{"id":66910,"date":"2023-08-27T20:00:00","date_gmt":"2023-08-27T23:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/?p=66910"},"modified":"2023-08-27T16:28:31","modified_gmt":"2023-08-27T19:28:31","slug":"bibliotecas-comunitarias-buscam-ecoar-diversidade-e-formar-leitores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/2023\/08\/27\/bibliotecas-comunitarias-buscam-ecoar-diversidade-e-formar-leitores\/","title":{"rendered":"Bibliotecas comunit\u00e1rias buscam ecoar diversidade e formar leitores"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas cidades mais populosas do Brasil, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bras\u00edlia, as bibliotecas comunit\u00e1rias s\u00e3o espa\u00e7os com hist\u00f3rias t\u00e3o singulares que poderiam ser contadas em obras como aqueles livros que est\u00e3o enfileirados nas estantes. A busca por diversidade e pela forma\u00e7\u00e3o de novos leitores vai tamb\u00e9m al\u00e9m dos livros. Esses espa\u00e7os s\u00e3o pontos de vida, de p\u00e1ginas viradas e de transforma\u00e7\u00f5es que surgem a partir de sonhos individuais e comunit\u00e1rios. &nbsp;<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1551487&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1551487&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Em S\u00e3o Paulo, a\u00a0Biblioteca Comunit\u00e1ria Djeanne Firmino\u00a0fica na converg\u00eancia de ruas em que a numera\u00e7\u00e3o das casas se embaralha, uma esquina do bairro Jardim Olinda, na zona sul de S\u00e3o Paulo. Djeanne identificava-se como mulher negra de pele clara, mas n\u00e3o sentia acolhimento no conv\u00edvio com outras pessoas, nem negras, nem brancas. Ela tirou a pr\u00f3pria vida em julho de 2014. Apesar de n\u00e3o ter sentido pertencimento de um modo geral, na biblioteca que frequentava, ela encontrou aceita\u00e7\u00e3o e carinho das crian\u00e7as que adorava.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Saraus<\/h2>\n\n\n\n<p>At\u00e9 assumir a forma que tem hoje, a Biblioteca Djeanne Firmino passou por uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es. Tudo come\u00e7ou por iniciativa do poeta Robinson Padial, mais conhecido como Binho, que j\u00e1 teve um bar e organizou, com o apoio da fam\u00edlia, saraus e a bicicloteca, um projeto em que leva livros em uma bicicleta para emprestar, doar ou receber. Dos saraus, surgiu a biblioteca, em 2009, primeiramente na favela da Chapena, na zona sul paulistana.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, o mesmo espa\u00e7o virou Brechoteca, uma mistura de biblioteca com brech\u00f3. Com a venda de itens diversos, inclusive eletrodom\u00e9sticos, as estantes eram alimentadas com mais livros. Quem estava \u00e0 frente da biblioteca popular era a coletiva \u201cAchadouras de Hist\u00f3rias\u201d, que decidiu honrar a mem\u00f3ria de Djeanne, frequentadora do local, emprestando seu nome ao espa\u00e7o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Recentemente a equipe conseguiu fazer a cataloga\u00e7\u00e3o dos livros por cores, para facilitar o sistema para \u201cquem ainda n\u00e3o \u00e9 leitor\u201d. O acervo vai preenchendo os c\u00f4modos da casa, vindos de v\u00e1rios lugares: por doa\u00e7\u00f5es de vizinhos e editoras; pela Rede LiteraSampa, que abrange 18 bibliotecas comunit\u00e1rias de S\u00e3o Paulo, Guarulhos, Mau\u00e1 e Santo Andr\u00e9; e por meio de editais, al\u00e9m da parceria com o Consulado da Alemanha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os exemplares que chegam em mau estado tamb\u00e9m s\u00e3o aproveitados. Eles s\u00e3o levados para a reciclagem e geram recursos para a compra de outros livros.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-3.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66918\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-3.