito os brejos onde esse peixe ocorre. H\u00e1 tamb\u00e9m amea\u00e7as emergentes, entre as quais as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, esp\u00e9cies invasoras, polui\u00e7\u00e3o, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador informou que toda a plan\u00edcie costeira do Rio de Janeiro, que se estende desde Copacabana at\u00e9 Serop\u00e9dica, historicamente era formada por brejos em que, no passado, essa esp\u00e9cie de peixes da nuvem ocorria em todo o litoral. \u201cA gente ainda tem muito registro hoje na Barra da Tijuca porque a expans\u00e3o urbana demorou muito a ser realizada\u201d. H\u00e1 30 anos, h\u00e1 esp\u00e9cies que n\u00e3o s\u00e3o recapturadas e que ningu\u00e9m encontra. A ideia \u00e9 procurar novas esp\u00e9cies para confirmar se est\u00e3o realmente extintas ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tr\u00e1fico<\/h2>\n\n\n\n<p>Gustavo Guedes informou que os traficantes de animais n\u00e3o traficam o peixe das nuvens propriamente mas, sim, seus ovos. \u201cEles n\u00e3o mandam o peixe para Europa, para os Estados Unidos. Mandam o ovo, que pode ser enviado at\u00e9 por carta, no correio\u201d. Por isso, Guedes disse ser muito dif\u00edcil detectar o tr\u00e1fico desses animais. \u201cE essa \u00e9 uma das amea\u00e7as tamb\u00e9m, porque muitos traficantes que retiram esses peixes do ambiente, reproduzem eles em aqu\u00e1rio, pegam os ovos e vendem pelo mundo afora\u201d. Os ovos desses peixes s\u00e3o muito resistentes e conseguem sobreviver durante seis meses, sem \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses peixes t\u00eam um ciclo de vida muito especial. Vivem em ambientes aqu\u00e1ticos no per\u00edodo chuvoso e no ambiente terrestre durante a seca. \u201cEle tem uma zonalidade muito forte no seu ciclo de vida. Ocupa brejos tempor\u00e1rios em determinadas \u00e9pocas do ano. Quando o ambiente vai secando, esses peixes v\u00e3o se reproduzir. Depositam os ovos no solo, que s\u00e3o muito resistentes. Os ovos ficam enterrados durante meses, sem \u00e1gua. Quando volta a chover, esses peixes v\u00e3o eclodir de novo na \u00e1gua e d\u00e3o origem a uma nova popula\u00e7\u00e3o naquele local. Antigamente, quando n\u00e3o se tinha conhecimento cient\u00edfico nenhum, a ideia, no imagin\u00e1rio popular, era que esses peixes ca\u00edam do c\u00e9u, junto \u00e0s chuvas. Da\u00ed, foram chamados peixes das nuvens. Esta j\u00e1 \u00e9 a segunda esp\u00e9cie de peixe das nuvens encontrada pelos pesquisadores da UFFRJ. A primeira foi o&nbsp;<em>Leptopanchax opalescens<\/em>, localizado em 2018.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mapeamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Gustavo Guedes e equipe v\u00e3o fazer o mapeamento de peixes das nuvens pelo Brasil inteiro, para tentar descobrir novos locais de ocorr\u00eancia dessas esp\u00e9cies amea\u00e7adas. O estabelecimento de uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o \u00e9 uma medida eficaz para proteger esses peixes e verificar quais s\u00e3o as suscetibilidades dessas esp\u00e9cies \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cTem v\u00e1rios objetivos gerais\u201d, disse. O bi\u00f3logo informou que o trabalho de campo vai come\u00e7ar em outubro pr\u00f3ximo, \u201cporque \u00e9 a \u00e9poca em que come\u00e7am as chuvas de novo\u201d, pela Regi\u00e3o dos Lagos, para examinar v\u00e1rias partes j\u00e1 marcadas no mapa. A pesquisa se estender\u00e1 por dez dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Um artigo cient\u00edfico com os principais resultados do estudo foi publicado pela revista<a href=\"http:\/\/guedes%2C%20g.%20h.%20s.%2C%20luz%2C%20c.%20h.%20p.%20da%20.%2C%20mazzoni%2C%20r.%2C%20lira%2C%20f.%20o.%20de%20.xn--%2C%20%26%20arajo%2C%20f-urc.%20g.%20%282023%29.%20new%20occurrences%20of%20the%20endangered%20notholebias%20minimus%20%28cyprinodontiformes:%20rivulidae%29%20in%20coastal%20plains%20of%20the%20state%20of%20rio%20de%20janeiro%2C%20brazil:%20populations%20features%20and%20conservation.%20neotropical%20ichthyology%2C%2021%283%29%2C%20e%20230013.%20%20https\/\/doi.org\/10.1590\/1982-0224-2023-0013\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;<\/a><a href=\"http:\/\/guedes%2C%20g.%20h.%20s.%2C%20luz%2C%20c.%20h.%20p.%20da%20.%2C%20mazzoni%2C%20r.%2C%20lira%2C%20f.%20o.%20de%20.xn--%2C%20%26%20arajo%2C%20f-urc.%20g.%20%282023%29.%20new%20occurrences%20of%20the%20endangered%20notholebias%20minimus%20%28cyprinodontiformes:%20rivulidae%29%20in%20coastal%20plains%20of%20the%20state%20of%20rio%20de%20janeiro%2C%20brazil:%20populations%20features%20and%20conservation.%20neotropical%20ichthyology%2C%2021%283%29%2C%20e%20230013.%20%20https\/\/doi.org\/10.1590\/1982-0224-2023-0013\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Neotropical Ichthyology<\/em><\/a>&nbsp;e est\u00e1 dispon\u00edvel para leitura gratuita 21(3), e 230013.<\/p>\n\n\n\n<p>Os novos dados de ocorr\u00eancia do peixe est\u00e3o dispon\u00edveis no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr) e na Global&nbsp;<em>Biodiversity Information Facility<\/em>&nbsp;(GBIF), plataformas digitais que integram dados abertos sobre a biodiversidade e os ecossistemas.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa da UFRRJ contou com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio &#8211; Conservando o Futuro).<\/p>\n\n\n\n<p>Edi\u00e7\u00e3o: Val\u00e9ria Aguiar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grupo \u00e9 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o Por Alana Gandra &#8211; Rep\u00f3rter da Ag\u00eancia Brasil &#8211; Rio<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66654,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-66653","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66653"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66653\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66655,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66653\/revisions\/66655"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}