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-3-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Espa\u00e7o de trocas<\/h2>\n\n\n\n<p>Um grupo que frequenta regularmente a Biblioteca Djeanne Firmino \u00e9 a \u201cfam\u00edlia K\u201d, como s\u00e3o carinhosamente conhecidos os irm\u00e3os que t\u00eam nomes com a inicial K. \u201cEles sempre ficaram brincando na rua at\u00e9 tarde da noite. Abre a biblioteca, e eles j\u00e1 v\u00eam para c\u00e1. Teve grande import\u00e2ncia a biblioteca na vida deles, que estavam sempre na rua, procurando coisas para fazer. Teve um per\u00edodo em que estavam todos os dias aqui, sa\u00edam \u00e0s oito da noite\u201d, conta a pedagoga V\u00e2nia Duarte, medidora de leitura do espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, foi uma descoberta e tanto perceber que as bibliotecas poderiam ser um local de interc\u00e2mbios de conhecimento e percep\u00e7\u00f5es sobre quest\u00f5es sociais, e n\u00e3o um em que se deve manter sil\u00eancio, rigorosamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No lar onde V\u00e2nia cresceu, n\u00e3o havia o h\u00e1bito da leitura. O pai conseguiu a proeza de concluir o ensino superior aos 72 anos. Ela iniciou o curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, e n\u00e3o terminou por conta de uma gravidez. Foi apenas em 2020 que ela se formou em Pedagogia, gradua\u00e7\u00e3o feita com a ajuda do Programa Universidade Para Todos (Prouni).<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a correria da rotina dita o ritmo e impede V\u00e2nia de achar brechas para sustentar assiduidade na leitura. Quando tem um tempo, contudo, gosta de poesia, Cec\u00edlia Meireles, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu tenho uma lembran\u00e7a muito legal do ensino fundamental: a professora de portugu\u00eas. Ela pegou um livro, um romance, e lia toda semana. A gente j\u00e1 ficava na expectativa de saber qual era o final daquele livro. Era a professora Edna, uma japonesa. Isso me marcou bastante&#8221;, revela a mediadora, evidenciando que, para cativar cada leitor em potencial, \u00e9 necess\u00e1rio um chamariz diferente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66917\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-4.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Justi\u00e7a social<\/h2>\n\n\n\n<p>\u201cAqui, nosso carro-chefe \u00e9 a justi\u00e7a social\u201d, destaca a ge\u00f3grafa Alessandra Leite, coordenadora de projetos da biblioteca. Ela aponta que o espa\u00e7o d\u00e1 muita \u00eanfase \u00e0 literatura infantil e \u00e0s obras de grupos racializados, como negros, ind\u00edgenas e amarelos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente nunca chega com a literatura crua. Nunca\u201d, destaca a coordenadora, sentada diante de um quadro com palavras como desigualdade e ra\u00e7a. Ela defende que, ao se apresentar uma obra, se fa\u00e7a a conex\u00e3o com contextos sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Alessandra \u00e9 de fam\u00edlia baiana e de baixa escolaridade e diz que foi uma de suas av\u00f3s quem mostrou a ela a import\u00e2ncia da leitura, ainda que atrelada a uma ideia de livros mais t\u00e9cnicos e ao estudo formal. \u201cEla dizia: \u2018Estuda para ser algu\u00e9m\u2019. Dava um valor [\u00e0 leitura] que ela n\u00e3o conhecia no corpo, mas sabia que, perante a sociedade, tinha um valor. Ent\u00e3o, ela sempre me estimulou muito a estudar, mesmo sem saber o que isso significava. Deu muito apoio&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando eu sa\u00ed da Bahia, aos 5 anos de idade, uma tia que me trouxe disse: \u2018Olha, a sua av\u00f3 est\u00e1 te levando para S\u00e3o Paulo para voc\u00ea estudar\u2019. Eu brinco que escrevi isso na pedra. Essa foi minha miss\u00e3o de vida aqui. A leitura sempre ficou nesse lugar.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66916\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-5.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-5-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Identifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>Ainda em S\u00e3o Paulo, mas na zona leste da capital, a equipe de reportagem da\u00a0<strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>\u00a0confirmou que estava em frente \u00e0\u00a0Biblioteca Comunit\u00e1ria Assata Shakur, na Vila Formosa, pela fileira de personalidades negras na fachada da garagem da casa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente do espa\u00e7o, um casal de jovens, Tatiane Ribeiro, de 27 anos, e Kairu Kijani, de 26 anos. A iniciativa de abrir a biblioteca, em 2019, como um bra\u00e7o do movimento negro, deu certo. O projeto teve sucesso e se expandiu, a ponto de abrirem turmas de bal\u00e9 infantil em outro local, no bairro Cidade Tiradentes, na Rua Faustino Lopes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dois j\u00e1 se conheciam por terem se engajado nas lutas da popula\u00e7\u00e3o negra. At\u00e9 que, certo dia, organizaram um encontro do grupo que participavam, mas o local escolhido cancelou de \u00faltima hora, deixando todos na m\u00e3o. Eles conseguiram manter a agenda em outro espa\u00e7o, mas foi a\u00ed que eles perceberam que precisavam de um endere\u00e7o pr\u00f3prio, que iria assimilar muito do que sabiam sobre modelos de educa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho que os livros percorrem at\u00e9 as prateleiras da Biblioteca Comunit\u00e1ria Assata Shakur difere do feito pelas obras da Biblioteca Comunit\u00e1ria Djeanne Firmino. Na zona leste, embora grande parte seja de doa\u00e7\u00f5es, outras origens importantes s\u00e3o a Festa do Livro da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), que ocorre anualmente com generosos descontos, e o garimpo em sebos f\u00edsicos e virtuais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as doa\u00e7\u00f5es, destaca Tatiane, est\u00e1 uma que ocupa posi\u00e7\u00e3o especial no acervo: um caderno do militante negro Henrique Cunha. A jovem conta que ela e o companheiro visitaram a casa onde Cunha vivia, a convite da fam\u00edlia dele, que depois deixou sob a guarda da biblioteca o caderno. \u201cSe eles est\u00e3o doando, \u00e9 porque est\u00e3o confiando na gente\u201d, afirma Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 somente a doa\u00e7\u00e3o dos escritos de Henrique Cunha que simboliza a confian\u00e7a que muitos do movimento negro t\u00eam depositado na biblioteca. Segundo Tatiane, diversas pessoas aparecem, volta e meia, buscando algum livro espec\u00edfico, acreditando que l\u00e1 ir\u00e3o encontr\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Kairu Kijani, que se formou em Pedagogia, relata que virou motivo de orgulho para sua professora da disciplina de Sociologia, que visitou a biblioteca. Perguntados, Kijani e Tatiane, sobre o porqu\u00ea de escolherem batizar o local com o nome de uma das pioneiras do feminismo negro, que se exilou em Cuba, eles argumetam: \u201cPrimeiro, porque ela est\u00e1 viva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA Assata tem um discurso em que ela fala que Os Panteras [Negras] estavam lendo o livro vermelho, v\u00e1rias teorias, mas sabiam pouca coisa sobre a \u00c1frica. A\u00ed, ela cita autores negros e pensei: \u2018Poxa, \u00e9 uma realidade que a gente tem aqui tamb\u00e9m\u2019. No coletivo de rap, a gente lia, primeiro, [Karl] Marx, e tinha poucos autores negros. A gente pode at\u00e9 falar em epistemic\u00eddio, porque tem esse apagamento de refer\u00eancias negras. E ela era uma militante, tinha a quest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou a milit\u00e2ncia muito jovem, o que tem muito a ver com a gente&#8221;, adiciona Tatiane.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre quem os influenciou a levar adiante o costume de ler, Tatiane e Kijani compartilham outra matriz em comum: o movimento hip hop. Para ambos, foram as letras de rap que abriram as capas dos livros. No caso de Tatiane, a aten\u00e7\u00e3o sempre se voltou a grupos de MC&#8217;s com integrantes mulheres, como o RZO e Atitude Feminina, e ao protagonismo feminino em carreira solo, como Stefanie MC.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que ficou, para ela, foi o gosto por autores como a sergipana Beatriz Nascimento, a carioca Thereza Santos e a estadunidense Angela Davis. Kijani prefere outra linha, como a do Quilombo Urbano, grupo do Maranh\u00e3o, e a d&#8217;O Levante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66915\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-6.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-6-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">No Rio de Janeiro, acessibilidade<\/h2>\n\n\n\n<p>Na capital fluminense funciona a Biblioteca Comunit\u00e1ria Arlindo Pinho, mantida e administrada por um grupo de oito volunt\u00e1rios ligados ao Centro de Educa\u00e7\u00e3o Popular e Pesquisas Econ\u00f4micas e Sociais (Ceppes). Criada em 1985, a biblioteca conta atualmente com um acervo de aproximadamente cinco mil obras.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos administradores, o professor de hist\u00f3ria Antonio C\u00edcero Sousa explica que a biblioteca nasceu com um acervo voltado para ci\u00eancias sociais, mas, ao longo dos anos, foi ampliando o leque de assuntos e hoje conta, inclusive, com livros infantis, al\u00e9m de publica\u00e7\u00f5es em braile e audiolivros, para atender&nbsp;frequentadores cegos ou com baixa vis\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antonio C\u00edcero avalia que a biblioteca comunit\u00e1ria funciona como um complemento \u00e0s institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, principalmente em regi\u00f5es sem a presen\u00e7a de outros meios de oferecer de gra\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o o acesso a livros. Segundo ele, estudantes s\u00e3o a maior parte dos frequentadores da Arlindo Pinho, que fica no bairro da Pra\u00e7a da Bandeira, zona norte do Rio.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO interesse \u00e9 grande. Eles conseguem ter acesso a livros que, \u00e0s vezes, na escola, na biblioteca da universidade eles n\u00e3o t\u00eam, ent\u00e3o eles v\u00eam aqui. Essa regi\u00e3o tem muitas escolas, universidades e \u00e9 bastante frequentada por estudantes. Por exemplo, eles v\u00eam pesquisar o material de um autor que est\u00e3o usando no trabalho de conclus\u00e3o de curso\u201d, contou \u00e0<strong>&nbsp;Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, acrescentando que tamb\u00e9m organiza rodas de leituras em escolas e faculdades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A estudante de pedagogia Daiana dos Santos \u00e9 uma das mais ass\u00edduas. Ela considera que o equipamento cultural \u00e9 uma forma popular de acesso aos livros e de cria\u00e7\u00e3o e incentivo do h\u00e1bito da leitura. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMelhora o vocabul\u00e1rio, abre caminhos. A pessoa pode decidir o que quer ser no futuro por meio de uma leitura\u201d, pontua. \u201cEu tenho esse h\u00e1bito, de buscar novos caminhos, novas vis\u00f5es. S\u00f3 vai enriquecer a minha bagagem pedag\u00f3gica\u201d, acrescenta.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Daiana conta que, al\u00e9m de agregar conhecimento para si, passa adiante o valor dos livros, incentivando o filho: \u201cPela leitura, ele pode conhecer outras coisas e sentir prazer em estar lendo, n\u00e3o somente quando precisa estudar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O professor Antonio C\u00edcero explica que a biblioteca comunit\u00e1ria \u2013 que n\u00e3o faz nenhuma cobran\u00e7a financeira aos frequentadores \u2013 depende do trabalho de volunt\u00e1rios que usam brechas de tempo livre, inclusive em fins de semana, noites e feriados, para manter o acervo. Al\u00e9m disso, contam com o apoio de projetos de financiamento para renovar o acervo e os equipamentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA gente fica pesquisando, consultando sites para descobrir editais de apoio voltados para bibliotecas comunit\u00e1rias\u201d, relata. Ele conta que \u00e9 dif\u00edcil renovar os equipamentos. \u201cComprar um computador novo, uma internet de melhor qualidade, porque hoje a gente tem que estar trabalhando nessas duas dimens\u00f5es, o livro impresso e o digital\u201d, conclui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente pela dificuldade em obter mais itens para o acervo, os administradores da biblioteca disponibilizam um email para contato e intermedia\u00e7\u00e3o de doa\u00e7\u00f5es: bibliotecaarlindopinho@gmail.com&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"502\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66914\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-2.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A meninada na Ceil\u00e2ndia<\/h2>\n\n\n\n<p>Em Bras\u00edlia, a\u00a0Biblioteca Roedores de Livros\u00a0atrai a crian\u00e7ada para rodas de leitura no Shopping Popular da Ceil\u00e2ndia (a maior regi\u00e3o administrativa do Distrito Federal e com maior n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o diretor de administra\u00e7\u00e3o do projeto, Adriano Jos\u00e9 Afonso, de 51 anos, a iniciativa teve in\u00edcio h\u00e1 17 anos pela ideia e sentimentos da professora Ana Paula Bernardes e um grupo de amigos que formaram um coletivo de projeto de leitura voltado para crian\u00e7as.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"503\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66913\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-7.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-7-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nada de sil\u00eancio<\/h2>\n\n\n\n<p>A proposta surgiu da dificuldade que ela ouvia de colegas professores de fazer com que as crian\u00e7as tivessem prazer com a leitura. \u201cUma das principais atividades da biblioteca comunit\u00e1ria \u00e9 a de media\u00e7\u00e3o de leitura, que \u00e9 o ato de ler junto com as crian\u00e7as e com os adolescentes\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 as crian\u00e7as que ainda est\u00e3o em per\u00edodo de alfabetiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 participam das atividades. A biblioteca tem um acervo de mais de 5 mil livros de literatura infantil e juvenil. \u201cN\u00f3s premiamos os leitores que se destacam como os mais ass\u00edduos nas participa\u00e7\u00f5es das atividades, seja em media\u00e7\u00e3o de leitura ou mesmo oficinas de arte\u201d, conta Afonso. A crian\u00e7ada pinta e desenha a partir do que a leitura proporciona.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E os temas s\u00e3o escolhidos a dedo: direitos humanos, diversidade, cultura antirracista, afrobrasileira, ind\u00edgena. \u201cN\u00e3o \u00e9 uma biblioteca que se pede sil\u00eancio \u00e0s crian\u00e7as\u201d.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"754\" height=\"538\" src=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-8.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-66912\" srcset=\"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-8.jpg 754w, https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/bibliotecas-8-300x214.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 754px) 100vw, 754px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tapete na grama&nbsp;<\/h2>\n\n\n\n<p>A biblioteca chegou a n\u00e3o ter uma sala para desenvolver os projetos e acondicionar os livros, que antes ficavam em uma creche na Ceil\u00e2ndia. \u201cA alternativa foi estender um tapete na grama debaixo de um pinheiro para evitar o inc\u00f4modo de se sentar diretamente no ch\u00e3o\u201d, relembra o diretor do projeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa tradi\u00e7\u00e3o de estender o tapete se mant\u00e9m na sede da biblioteca no shopping popular da Ceil\u00e2ndia. \u201cTodos ficam descal\u00e7os no tapete com almofadas\u201d. A simbologia virou livro infantil assinado por Tino Freitas e Ana Paula Bernardes, intitulado O Tapete Vermelho. O tapete segue estendido para a crian\u00e7ada viajar por muitos mundos a cada vez que um livro se abre.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ag\u00eancia Brasil &#8211; Foto: Paulo Pinto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas cidades mais populosas do Brasil, S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bras\u00edlia, as bibliotecas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":66911,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-66910","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-outras-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66910"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66910\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66920,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66910\/revisions\/66920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66911"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66910"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tvc16.com\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}